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Política

15/09/2019


Blog do WS: Ricardo invoca Dom Quixote, mas seu estilo atrai a solidão de Zé Américo

O jornalista e analista Walter Santos comenta neste domingo a atual crise política entre o governador João Azevêdo e o ex-governador Ricardo Coutinho. Walter faz um excelente contraponto entre a conjuntura política paraibana e a literatura,  e salienta a importância do discernimento para avaliar os desdobramentos da situação recente.

 

Confira :

 

RC romanceia a crise se auto intitulando Dom Quixote, mas sem querer lembra a solidão de Zé Américo

 

A Paraíba e suas crises, a exemplo da atual “tempestade política desnecessária” entre o governador João Azevêdo e o ex-governador Ricardo Coutinho, acaba se nutrindo na interpretação pela Literatura, agora puxada pela engenhosidade de RC se auto intitulando novo Dom Quixote mesmo atraindo para si o saldo regionalista de José Américo de Almeida e sua solidão, “A Bagaceira”, “A Paraíba e seus problemas”.

Esta é a nova fase à lá Cervantes/Zé Américo de RC puxando para a atualidade o desempenho de dois grandes paraibanos tomados de mesma força para dentro e de reconhecimento nacional, para fora, com seus estilos de amados e odiados.

 

A TERCEIRA LÂMINA

O que Zé Ramalho, outra referência paraibana extraordinária, chamaria de “Terceira Lâmina” – “ é aquela que fere e virá mais tranquila “, a nova terceira fase de Ricardo o faz se sentir neste processo de romantização muito além como a intuir um apelo à guerra. É a melhor tática? Pelo que diz em Quixote é seu desejo maior.

 

Só que esta nova fase é sequenciada, inicialmente, na primeira fase com o flagrante de enfrentamento com João Azevedo, sua cria/sucessor, a classe política tratada como retrógrada e o povo em si, a tal sociedade organizada sem obter a resposta favorável da forma pretendida.

Noutro instante seguinte, o seguidor de Dom  Quixote tratou a segunda fase distribuindo  gestos de conciliação com João Azevêdo, mas logo após  retomou os ataques pra valer.

 

MUITO ALÉM DE CERVANTES

Nos últimos dias, o ex-governador embarcou na fantasia de Dom Quixote, agora romântico e se sentindo na luta contra os moinhos de vento, se considerando incompreendido a serviço de uma causa impossível e utópica, mas que pode ser alcançada com sua coragem e seu desprendimento.

 

A SEMELHANÇA COM ZÉ AMÉRICO

Não se pode identificar semelhanças ideológicas claras entre RC e ZA, pois neste campo era opostos, mas os dois são personagens fortes na vida política da Paraíba com alta repercussão externa, em nível nacional, e efetivamente no Estado.

Mas ao que parece, os dois conduzem consigo o sentimento de quem se apresentam mais temidos do que qualquer outra coisa, porquanto no uso da caneta e do poder impuseram estilo a fomentar ódio guardado para exposição em tempos futuros.

Ainda hoje lembro, menino no bairro da Torre, que quando citava Zé Américo algumas pessoas mais velhas batiam três vezes na madeira como ato de reprovação e ressentimento.

Guardadas as proporções, a crise criada pelo ex-governador tem produzido internamente no PSB, governo e sociedade um tanto deste sentimento ressentido forte, como querendo se rebelar nesta oportunidade pela forma de tratamento severo, rude, pelo ex-governador.

Zé Américo, o homem forte de Areia teve poder como poucos na história, era um intelectual respeitado, visionário incomum, criador da UFPB, etc, mas que, como Ricardo, tratava inimigo ou não na chibata.

Isto lhe fez se transformar no “Solitário de Tambaú”, embora morasse até os últimos dias no Cabo Branco, abrigando respeito e solidão pelo conjunto da obra.

 

SÍNTESE

Enquanto RC se prepara para nova fase da fantasia, ainda precisando identificar quem será o novo Sancho Pança, a história se apresenta com sinais de que pode até repetir o clássico literário com influência do mito paraibano.