Cássio nega disputa pelo PSDB nacional, evita falar sobre eleição em CG e deixa futuro político em aberto: “Não sei se é um adeus”

Cássio concedeu entrevista à 98 FM (Foto: Assessoria)

Por Ângelo Medeiros / Portal WSCOM

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) abriu o coração em entrevista concedida na tarde desta quarta-feira (26), à Rádio 98 FM, e fez várias revelações sobre o seu futuro após deixar o mandato de senador da República, pelo qual não foi reeleito, em 1º de fevereiro de 2019. Na oportunidade, o tucano negou interesse em disputar o comando partidário nacional do PSDB. Ele evitou ainda falar sobre a eleição municipal de 2020, em Campina Grande, onde é cotado para substituir o aliado e prefeito Romero Rodrigues (PSDB).

Durante a entrevista, Cássio confirmou que está de mudança definitiva para Brasília (DF), onde voltará a exercer a advocacia privada após 32 anos de mandatos eletivos sequenciais. Ele afirmou que também trabalhará prestando consultorias empresarial e relativa à tramitação de processos legislativos no Congresso Federal. “Repassarei um pouco daquilo que vivenciei e acumulei como experiência ao longo da minha vida pública”, disse.

 

PSDB Nacional

O senador negou que esteja na disputa pela Presidência Nacional do PSDB. Segundo ele, o que existe é a lembrança de alguns colegas de partido pelo seu nome, mas que não resultará em interesse oficial pelo cargo. “Tem a lembrança do meu nome, ao lado de outros correligionários como o do senador [Antonio] Anastassia, do deputado Bruno Araújo, mas não está nos meus planos, porque decidi, de fato, a partir de fevereiro, ao final de meu mandato, começar uma nova etapa no setor privado”, ponderou.

 

Ele negou qualquer tipo de atrito com o governador eleito de São Paulo, João Dória, “amigo fraterno de 30 anos”. Segundo Cássio, o colega na condição de governador eleito de São Paulo, tem direito a ter voz ativa nas discussões que antecedem ao processo de escolha do próximo comando nacional do PSDB.

“O fato é que não existe confronto político algum com João Dória, pelo contrário, há um alinhamento e uma compreensão que tenho de que quem ganha a eleição, leva. Quem ganha a eleição, como ele ganhou, leva. É natural que ele passe a ter uma participação maior no comando partidário. Ninguém na condição de governador de São Paulo pode deixar de ser ouvido ou respeitado. Não haverá conflito ou confronto”, pontuou.  

Disputa pela Prefeitura de Campina Grande, em 2020

 

Outro ponto negado por Cássio, nesse momento, foi o interesse pela disputa da Prefeitura Municipal de Campina Grande, em 2020. Segundo o senador, precipitar a discussão eleitoral é um desserviço à Campina Grande e a administração de Romero Rodrigues (PSDB).

“Não admito conversar sobre esse tema, pois, involuntariamente estaria precipitando o processo sucessório. Abreviar o final do mandato de Romero é ruim para Campina Grande, é ruim para João Pessoa, se fizéssemos o mesmo em relação ao mandato do prefeito Luciano Cartaxo (PV) ou em qualquer outra cidade. Vamos deixar essa discussão para o ano que vem, após decorrido um ano dessa minha etapa nova de vida. O tempo vai responder”, comentou.

 

Futuro político

Por fim, Cássio Cunha Lima lembrou das raízes familiares, enaltecendo as figura do pai, Ronaldo Cunha Lima, com quem aprendeu que a política é “um sacerdócio” e de sua mãe, Glória Cunha Lima. Ele destacou os mais de 30 anos dedicados ao serviço público e ao cuidado e zelo pelas pessoas, sobretudo, aos mais necessitados.

“Foi com meu pai que aprendi que a política é um sacerdócio, não um negócio. Sempre fiz a política me devotando as pessoas. Não enriqueci, não tenho patrimônio ilícito, não roubei, apesar das acusações todas que são feitas, pois, basta ver meu imposto de renda e ver o patrimônio que tenho. A política pra mim foi um sacerdócio, onde procurei servir as pessoas, ajudando os que mais precisam, contribuindo com a melhoria de vida das pessoas e fiz isso por devoção por 32 anos”, disse,

 

Questionado sobre o futuro político, o senador Cássio preferiu não gerar expectativas e não descartou um adeus definitivo ao serviço público e a disputa por mandatos eletivos. “Talvez tenha chegado o momento de cuidar um pouco da minha vida pessoal, da minha vida privada. Não sei se nesse instante é um adeus ou um até breve, o futuro responderá. Eu interrompo essa fase da minha vida com a consciência absoluta de um dever cumprido, servi a Paraíba com dignidade, com honra e honestidade”, concluiu.