Blog de WS: 20 anos depois da ACERVO, Centro Histórico amplia carências a exigir investimentos já

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O Blog do jornalista e analista político, Walter Santos, traz neste sábado (12) uma análise profunda sobre a situação real do Centro Histórico de João Pessoa que convive com a carência e necessidade urgente de novos investimentos por parte do poder público. 

 

Segundo WS, “a cidade de João Pessoa decididamente voltou-se na direção do mar deixando para trás todo o seu acervo Memorial de alto valor arquitetônico e econômico no Centro Histórico”.

 

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Confira na íntegra a análise do jornalista:

 

20 anos depois da ACERVO, Centro Histórico amplia carências a exigir investimentos já

A cidade de João Pessoa decididamente voltou-se na direção do mar deixando para trás todo o seu acervo Memorial de alto valor arquitetônico e econômico no Centro Histórico, porque a Burguesia já não quer mais conviver com sua história pelos becos e ruas exigindo atenção e políticas de reaquecimento pra valer, não só pontuais.

 

Esta é a síntese do que constatamos nesta sexta-feira de posse da nova diretoria do SEBRAE/PB em nova reunião na Associação Comercial da Paraíba, na Rua Maciel Pinheiro, expondo 20 anos depois da criação do ACERVO VIVO – Associação do Centro Histórico Vivo – que os problemas só aumentaram, mesmo com ações pontuais da Prefeitura de João Pessoa.

 

MUITO ALÉM DA SEGURANÇA E PAZ

Empresários, produtores culturais, artistas e moradores do Centro Histórico voltaram a se reunir para construir a retomada de um processo motivado pela reação à morte do ator Simão Cunha mas, muito mais além da questão da segurança e da paz, porque chegou a hora das autoridades tratarem de forma mais prioritária e séria as políticas de desenvolvimento humano e econômico da área.

 

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Todas as falas expostas na reunião da Associação Comercial liderada pelo economista Rafael Bernardino mostraram a urgente necessidade de se recriar o ACERVO VIVO para reconstruir a nova fase de crescimento da cidade de João Pessoa a partir do Centro Histórico, hoje decadente.

 

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A HISTÓRIA E AS NECESSIDADES URGENTES

Tomando por bade as últimas décadas do CH, o atual prefeito Luciano Cartaxo tem realizado ações pontuais de importância, como o Vila Sanhauá, recuperação do Conventinho e do Hotel Globo (já se deteriorando), das praças João Pessoa, 1817 e Pavilhão do Chá, Casa da Pólvora – recentemente recuou da recuperação da Praça Dom Ulrico, etc, mas esse conjunto de ações foge da prioridade de um Planejamento abrangente de implantação de novas vocações econômicas e habitacionais consistentes pois assim poucos resultados reais se apresentam.

 

Pior é que, como há disputa entre a PMJP e o Governo do Estado, tal crise emperra as ações de impacto e de investimentos como fizeram Recife, Florianópolis e Lisboa, porque somente com reforço de políticas harmonizadas, poderemos construir nova fase real de desenvolvimento.

 

A rigor, a última grande ação de impacto no CH foi oferecida pela gestão de Cícero Lucena ao por fim ao Lixão do Róger, revitalizar a Praça Antenor Navarro, levar a sede do prefeito para o prédio dos Correios, realizar grandes eventos teatrais nas praças do Varadouro, mas sobretudo garantir Cultura no local.

 

PARA ONDE VÃO OS U$ 100 MILHÕES?

Luciano Cartaxo está às vésperas de receber U$ 100 milhões sem que até a presente data exista uma única reunião do grupo de trabalho com o BID – e isto já passaram 5 anos – envolvendo o Centro Histórico de João Pessoa.

 

Infelizmente, a área mais importante da cidade está ausente e fora dos investimentos porque, ao invés de abrigar a grande mobilização da cidade envolvendo empresários, universidades, mídia digital, TI, artistas, investidores realizada ano passado (2018) oferecendo projeto para instalar um Polo de Inovação, Cultura e Turismo no local, ele simplesmente arquivou.

 

Recebeu o projeto, se comprometeu com todos a implantar, mas de última hora resolveu atender a interesses localizados querendo levar investimentos para Mangabeira quando a prioridade é o Centro Histórico já.

 

E AGORA?

Ainda há tempo do prefeito realinhar os investimentos do BID envolvendo o Centro Histórico, da mesma forma que o governador João Azevedo precisa dizer o que pensa, quer e vai fazer para evitarmos a falência de vez de nossa mais importante base territorial.

 

Precisamos acordar para a miopia amplificada pelo descompromisso com a história é o futuro.

 

Não haverá desenvolvimento sustentável com arranha céus na beira-mar matando nossa origem.

Lisboa é um grande exemplo de como se reinventar.

UMA QUESTÃO DE HISTÓRIA REAL

Quando deixamos a UFPB, SEBRAE e UNIMED NNE para construir a WSCOM em 1999, no prédio da Praça Dom Ulrico, lideramos um movimento na Associação Comercial para revitalizar o Centro Histórico envolvendo sociedade organizada e Governos / agentes públicos.

Fruto de tudo isto surgiu a ACERVO VIVO, que hoje, 20 anos depois, não existe mais.

Agora é reconstruir para evitar o pior. Há chances, sim, de desenvolvimento com.inovacao, Cultura e Turismo por lá.