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Expressão Corporal

09/01/2013


JP recebe o projeto Arte no Canteiro

Teatro

 Estreia em João Pessoa, nesta quarta-feira, 9, às 16h30, o projeto Arte no Canteiro. Esta semana o projeto permanece no Centro de Convenções, com sessões na quinta, às 16h30 e na sexta, às 10h.

Depois da temporada em João Pessoa o projeto, que leva teatro aos canteiros de obra para falar de segurança do trabalho, segue para a região de Sousa. Essas três áreas são as que mais concentram construções no Estado. Só na Paraíba, a estimativa do Sesi é atingir um público de 30 mil pessoas em quatro meses e meio de atuação.

Sobre o projeto Arte no Canteiro

A rotina de trabalho pesado nos canteiros de obras de três estados brasileiros deve ficar um pouco mais leve. Por um momento, equipamentos de proteção como luvas, botas, capacetes, além de tijolos, guincho, vergalhões e outros materiais presentes no dia a dia dos operários da construção civil deixarão de ser somente instrumentos de trabalho e proteção para se tornarem personagens de uma divertida, e curiosa peça teatral.

De forma lúdica, as ferramentas ganharão vida no palco e desempenharão a função de protagonistas das várias histórias. Essa é a proposta do projeto Arte no Canteiro, patrocinado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi). A iniciativa se vale do teatro de objetos para difundir saúde e segurança no trabalho, evitar desperdícios de tempo e materiais e estimular a educação ambiental. As apresentações, no total de 380, acontecem nos próximos meses, em Minas Gerais, na Paraíba e no Mato Grosso do Sul.

Segundo Lina Rosa Veira, diretora de criação e idealizadora do projeto, levando arte ao ambiente de trabalho e combinando humor, ação, criatividade e informação, estes operários receberão educação de modo leve e espontâneo. “Nossa proposta é conscientizar, educar e divertir a partir dos objetos da indústria que fazem parte do repertório diário do trabalhador da construção civil. Um pouco como a palavra geradora de Paulo Freire", explica.

A iniciativa do Sesi se deu a partir da percepção e preocupação com o aumento do número de acidentes com os trabalhadores nos canteiros de obras, já que este número é proporcional ao crescimento do mercado da construção civil, que se encontra em um bom momento – e é o setor que mais emprega no País.

Os problemas de segurança encontrados diariamente nos canteiros são tratados na peça com um enfoque que, mesmo pautado em normas técnicas, privilegia uma abordagem mais humana e divertida dos conteúdos. “Personagens criados a partir de objetos utilizados na construção civil, como uma desempenadeira, um balde, um carrinho de mão, uma caçamba e uma pá, encenam uma série de situações que levarão os operários a refletir sobre a segurança em suas próprias rotinas de trabalho”, diz o diretor do espetáculo, Osvaldo Gabrieli.

Também serão focadas questões como a utilização dos equipamentos de proteção individual (EPIs) e o manuseio dos materiais dentro da obra. A ação busca motivar e instalar a mudança de comportamento e combater os principais problemas presentes nesta área de trabalho, focando a saúde do trabalhador da construção civil, o controle ao desperdício de materiais e a questão do cuidado com o meio ambiente.

Questões mais delicadas, como o alcoolismo, também serão abordadas nas encenações. “O personagem balde bebe durante o almoço e provoca uma grande confusão, expondo seus companheiros de trabalho e a si próprio a uma série de riscos em função do efeito do álcool”, detalha Gabrieli. Aquilo que na vida real levaria a uma demissão por justa causa, na peça é elaborado de forma bem humorada, no sentido de se estabelecer um ambiente propício a persuasão dos espectadores sobre os malefícios causados pelo consumo de álcool no ambiente de trabalho.

O risco de morte e de prejuízos físicos irreparáveis são, sem dúvida, as principais consequências. Mas há também as perdas materiais e de tempo, já que o trabalho executado de forma inadequada altera e atrasa o cronograma da obra.

As peças acontecerão em palco diferenciado, composto por estrutura metálica em formato de andaime. No centro, um guindaste de construção transporta os atores, suspensos por cabos de aço, em performances marcantes, circulando todo o espaço cênico disponível. Os trabalhadores têm como arquibancada baldes típicos da construção. Os melhores recursos estéticos, sonoros, de conteúdo, segurança e iluminação fazem parte de cada espetáculo, com cerca de 30 minutos de duração, realizados no início de cada turno de obra.