Apesar de pressões, governo francês defende contrato de trabalho - WSCOM

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Internacional

20/03/2006


Apesar de pressões, governo francês

PARIS (Reuters) – O primeiro-ministro da França, Dominique de Villepin, passou para a ofensiva, na segunda-feira, em meio à polêmica sobre a nova lei de contrato de trabalho para jovens.

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O premiê reuniu-se com empregadores e estudantes a fim de defender um contrato que, segundo sindicatos, pode gerar greves se não for abandonado.

Fortalecidos por um fim de semana no qual, disseram organizadores, 1,5 milhão de manifestantes foram às ruas de cidades de todo o país, líderes sindicais elegeram a segunda-feira como final do prazo para que o governo retire ou suspenda a lei sobre o Contrato de Primeiro Emprego (CEP).

Villepin não mostrou sinais de estar cedendo a respeito da lei, que permite aos empregadores demitir pessoas com menos de 26 anos sem qualquer motivo durante um período de experiência de dois anos.

O premiê afirma que a nova lei ajudará a diminuir a taxa de desemprego entre os jovens franceses, atualmente em 23 por cento, ou o dobro da média nacional.

“Descarto qualquer possibilidade de cancelar o CPE, que deve receber uma chance”, afirmou o dirigente em entrevista concedida à Citato, uma revista mensal dirigida a um público com algo entre 15 e 20 anos de idade.

Villepin, cuja popularidade diminuiu nas últimas semanas, reuniu-se com empresários a fim de conversar sobre a importância de criar empregos para jovens. Ele deve encontrar-se com estudantes e desempregados ainda nesta segunda-feira.

Na França, as grandes manifestações podem derrubar ou sustentar governos. Protestos realizados em 1995, por exemplo, minaram o então primeiro-ministro Alain Juppé, derrotado nas eleições realizadas dois anos mais tarde.

Integrantes do partido UMP, de Villepin, apelidaram o CPE de “Comment Perdre une Election” — como perder uma eleição.

Alguns temem que a intensificação dos protestos e o aparecimento de greves possam ferir não apenas as ambições presidenciais de Villepin para o pleito de 2007, mas acabar com as chances de qualquer candidato da direita.

Grupos estudantis e líderes sindicais afirmam que o CPE criará uma geração de trabalhadores descartáveis sem segurança empregatícia. Dirigentes de sindicatos devem se reunir na segunda-feira a fim de discutir qual o próximo passo a ser dato. Uma greve pode ser convocada para quinta.

Uma pesquisa de opinião do instituto BVA aumentou a pressão sobre o governo, mostrando que 60 por cento dos eleitores franceses desejam o cancelamento da lei.

A pesquisa também mostrou que 63 por cento dos entrevistados duvidavam que Villepin fosse recuar.

Uma outra pesquisa, a ser publicada pelo jornal Libération, mostrou que 38 por cento desejam uma mudança na lei e 35 por cento, o cancelamento dela.

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