Delegados da Polícia Civil se unem a paralisação de agentes e escrivães; categorias cobram salários atrasados

Delegados da Polícia Civil do RN decidiram iniciar paralisação durante assembleia da Adepol — Foto: Pedro Vitorino

Delegados da Polícia Civil do Rio Grande Norte se uniram a agentes e escrivães e anunciaram que também estão paralisando as atividades. A decisão foi tomada em assembleia na Associação dos Delegados da Polícia Civil do RN (Adepol-RN) na tarde desta quinta-feira (27). As categorias cobram o pagamento do 13º salário de 2017 (atrasado para quem recebe mais de R$ 5 mil) e uma definição sobre o salário de dezembro e o 13º deste ano.

Os delegados decidiram que somente atenderão a flagrantes, e em três pontos no estado. “Vamos manifestar apoio à paralisação, até porque é justa. Porém nós vamos atender também o pleito da sociedade, que é abrir três pontos de flagrantes: Caicó, Mossoró e Natal. Mas registros de boletim de ocorrência, atendimento na delegacia e investigação, não”, afirma a delegada Paoulla Maués, presidente da Adepol.

Agentes e escrivães cruzaram os braços na manhã da quarta (26), quando deram início ao movimento denominado ‘Operação Zero’. À noite, fizeram uma reunião com o governo, mas não houve acordo. Já na manhã desta quinta (27), em nova reunião, coube à secretária de Segurança Pública, Sheila Freitas, dizer que o Executivo pretende pagar, nesta sexta (28), o 13º de 2017 para os policiais da ativa. Contudo, os policiais rejeitaram a proposta e decidiram continuar a paralisação.


Salários atrasados

O governo do estado não pagou o 13º salário de 2017 dos servidores públicos que ganham acima de R$ 5 mil, o que inclui a maior parte dos servidores da segurança pública. Além disso, ainda não divulgou quando vai pagar os salários de dezembro nem o 13º deste ano.

No dia 20 de dezembro, o governador Robinson Faria anunciou para o dia 28 o pagamento do 13º salário de 2017 para os policiais militares e Corpo de Bombeiros, mas deixou as demais categorias de fora.


Delegacias fechadas

Segundo o Sindicato da Polícia Civil do RN, a paralisação afeta o funcionamento de mais de 95% das 160 delegacias da Polícia Civil no estado. “Só estamos recebendo os casos de flagrante. Em Natal, os boletins estão sendo feitos no Comando Geral da PM. E, no interior, apenas nas delegacias regionais de Caicó e Mossoró”, ressaltou Nilton.

Em Natal, a Polícia Civil possui 15 delegacias distritais e 18 especializadas. Todas, ainda de acordo com o presidente do Sinpol, estão fechadas e com os telefones cortados por falta de pagamento. A Delegacia Geral da Polícia Civil (Degepol) confirma o corte dos telefones.

Até o momento não há, nem por parte do Sinpol nem por parte da Polícia Civil, estimativas de quantos boletins de ocorrência deixaram de ser registrados desde o início da paralisação.


Boletim online

Pela internet, é possível o cidadão registrar BOs em casos de documentos perdidos ou furtados. Contudo, em razão da demanda, o processo está demorado, ressalta o Sinpol. “Quando a pessoa registra o BO online, é preciso que um policial faça a homologação do registro. Esse policial continua trabalhando, mas como a demanda aumentou em razão de as delegacias estarem fechadas, esse procedimento está bem lento”, ressaltou Nilton.


Direito de greve suspenso

Presidente do Sindicato da Polícia Civil do RN, Nilton Arruda disse que a categoria não considera o movimento de paralisação uma greve, uma vez que o direito de greve para os policiais civis foi suspenso pelo Supremo Tribunal Federal desde abril de 2017. Desse modo, no entendimento do Sinpol, apenas durante uma greve o percentual de 30% dos serviços em atividade deveria ser mantido.


Pedido de irregularidade

A Delegacia Geral de Polícia Civil (Degepol) quer que a Justiça reconheça a irregularidade da paralisação. O caso foi designado em caráter de urgência ao procurador Luis Marcelo, mas ele o recusou e pediu redistribuição do processo, através de sorteio, entre seus colegas. No despacho, o procurador escreveu: “Não me sinto à vontade para combater o movimento”.


Por G1/RN