Baixinha do rugby jogou com homens, tomou puxão de cabelo e agora fará história - WSCOM

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14/07/2016


Baixinha do rugby fará história

RIO-16

Foto: autor desconhecido.

Esqueça os atletas altos e fortes do rugby. Na seleção brasileira feminina, a estrela que mais brilha é dona de 1,52m, 55kg e 23 anos. Mas são somente números, porque de frágil, ela não tem nada. A pequena Edna Santini se destaca entre as 12 convocadas para defender o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto. Há 13 anos, quando não fazia nem ideia do que era o esporte, começou a conhecer as ‘pancadas’ como única menina no meio de vários homens.

Nascida em Jacareí, no interior do estado de São Paulo, Edninha, como é conhecida, foi morar em São José dos Campos, cidade tradicional no rugby. Na frente de onde ela morava, ficava o Centro de Treinamento, onde ia sempre brincar. Foi então que, aos 10 anos, começou a se interessar pela modalidade.

Mas foi aí que veio um problema – ou não. O São José Rugby não tinha equipe feminina na base e, então, Edna entrou para o time masculino. Sem opção, jogou com eles até os 14 anos. E virou xodó.

“Era só eu de menina. Eles me protegiam quando íamos jogar e algum adversário puxava meu cabelo, queria abusar. Quando viajávamos, eles davam um jeito de isolar um banheiro só pra mim. Cuidavam mesmo”, contou.

Na categoria adulta, o São José tem time para ‘elas’. E aos 15 anos, Edna deixou os ‘protetores’ para dar início a sua carreira no rugby, de fato. Mas a convivência com eles deu toda a base que precisava e parece ter sido fundamental. A half-scrum se caracteriza pela velocidade e pela habilidade.

“Como o biótipo da mulher é diferente dos homens, eu precisava naturalmente correr mais, me esforçar mais, para poder competir, ajudar a equipe. Foi um estímulo para eu buscar meus objetivos, ter mais garra. Eu era mais rápida que alguns e às vezes fazia mais pontos também. Acho que me ajudou muito (começar no masculino) a ser a atleta que sou hoje.”

Aos 16 anos, Edna começou a treinar com a seleção brasileira feminina de rugby sevens. Sua estreia em uma partida oficial foi em 2011, no Circuito Mundial de Dubai, nos Emirados Árabes. Em 2013, a pequena gigante foi escolhida como melhor jogadora do Brasil e, em 2015, foi fundamental na conquista do bronze inédito nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, na estreia do país na competição com a modalidade.

Um ano depois do Pan, ela se prepara para fazer parte da história novamente, já que será a primeira vez que o Brasil vai disputar uma Olimpíada com o rugby. Tanto no feminino quanto no masculino, o país fará sua estreia, tendo ganhado as vagas por ser sede.

A modalidade foi disputada pela primeira vez em Paris-1900 e, depois, entrou nas edições de Londres-1908, Antuérpia-1920 e Paris-1924. No entanto, foi retirada dos Jogos pelo COI (Comitê Olímpico Internacional) e agora, passados 92 anos, foi incluída novamente para o Rio-2016.

O Brasil ainda engatinha no rugby, mas a visibilidade vem crescendo. A de Edna, principalmente. Apelidada de ‘pocket rocket’ (foguete de bolso, em inglês) e ‘Speedy Santini’ (veloz Santini), a brasileira – a mais baixa e a terceira mais jovem da seleção – ganhou um vídeo exclusivo da World Rugby, a Federação Internacional da modalidade, com lances exclusivos dela na série “Estrelas para assistir.”

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