Investigação aponta que Roberto Santiago operou compra do mandato de Luceninha e negociava contratos públicos em benefício próprio, em Cabedelo

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Detalhes da prisão foram relevados em entrevista coletiva (Foto: Ângelo Medeiros)
Detalhes da prisão foram relevados em entrevista coletiva (Foto: Ângelo Medeiros)

Por Ângelo Medeiros / Portal WSCOM

 

O empresário Roberto Santiago, preso preventivamente durante a terceira etapa da Operação ‘Xeque Mate’, na manhã desta sexta-feira (22), em João Pessoa, operou diretamente na suposta compra do mandato do ex-prefeito Luceninha, no município de Cabedelo, e integrou o núcleo financeiro de organização criminosa montada durante a gestão do sucessor Leto Viana. As informações foram reveladas durante entrevista coletiva promovida na sede da Polícia Federal.   


A ação da Polícia Federal em parceria com o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado do Ministério Público da Paraíba (Gaeco/MPPB), com o auxílio da Controladoria Geral da União (CGU), teve o objetivo de desarticular um esquema criminoso de contratos de manejo do lixo e fraudes licitatórias na Prefeitura de Cabedelo. As investigações envolvem a empresa de concessão de limpeza urbana, Light e a copiadora Copy Line, que prestam serviços a edilidade. Foram executados um mandato de prisão, de Roberto Santiago, e 11 de busca e apreensão, realizadas em João Pessoa, na Paraíba e também nos municípios de Parnamirim e Mossoró, no Rio Grande do Norte.

 

De acordo com o delegado federal Fabiano Emídio Lucena, o foco temporal da investigação teve início no ano de 2014, logo após a suposta compra do mandato do ex-prefeito Luceninha, que renunciou no final de 2013, e transcorreu durante toda a gestão do seu sucessor, o ex-prefeito Leto Viana, preso na primeira fase da Operação ‘Xeque Mate’.       


PRISÃO


Sobre a prisão preventiva do empresário Roberto Santiago, o promotor Rafael Linhares revelou que ele é integrante do núcleo financeiro da organização criminosa que operou no município de Cabedelo, durante a gestão de Leto Viana. “A participação dele não está restrita ao episódio de hoje. Ele já foi objeto de duas denúncias, aqui é apenas o desdobramento de uma operação que iniciou no ano passado. Seguindo as denúncias, em parceria com a Polícia Federal, já se contabiliza hoje um total de quatro denúncias. E, essa provavelmente será a quinta”, pontuou o promotor.

“O comportamento criminoso vem desde a gênese do mandato do ex-prefeito Leto Viana, que desaguam nessas novas descobertas, mostrando que, além dessa assunção do mandato de forma extremamente espúria, ele [Roberto Santiago] continuou se servindo da Prefeitura em benefício próprio até culminar com um depoimento que revela uma possível tentativa de cooptação de uma pessoa para não testemunhar”, complementou o delegado Fabiano Emídio.

 

COMPRA DO MANDATO


Ainda de acordo com Rafael Linhares, representante do Ministério Público, Roberto Santiago buscou, através da participação no esquema fraudulento, recuperar valores investidos na suposta compra do mandato do ex-prefeito Luceninha. “Quem dá algo, quer algo em troca, seja de que forma for, se por meio de concessões ou recebimento de vantagens ilícitas traduzidas em dinheiro, atuações privilegiadas com algum impacto na economia, e isso precisa ser explorado, disse.


O delegado Fabiano Emídio Lucena explicou que em diálogos interceptados durante o processo investigatório, ficou claro que o empresário negociava com terceiros o contrato de concessão de limpeza urbana do município de Cabedelo. “Há diálogos que foram captados e evidenciam essa comercialização, ou melhor dizendo, esse oferecimento, para o contrato de lixo com terceiros em benefício próprio”, disse.

 

MESMO PRESO, LETO CONTINUOU OPERANDO

 

Ainda de acordo com os representantes do Ministério Público, o ex-prefeito Leto Viana, mesmo encarcerado, ainda teria utilizado de laranjas para operar esquemas de desvio de recursos públicos e na tentativa de inibir os rastros da organização criminosa, alvo da investigação.


“Muito se falou em torno desse processo de simulação, de ocultação de bens e imóveis em nome de Leto e de terceiros. O que a gente observou é que determinadas pessoas começam a entrar também nesse processo de lavagem, meio que fornecendo seu nome para se passar por proprietário desses bens. É interessante se observar que uma terceira pessoa que assume a titularidade de um bem, e assume isso, está cometendo o crime de lavagem de dinheiro”, disse Rafael Linhares. 


CONTINUIDADE DOS CONTRATOS


Apesar da continuidade dos contratos com as duas empresas alvo da investigação, Light e Copy Line, com a Prefeitura de Cabedelo, o delegado federal Fabiano Emídio Lucena, revelou ainda que não há indícios de atividade da organização criminosa na gestão interina do atual gestor Vitor Hugo (PRB).


Participaram ainda da coletiva o delegado federal Vitor Moraes Soares e o promotor de Justiça, Manoel Cacimiro Neto.