Educador reconhecido, Damião Cavalcanti explica atrasos em curso no Ministério de Educação

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damião ramos
Foto: Reprodução
 O secretário de Cultura da Paraíba e presidente da Academia Paraibana de Letras (APL), professor Damião Ramos Cavalcanti, analisa em novo artigo os rumos da educação no Brasil a partir das diretrizes impostas pelo Governo Bolsonaro a partir do novo ministro da Educação, Abraham Weintraub.
Damião comenta sobre a visão do Governo para a pasta, a educação domiciliar e a importância do ensino de filosofia para o avanço do país.
Leia: 
Falou sem pensar ou filosofar
 
          Poucas coisas mudam com a saída do colombiano Vélez (originário da Andaluzia), substituído por Weintraub (cacho de uva), no importante Ministério da Educação. Saiu o que tinha a missão de batalhar ideologicamente junto às escolas, às aulas, aos livros, aos manuais e aos seus mais próximos assessores para passar o comando ao predileto de Paulo Guedes, ora senhor das finanças brasileiras. O “novo” ministro é velho no ramo e fiel ao “mercado financeiro”. Terá a tarefa de “diminuir os gastos com a educação”, inclusive com a de “reformar” as determinações constitucionais de recursos financeiros, obrigatórios à educação. E também para isso, vai capitanear a legalização do “ensino domiciliar”: vestir o que era familiarmente espontâneo com roupa do formal ou, em outras palavras, fazer com que as crianças não precisem de escola pública e gratuita.
          No “ensino domiciliar”, as filhas meninas e os filhos meninos serão estudantes na cozinha da sua casa; terão aulas ao lado do fogão; aprenderão matemática, português e outras matérias com o pai ou com a mãe, caso eles tenham tempo e instrução suficientes para isso. Assim, de repente, muda-se o sentido do nosso grito contra a violência e a corrução, que ainda ecoa: “O nosso remédio social e prioritário é a educação”. O “novo” ministro é a peça que faltava ao sistema de privatização da rede pública de ensino, cujas economias se somarão, assim é o desejo, às poupadas pelas subtrações da previdência e pelo entreguismo das nossas riquezas petrolíferas. O ministro se formou submergindo no mar dos números; é peixe que sabe nadar nessas águas, sobressaindo-se da profundidade, ora estirando o pescoço por um dos orifícios do oito, ora saindo de corpo inteiro pelo buraco do zero, para diminuir os já escassos 120 bilhões de reais planejados para a difícil responsabilidade de educar o povo brasileiro, nas suas apropriadas faixas etárias à alfabetização e ao ensino fundamental.
          Como não bastassem tantos pronunciamentos “sem sentido”, recentemente argumentou uma diatribe, discriminando toda a região Nordeste: nós, os nordestinos, não deveríamos estudar, aprender e ensinar Filosofia, tampouco Sociologia. “Fa pietà!”. Sua ideia é reduzir nossas crianças e jovens a uma imposta vocação rurícola, desconhecendo ele também que, aqui, até na vida do campo, nos mais longínquos pés de serra, encontram-se sábios e filósofos. Aprendi pelos meus estudos e reflexões que foi da Filosofia de onde partiram outros conhecimentos, outras ciências; porque é dela de onde saem o “por que” interrogativo e o “porquê” esclarecedor das coisas, dos fatos e dos fenômenos desconhecidos. Por tais razões, a Filosofia fundamenta o explicativo de si própria, como o da cosmologia, da física, da matemática, da antropologia, da sociologia, do direito, da estética e, sobretudo, o da educação.
                As faculdades de educação têm, em sua grade curricular, a Filosofia da Educação, como seu principal fundamento. Menosprezar essa realidade é uma opinião estapafúrdia, que só pode ser gerada por uma mentalidade que ignore o que seja a Filosofia. É lamentável que tal ideia parta de quem é alçado a liderar os educadores, as pedagogas e os pedagogos do país. Pois, quem educa filosofa e quem filosofa educa. Enfim, para não falar sem pensar ou filosofar, a leviandade ou a mediocridade só deve ousar refutar a Filosofia, quando souber Filosofia…
          
 
Damião Ramos Cavalcanti