'Alinhamento automático com Washington nunca foi boa política', afirma Celso Amorim - WSCOM

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Política

08/12/2018


‘Alinhamento automático com Washington nunca foi boa política’, afirma Celso Amorim

Ex-embaixador citou que alinhamento entre Bolsonaro e Trump pode causar danos irreparáveis ao Brasil

Na imagem, o ex-embaixador do Brasil, Celso Amorim

O embaixador Celso Amorim, que já foi apontado como o melhor chanceler do mundo pela revista Foreign Policy, num tempo em que o Brasil era respeitado e admirado internacionalmente, antevê uma tragédia e danos irreparáveis com a política externa de Jair Bolsonaro, que subordina o Brasil aos interesses de Donald Trump – um líder rejeitado e investigado nos Estados Unidos, além de repudiado internacionalmente.

 

“Alinhamento automático com Washington (ou com quem quer que seja) nunca foi boa política. Com Trump, além de um desastre político, será uma tragédia econômica e moral”, diz ele, em artigo publicado neste sábado, na Folha de S. Paulo.

 

“Não há espaço aqui para recapitular as posições e iniciativas tomadas pelo Brasil durante o governo Lula e que levaram o Brasil ao centro do tabuleiro das grandes negociações internacionais. Na Alca, paramos uma negociação injusta, que nos privaria da capacidade de desenvolver políticas sociais e econômicas necessárias ao nosso desenvolvimento. Na OMC, o Brasil, junto com a Índia, se tornou um ator incontornável na defesa dos interesses dos países em desenvolvimento. Não obtivemos o que queríamos na Rodada de Doha, em virtude da obstinação dos países ricos em manter injustos e nocivos subsídios à agricultura, mas impedimos um acordo que teria tornado ainda mais desequilibradas as regras do comércio internacional”, pontua ainda Amorim, sobre o tempo em que o Brasil era um ator global.

 

O futuro chanceler, Ernesto Araújo, que jamais chefiou uma missão diplomática, foi indicado pelo astrólogo Olavo de Carvalho a Eduardo Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, e trata Trump como um redentor do Ocidente.

 

Brasil 247