AETC nega acesso de mais de 2 mil pessoas a passe estudantil; campanha vê existê - WSCOM

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Economia & Negócios

25/10/2005


AETC nega acesso de mais

Mais de dois mil estudantes matriculados nas 540 escolas de João Pessoa não poderão adquirir passes do sistema de transporte urbano. Uma campanha articulada por empresários do setor investigou a situação de freqüência dos alunos e elaborou um cadastro negativo que já chega a 2.105 pessoas. Detalhe: apenas 76 estabelecimentos de ensino foram visitados até agora.

Batizada de ‘passe certo’, a campanha foi iniciada em junho deste ano para checar as 158.307 carteiras estudantis que circulam na Capital. Os empresários suspeitam que boa parte desse contingente estaria sendo movimentada por alunos fantasmas, que se matriculam – mas não freqüentam as escolas – para ter acesso ao abatimento de 50% na tarifa de ônibus.

De acordo com nota distribuída pela Associação das Empresas de Transportes Coletivos Urbanos de João Pessoa, a suspeita foi reforçada por pesquisa que indica que o volume de carteiras em circulação aqui é superior a média exibida nas capitais nordestinas – picos de 47% contra 18% a 22% registrados nas cidades vizinhas.

Pelas contas da AECT, cerca de 29% já foram monitoradas pela campanha e a expectativa que o ciclo seja fechado até o final do ano.

Na nota, a Associação revela que do montante de cadastros verificados entre 13 de junho e 25 último foram encontradas 918 fichas relativas à evasão, 1.049 de transferidos e 89 de alunos não localizados e 50 de concluintes, totalizando 2.107 cadastros com freqüências irregulares.

A coordenadora da campanha, Josélia Soares, antecipou que os cadastros irregulares “estão impossibilitados de comprar passes, podendo a carteira ser utilizada apenas para outras finalidades, como compra de ingressos para shows”.

Segundo ela, as irregularidades mais recorrentes são a não localização dos estudantes no colégio, transferências sem que haja comunicado do novo local de estudo e ausência de freqüência. ‘Tais procedimentos terminam caracterizando que o aluno só se matriculou para poder requerer o documento estudantil’, acredita Josélia.

“Como não há subsídio para o pagamento dos outros 50%, esse valor é incluído nos cálculos tarifários, cujo ônus recai sobre os passageiros pagantes”, disse o diretor-executivo da AETC-JP, Mário Tourinho, para explicar a importância da campanha, a fim de que só gozem da meia-passagem aqueles que realmente possuem esse direito. “Quando pessoas que não são estudantes desfrutam disso, o valor da tarifa acaba sendo onerado, pois os custos do serviço são diluídos por menos passageiros”, finalizou.

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