Alemães impedem "jogo de compadres" de ingleses e suecos - WSCOM

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20/06/2006


Alemães impedem "jogo de compadres"

Um empate entre Suécia e Inglaterra pode dar aos escandinavos a segunda vaga para as oitavas-de-final do Grupo B da Copa do Mundo, sem que eles dependam do resultado de Trinidad e Tobago x Paraguai. Com a Inglaterra já classificada, o encontro poderia sugerir um “jogo de compadres”, com um significativo acréscimo: Sven-Goran Eriksson, técnico da Inglaterra, é sueco.

As equipes só teriam de ser bem sutis para não demonstrar falta de competitividade suspeita, como já aconteceu em outros “jogos de compadres” da história das Copas (saiba mais aqui).

Mas há outro fator, talvez mais decisivo, influenciando esta partida: os dois entrarão em campo já sabendo se a Alemanha acabou em 1º ou em 2º no Grupo A. Os alemães decidem as posições contra o Equador (também classificado) às 11h.

Seja em que colocação acabar, a seleção dona da casa enfrentará um dos classificados do Grupo B nas oitavas-de-final. Portanto, em campo, ingleses e suecos estarão pensando em maneiras de “fugir” dos alemães. Os suecos só não podem perder para não deixarem a vaga ficar com Trinidad e Tobago.

Mas, como garantir a classificação é melhor que tentar fugir da Alemanha e acabar eliminado com uma derrota acidental, volta a ficar forte a possibilidade de uma partida “sem riscos” para a Suécia.

O técnico Lars Lagerback, da Suécia, que joga desfalcada de seu principal atacante Ibrahimovic, já adiantou à imprensa que não tem intenção de jogar no ataque.

“A Inglaterra é sempre um time difícil. Eles têm qualidade em todas as posições e já venceram duas partidas”, disse o sueco, nesta segunda-feira.

“Vamos tentar impor nossa maneira de jogar, defender é muito importante para nós. Quando você joga neste nível, é difícil controlar o jogo. Você não pode atacar muito”, completou.

Enquanto os suecos não vão poder contar com Ibrahimovic, a torcida inglesa verá o atacante Wayne Rooney começar sua primeira partida pela seleção desde que fraturou o pé direito em 29 de abril.

Isto não quer dizer, porém, que a Inglaterra ficará mais ofensiva contra a Suécia. O técnico Sven-Goran Eriksson também não pretende correr riscos. Deve poupar o meia Steven Gerrard, pendurado com um cartão amarelo, e começar a partida com Owen Hargreaves, mais marcador que Gerrard.

Pelo mesmo motivo, o atacante grandalhão Peter Crouch dará lugar a Wayne Rooney, que se recupera rapidamente de uma fratura no pé. Frank Lampard, que também tem cartão, deve jogar.

O lateral-direito Gary Neville, contundido, deverá ser substituído por Jamie Carragher, que entrou na vitória de quinta-feira por 2 a 0 sobre Trinidad e Tobago.

“Se precisássemos da vitória, arriscaria escalar os três. Mas não precisamos”, afirmou Eriksson.

Além disso, o sueco Eriksson poderia se contentar com um empate e ajudar a seleção de seu país de origem a chegar à segunda fase. Mas, segundo ele, é uma questão de honra levar a Inglaterra ao fim de um tabu de 38 anos sem vencer a Suécia (veja quadro ao lado).

Eriksson é o décimo treinador na história das Copas a enfrentar seu próprio país (leia quadro acima), mas será o primeiro e, pelo menos até 2010, único a fazer isso duas vezes.

Na Copa de 2002, Eriksson comandou a Inglaterra contra a Suécia na partida de estréia. O resultado foi 1 a 1 e os suecos terminariam a primeira fase em primeiro lugar no chamado “grupo da morte”, que ainda tinha Argentina e Nigéria.

Eriksson na Suécia

Como jogador, o badalado técnico do “English Team”, esteve longe do glamour que cerca sua carreira de treinador. Jogou apenas em dois times das divisões inferiores (KB Karlskoga e Degerfors IF) e encerrou prematuramente a carreira aos 27 anos, em 1975, por causa de uma contusão no joelho.

Começou a careira de técnico no Degerfors IF e, em três anos a frente do time, o levou da terceira à primeira divisão do Campeonato Sueco. O desempenho o levou a um dos principais times suecos, o IFK Göteborg, em 1979.

Pelo novo clube, venceu a Copa da Suécia (em sua primeira temporada), o Campeonato Sueco (três vezes consecutivas) e a Copa da UEFA, em 1982.

Depois disso, virou internacional. Passou por times de Portugal (Benfica) e da Itália (Roma, Fiorentina, Sampdoria e Lazio) até assumir a seleção da Inglaterra, em 2000.

* Com agências internacionais