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20/06/2018


OS DESAFIOS DA API

Novas propostas buscam inovar a API

A Associação Paraibana de Imprensa está a caminho de nova eleição, na segunda quinzena do próximo mês de julho. É uma instituição histórica de nosso Estado. Por lá passaram vários importantes nomes da política, do jornalismo, do mundo artístico e cultural, empresarial e cada um deixou sua colaboração e enriqueceu os debates.                                                                            De uns tempos pra cá, especialmente após a ditadura militar e a redemocratização do país, API perdeu o impacto de antes, de quando foi cenário de valiosas decisões, de protestos de acirradas lutas. E a Associação perdeu também o bonde da história para tornar-se uma entidade social, criando eventos amistosos e atualizando a discussão em torno do próprio jornalismo, que atualmente sofre o impacto do advento das novas tecnologias. Desemprego, adaptação às novas ferramentas, novas formas de trabalho e comunicação, averiguação da notícia, as empresas, o indivíduo diante da nova conjuntura. Ou seja, como diz o poeta, uma realidade quase morta.               Mas a API, dado seu histórico de lutas, reaparece agora com a proposta de duas chapas que concorrem ao pleito de julho, oportunidade de enquadrar-se aos moldes atuais. João Pinto, atual Presidente, e que vem há nove anos ocupando e buscando perpetuar-se no cargo, é candidato à reeleição. Segundo ele, porque tem ainda alguma coisa para fazer. O quê, mesmo?
Sandra Moura, atual vice-presidente, é a opção dissidente em chapa muito bem composta com nomes que trazem a esperança, a proposta de romper com os novos tempos e colocar novamente a API na vanguarda. Sua candidatura conta com o apoio de valiosos e inteligentes nomes. Com ideias para buscar resgatar o tempo perdido e avançar, evoluir, reerguer a API como esta merece, colocando-a em lugar de destaque e novamente sendo vanguarda. E como fazer isto?
Logicamente, não se operam milagres. A gestão eleita terá o compromisso de realizar a árdua tarefa de limpar de seus quadros centenas de atuais filiados, incluídos por esta última gestão, pessoas que sequer passaram por uma avaliação de conselho, por aprovação, como manda o estatuto. Pessoas que não atuam no jornalismo, nem em outras das categorias que compõem o quadro de associados. Pessoas não habilitadas a se associar, mas que possuem a carteirinha gentilmente cedida sem o menor critério pelo atual presidente, imagina-se, visando uma possível troca por votos para manter-se no cargo.
Outra questão de sobrevivência é relacionada à manutenção da Associação e à receita atual. O presidente, em três anos de gestão, sequer convocou uma única reunião de diretoria para prestar contas, repito, como manda o estatuto. Sequer interessou-se em reunir os diretores para tratar assuntos pertinentes à Associação, ouvir propostas, planejar, criar estratégias, inovar. E posso afirmar que foram inúmeras as vezes que levamos até ele ideias e propostas de ação cultural, social, nas diversas áreas também como esportes, comunicação e outras.
Está lá uma API que serve a um pequeno grupo reunido para apenas tomar cafezinho ou uma cervejinha e matar moscas. Uma gestão lamentável e pífia. Pior, agora, com o agravamento de denúncias em torno da prestação de contas e outras ações.
A API precisa urgentemente reerguer-se. Respeitar o quadro de veteranos que pode ofertar suas experiências aos mais jovens, aos que saem agora das universidades. Cuidar de um acervo, criar espaços de convivência inteligente. Aproximar gerações, atrair novos associados, criar cursos em parceria com grandes instituições, realizar eventos, buscar investimento, atualizar a comunicação, dialogar com o rico potencial do interior do estado, abrir portas e muito mais. Precisa de uma gestão disruptiva.
Não dá mais pra aceitar uma API onde versam pela sala piadinhas desrespeitosas. Uma API com cara de homofóbica, misógina, racista, omissa, uma associação sem transparência, uma casa obsoleta entregue ao Deus-dará. Não dá mais para segurar. É preciso urgente uma API plural, que nos represente, que venha com uma retomada de vanguarda para todas e todos.

Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing. g.sabino@uol.com.br

 

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