Álvaro Neto, pré-candidato pelo Avante, denuncia nepotismo e negociatas na política - WSCOM

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Política

31/07/2018


Álvaro Neto, pré-candidato pelo Avante, denuncia nepotismo e negociatas na política

Foto: autor desconhecido.

O pré-candidato pelo Avante, Álvaro Neto, denuncia em artigo publicado nesta terça-feira (31), nepotismo e negociatas na política. De acordo com Neto, na Paraíba todo o deputado federal controla um partido político. “Cada um é dono de um partido”.

Ele disse ainda que discorda do critério de famílias ocuparem os espaços nas Casas do Congresso Nacional (Senado e Câmara). ‘Isso deixa nosso parlamento menos democrático e menos representativo”.

Leia na íntegra:

TEMAS PARA REFLEXÃO. POR ÁLVARO GAUDÊNCIO NETO

É grande o desgaste que os três Poderes da República enfrentam perante a opinião pública brasileira. Não escapa ninguém. O desgaste que o presidente Michel Temer enfrenta é o maior que já experimentou um Presidente da República. No Judiciário, fala-se muito da imoralidade do auxílio moradia para Juiz. E no Senado e na Câmara dos Deputados são poucos os que escapam do xingamento do povo, por conta da prática de corrupção e tantas outras mazelas que vêm sendo praticadas por senadores e deputados federais. Por isso, toda e qualquer decisão adotada pelo Congresso Nacional é ilegítima, não merecendo o apoio da opinião pública do Brasil.

Um dos temas que envolvem o Congresso Nacional diz respeito à legislação eleitoral, sendo de competência do Congresso alterá-la, quando necessário. No entanto, os parlamentares que fazem as reformas sempre pensam nos benefícios para si próprios, ou seja, para os que já possuem mandatos.

Atualmente, com o pluripartidarismo, observa-se que os parlamentares com assento no Congresso Nacional são donos de uma sigla partidária em seus respectivos estados. Sendo detentor de um mandato, os partidos têm interesse em abrigar parlamentares para influenciar o aumento do fundo partidário, cujos cálculos são feitos com base no número de deputados federais filiados a determinada legenda partidária. Também quando chegam as eleições, transferem-se bilhões e bilhões de reais para os partidos políticos, em nome do financiamento de campanha eleitoral. É UMA IMORALIDADE! Será que os deputados federais atuais são confiáveis para administrar tanto dinheiro que chegarão as suas mãos nesta campanha política?

Nos últimos anos a Petrobras passou a ser o alvo de muitos políticos, intermediando dinheiro daquela empresa para encher o “bolso” de gente inescrupulosa. Hoje, tememos que o alvo seja o dinheiro público, que é do povo, que será manipulado nestas eleições, através dos partidos políticos. Por isso a sede de muitos parlamentares, para se apropriarem de um partido político no âmbito do seu Estado. É muito dinheiro que passará pelas mãos dos dirigentes destes partidos.

Vamos analisar um pouco da realidade do nosso estado, a Paraíba. Aqui, todo o deputado federal controla um partido político. Cada um é dono de um partido. Se não vejamos:

Comecemos pela situação do meu amigo deputado federal Veneziano Vital do Rego. Era filiado ao PMDB. Com a sua desfiliação deste partido, o PODEMOS passou a ser a opção. Mesmo decidindo filiar-se ao PSB do governador Ricardo Coutinho, o deputado Veneziano “combinou” com o PODEMOS de deixar neste partido a sua esposa Ana Cláudia, sob o argumento de que ela ficaria em seu lugar. E assim, com a promessa dela sair candidata à deputada federal, com amplas chances de vitória, Veneziano convenceu a direção nacional do partido de que a sigla vai ser contemplada na contabilidade dos recursos do fundo partidário, com a eleição de sua mulher.

Neste caso, não obstante o atual deputado Veneziano carregar boas chances de vitória como postulante a uma cadeira no Senado Federal, a sua esposa passa a ser mais cobiçada pelo PODEMOS, porque a sua eleição para Deputada Federal entrará na contabilidade do fundo partidário, aumentando a receita de recursos públicos em favor da legenda.

Em relação ainda ao PODEMOS, o partido terá na Paraíba o comando do casal Veneziano/Ana Claudia. Ótimo – para quem?

Com a eleição de Veneziano para o Senado a Paraíba estará muito bem representada. Caso a esposa também se eleja, não resta dúvida, que o povo também estará representado. Numa hipótese remota, caso o senador Maranhão seja vitorioso, dona Nilda Gondim, mãe e sogra do casal referido, assume uma cadeira no Senado. Ou seja, uma família apenas ocupando três cadeiras no Congresso Nacional. E os demais postulantes que votam no dr. João Azevedo para Governador e que são candidatos, como é o meu caso, vão servir apenas para bater esteira para a eleição de famílias da política paraibana?

Reafirmo o carinho e admiração que tenho pela pessoa do atual deputado federal Veneziano Vital do Rego. No entanto, me permito discordar do critério de famílias ocuparem os espaços nas Casas do Congresso Nacional (Senado e Câmara), deixando o nosso Parlamento menos democrático e menos representativo.

Comentários da imprensa também falam que o deputado federal Luiz Couto, do PT, não mais será candidato a deputado federal e sim a uma vaga de Senador. A militância do Partido dos Trabalhadores já informa que o partido não pode abrir mão da vaga de Luiz Couto na Câmara dos Deputados, como se o cargo de Senador seja menos importante.

Se olharmos para os partidos adversários aí é que a coisa é gritante. Para ser candidato a governador, o candidato tem de ser o irmão do prefeito da Capital. A candidata a vice-governadora tem de ser ocupada pela mulher do prefeito de Campina. Este, por sua vez, lança também o seu irmão para deputado estadual. O prefeito da Capital também lança sua mulher para ser suplente de senadora do senador Cunha Lima, que por sua vez já tem o filho para, num futuro próximo, comandar outro partido no Estado, como Deputado Federal. É uma barra.

Não sei se vale a pena continuar na política assistindo a esse pingue pongue dos atuais detentores de mandato. O povo revoltado com essas manobras diz não votar mais em ninguém nestas eleições, o que discordo, apesar de entender. Mas as pessoas cansam.