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19/10/2018


Agredida, ginasta isenta treinador e acusa dirigentes de assédio

Foto: autor desconhecido.

Nos últimos dias, um vídeo de conteúdo chocante ganhou destaque nas páginas de veículos esportivos europeus. Nas imagens, uma ginasta aparece escutando orientações de seu treinador, que repentinamente acerta dois fortes tapas no rosto da atleta. Demais esportistas no ginásio continuam normalmente suas atividades.

A gravação foi feita em 11 de julho, de acordo com a agência de notícias Kyodo News. O técnico em questão é o japonês Yuto Hayami, de 34 anos. A ginasta é Sae Miyakawa, que completou 19 anos em setembro e atleta presente na Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro. O Japão ficou com o quarto lugar na ginástica artística entre as equipes femininas, atrás dos Estados Unidos (ouro), da Rússia (prata) e da China (bronze).

A reação foi imediata. Hayami perdeu sua qualificação como técnico da Associação Japonesa de Ginástica -e tenta recuperá-la na Justiça- e foi proibido de entrar no Centro Nacional de Treinamentos, onde as agressões foram registradas. Investigação da entidade nipônica do esporte afirmou que as agressões ocorreram pelo menos desde setembro de 2013.

Só que a denúncia acabou criando um problema para as ginastas japonesas. O motivo: o Campeonato Mundial da modalidade, que em 2018 será disputado em Doha (Qatar) entre os dias 25 de outubro e 3 de novembro. No final de agosto, diante da proximidade com a competição, a própria Sae Miyakawa pediu para uma punição mais branda a Yuto Hayami, de forma que o técnico pudesse completar o ciclo de treinamentos da equipe até 2020.

“Eu não pedi por tamanha punição e não posso concordar com tal severidade”, disse Miyakawa em entrevista coletiva. A ginasta afirmou ser treinada por Hayami desde o início da carreira, e indicou na ocasião que poderia até mesmo abrir mão de uma vaga na equipe do Mundial.

“Acho que estão tentando me separar de meu treinador, usando a questão de sua violência como um pretexto, porque querem me colocar na equipe Asahi Mutual Life Insurance”, disse. O time em questão é comandado pelos Tsukahara, família bastante tradicional na ginástica japonesa.

Mitsuo Tsukahara, dono de cinco medalhas de ouro olímpicas entre 1968 e 1976, é o vice-presidente da associação nacional da modalidade. Chieko, sua mulher, disputou os Jogos Olímpicos de 1968 e é a treinadora da seleção feminina. A família é responsável há muitos anos pela administração do clube citado por Miyakawa, que formou diversos destaques da ginástica no Japão.

Na entrevista coletiva de 29 de agosto, Sae Miyakawa afirmou estar sendo alvo de assédio moral por parte dos Tsukahara. Segundo o jornal Asahi Shimbun, a ginasta estava sendo pressionada pelo casal citado a participar de treinamentos especiais no ciclo olímpico após a Rio-2016.

“Se você não participar, a associação não poderá oferecer cooperação e você não poderá participar da Olimpíada (de 2020) em Tóquio”, teria dito Chieko. A informação foi negada pela treinadora.

Mitsuo, por sua vez, prometeu colaborar com qualquer investigação. “Nos meus 44 anos como treinador, eu passei orientações sempre pensando no atleta”, disse ele, ainda segundo o Asahi Shimbun. “Foi a mesma coisa com Miyakawa, mas se o sentimento não foi o transmitido para ela, então é algo lamentável”, acrescentou.

O pedido de Sae Miyakawa é que Yuto Hayami volte a ser seu treinador. Segundo ela, o tratamento violento era uma maneira de devolvê-la a motivação.

“Estou determinada a trabalhar com meu técnico Hayami, independente do que acontecer”, disse a ginasta. “Meu sonho sempre foi vencer uma medalha de ouro na Olimpíada de Tóquio tendo Hayami como meu técnico.”

A promessa da Associação Japonesa de Ginástica em setembro era realizar um painel investigativo a respeito do caso. Em 10 de setembro, o casal Tsukahara foi provisoriamente suspenso de atividades até o fim das investigações. Com informações da Folhapress.

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