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27/07/2018


A IMAGEM NAS ELEIÇÕES

Eleitores sairão do mundo das promessas prometendo surpresa nas urnas

Conversamos com um candidato a deputado federal no Estado. Perguntamos o valor médio do custo de uma campanha hoje. Ele nos responde que vai depender do perfil ideológico do candidato. Enquanto há outros que se valem do recurso disponível.

Nesse momento nos chega informação das atuais pesquisas colocando Lula, preso político, como o presidenciável que se mantém à frente com larga margem sob todos os concorrentes e cenários. Em seguida, bem distante, Bolsonaro, e lá no final Alckmin.

Este ano, afirmam os especialistas em análise política, teremos uma das mais difíceis eleições de todos os tempos. A falta de credibilidade por parte do eleitor que não confia mais no mundo das promessas. A perturbadora imagem da corrupção generalizada nos altos poderes, e como não bastasse um curto tempo de dois meses para campanha e promoção em rádio e televisão. Ainda, a força virtual da comunicação via internet, esta com seus fakes news e incapaz de deter possíveis estragos.

A Ficha Limpa de raros candidatos pode ser moeda, objeto de valor, embora de forma generalizada tenha-se uma imagem arranhada, distorcida de boa percepção por parte do eleitor.

E aqui não se trata apenas de uma questão de marketing, de reverter imagem com propostas técnicas ou oportunismos. Enquanto há ainda o curral de grande massa que vende o voto em troca de migalhas, há por outro lado a realidade pontuando na boca de urna, colocando lá a sua verdade. E nesse momento funciona o sentimento maior, a dor da miséria, a fome, a necessidade, as demandas todas do cidadão. Ali estará o voto representando a revolta, as queixas, os desejos impressos no inconsciente coletivo.

Acabou o tempo de candidatos bonitos, bem vestidos, ricos, apoiados por grandes nomes. Muito destes estão hoje impedidos de caminhar tranquilos pelas ruas de suas cidades, de ir a um restaurante, assistir a uma partida de futebol em um estádio qualquer, de circular; sob risco de serem apedrejados, humilhados, agredidos. Muitos, acreditem, sumiram até do convívio familiar. É uma vergonha o perfil da maioria. Falta de formação educacional, de moral, de honra, de valores éticos.

A maioria dos candidatos terá grande surpresa com o resultado das urnas. Não há um indicador possível de avaliar suas possibilidades, uma bússola indicando norte ou sul. É preciso ter e investir muito mais que apenas dinheiro. É preciso inovar, trabalhar um discurso de ideias que não apenas essas repetitivas tentando atingir os despreparados. Há, no subconsciente coletivo, inteligência que não se deve subestimar. Mais que isso, há demandas de ordem social, econômica. Falta de moradia, saúde, emprego, comando organizado de crime e uma violência com índices indizíveis, etc. Há falta de fé e felicidade. Há dúvida com relação ao cenário exposto.

A imagem dos candidatos nessas eleições é confusa. O eleitor vai precisar decidir na hora de votar. Destacam-se aqueles candidatos com histórico de prestação de serviços, de lutas e conquistas, honradez, seriedade. Nomes que fincaram matrizes positivas, fidelizando suas passagens e ações na memória das pessoas. Homens capazes de imprimir algo positivo. De liderar, de chegar perto, inovar, falar de soluções, de um futuro sem iludir. Olho no olho. Basta de promessas frágeis, candidatos de gaveta, de perfil efêmero.

A sociedade se prepara para uma resposta talvez nunca imaginável na história das eleições e da democracia. E mais uma vez, nesse momento nos chega notícia que a maior rede social do mundo, o Facebook, despenca mais de 20% na bolsa de valores, resultado da divulgação de escândalos relacionados à invasão e monitoramento de dados dos usuários que a partir daí decidiram por uma retirada em massa de milhares de assinantes. São US$16 Bilhões de dólares de perda no patrimônio, obrigando o Facebook a reagir para reabilitar-se no mercado. Um fato que mostra a reação de insatisfação quando as pessoas se sentem lesadas.

Nestas eleições não será bastante cuidar da imagem. O candidato terá que ir além do mundo das promessas e cair na real.

Gil Sabino é jornalista e gestor de marketing. g.sabino@uol.com.br

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