Abertura do capital da Infraero pode render R$ 2 bilhões - WSCOM

menu

Economia & Negócios

25/07/2007


Abertura do capital da Infraero

O governo avalia a possibilidade de, em seis meses, abrir o capital da Infraero para facilitar investimentos no setor aeroportuário. Esse foi um dos principais pontos da reunião de quatro horas realizada no final da tarde e início da noite de segunda no Planalto.

Pelos cálculos do governo, a abertura de 20% a 25% do capital da estatal poderá significar R$ 2 bilhões para a Infraero, que serão somados aos R$ 3,2 bilhões de investimentos previstos no PAC no período de 2007-2010.

Foi a segunda reunião, em menos de uma semana, entre a Junta Orçamentária de governo (composta pelos ministros Guido Mantega, Paulo Bernardo, Dilma Roussef e Walfrido dos Mares Guia) com o presidente Lula e o ministro da Defesa, Waldir Pires. Horas antes do acidente da TAM, na terça passada, Pires já havia discutido com seus colegas de governo a necessidade de novos investimentos do setor. A tragédia do acidente da TAM e a necessidade de apresentação de resultados concretos diante do caos aéreo aceleraram a discussão de investimentos na área.

O governo quer aproveitar o bom momento da economia internacional. Está jorrando dólar no Brasil , confirmou um dos participantes do encontro. Fontes do Planalto lembram que, somente nesse ano, 40 empresas seguiram o mesmo caminho, com pleno êxito. Por ser uma empresa estatal, a abertura de capital pode ser feita por intermédio de um projeto de lei a ser encaminhado ao Congresso e aprovado por Câmara e Senado.

Antes, no entanto, ela precisa ser transformada de estatal em empresa de economia mista já que, a exemplo da Caixa Econômica, a Infraero tem 100% de capital da União. Uma fonte ouvida pelo Valor afirmou que durante o primeiro governo Lula a idéia de abertura de capital da Infraero já havia sido cogitada. Um esboço de projeto de lei teria sido enviado à Casa Civil e contaria com a simpatia da titular da pasta, Dilma Rousseff.

Outro empecilho é político. Assessores do Planalto lembram que setores do PT e da oposição poderão questionar a medida, apesar de ela ser positiva para injetar mais recursos na Infraero. Temem que esses setores acusem o governo de querer privatizar a estatal que controla os aeroportos brasileiros. Integrante da CPI do Apagão Aéreo, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) admite que não existe uma opinião formada dentro da bancada ou no partido sobre a questão. Mas adianta que, pessoalmente, não acredita ser essa a melhor saída no momento. Aviação civil é um setor estratégico e, em nosso entendimento, deve estar centralizado nas mãos do governo .

O petista lembra que, se existe escassez de recursos para investimentos, o governo poderia recorrer ao regime de concessões ou às Parcerias-Público-Privadas (PPPs). Se você abre o capital de uma empresa, ela passa a ter que buscar lucro, para atender a demanda de seus acionistas , reforçou Zarattini. Se isso acontecer, só haverá investimentos nos aeroportos do Centro-Sul, jamais em regiões deficitárias , acrescentou o parlamentar.

Outra mudança necessária é tornar a Infraero atraente aos investidores. Para isso, ela precisa passar por um processo de governança corporativa, com uma gestão mais profissional , confirmou um integrante do governo. Mas alterações na estatal só acontecerão após a substituição de Waldir Pires no Ministério.

Ontem, cresceu mais ainda o nome de Paulo Bernardo como novo ministro da Defesa. Ele é hábil, tem confiança do presidente, bom negociador e tem todas as condições de implementar com rapidez as medidas que o setor necessita , assegurou um ministro próximo do presidente.

O governo também deve incluir o Ministério da Justiça no rol de Ministérios que compõem o Conselho de Aviação Civil (Conac). Ontem foi publicado no Diário Oficial o Decreto Presidencial incluindo o ainda ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, no Conac. (Paulo de Tarso Lyra | Valor Econômico).

Notícias relacionadas