Acusado de agredir mulher bate boca na tribuna do Senado - WSCOM

menu

Brasil & Mundo

04/04/2017


Acusado de agredir mulher bate boca

NO SENADO

Foto: autor desconhecido.

Para responder a líder do PT, Gleisi Hoffman (PR), que pediu a Procuradoria da Mulher no Senado para investigar denúncia de que agrediu a mulher, o senador Lasier Martins (PSD-RS) foi à tribuna nesta terça-feira para dizer que vai provar sua “total inocência”. Na semana passada, a jornalista Janice Santos registrou a denúncia de agressão na Delegacia da Mulher. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), em função do foro privilegiado, e corre em segredo de Justiça.

Após sua fala, em que classificou o caso como “um conflito conjugal”, coisa da vida privada, e jurar que jamais agrediu uma mulher, Lasier teve um diálogo áspero com a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), que comanda a Procuradoria da Mulher no Senado. Ele acusou a senadora de seletividade, de não ter dado o mesmo tratamento a outras denúncias de agressão a mulher envolvendo outro senador.

— Estou aqui de cara limpa porque sou um cara limpo. Peço que esse processo tenha um andamento o mais rápido possível, para acabar com esse dilema que virou um pesadelo. Sou uma pessoa de paz, um jornalista que vai completar 75 anos sem nada de desabonador. O Brasil precisa de nós, e eu preciso do respeito dos colegas — discursou.

As senadoras Vanessa Grazziotin e Fátima Bezerra (PT-RN) foram ao microfone para contestar Lasier, dizendo que não podiam se omitir diante da denúncia.

PUBLICIDADE

— Não poderíamos nos silenciar e nos omitir. Lutamos muito para fortalecer a Lei Maria da Penha. Me perdoe senador, esse não é um caso de família. Quando há denúncia, é um caso público, não tem essa estória de que em briga de marido e mulher não se mete a colher. Põe a colher sim — disse Vanessa, ponderando entretanto que não estava prejulgando, apenas cobrando investigação do caso.

A senadora Ana Amélia (PP-RS) fez um aparte para dizer que em décadas de atuação conjunta no jornalismo com Lasier, jamais presenciou nada de desrespeitoso com as colegas. E alertou para outras denúncias de agressão tipificadas pela Lei Maria da Penha, que a Procuradoria da Mulher não se manifestou ou pediu investigação.

— É muito difícil falar de um caso íntimo, porque é a sua palavra contra a palavra de quem o denunciou. Mas, como senadora, sabemos que houve casos semelhantes aqui no Senado que não teve o mesmo tratamento. Não podemos usar dois pesos e duas medidas — discursou Ana Amélia.

Ela se referia ao caso do senador licenciado Telmário Mota (PDT-RR), investigado no STF para investigar denúncia de que ele agrediu uma estudante de 19 anos, com quem teria um relacionamento amoroso, até ela perder a consciência. Nesse caso o pedido de investigação não partiu da Procuradoria da Mulher do Senado, comandando por Vanessa, mas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

— Eu respeito a posição da senadora Grazziotin como presidente da Procuradoria da Mulher. Apenas estranhei a seletividade em relação a outros casos. Será que é uma questão partidária? — rebateu Lasier.

Em resposta, a senadora Vanessa Grazziotin, sem citar as denúncias e o processo envolvendo o senador Telmário Mota, disse que a Procuradoria se manifestou.

– Senadora Ana Amélia, verificamos antecedentes de todos. E aqueles em que havia um processo à época do acontecido, em que houve denúncia, nós nos posicionamos da mesma forma – disse Vanessa.

A reclamação da seletividade feita pelo senador Lasier, quem respondeu foi a senadora Fátima Bezerra, negando que isso tenha acontecido, mas igualmente sem citar o caso de Telmário.

Notícias relacionadas