Notícias

Ensino de música pode melhorar relacionamento entre os alunos e o desempenho em

O objetivo da determinação não é formar músicos, mas sim com conhecimento da linguagem musical

No segundo semestre de 2011, entra em vigor uma lei que torna obrigatório o ensino de música nas escolas públicas e particulares do país.

O objetivo da determinação, no entanto, não é formar músicos, mas sim que os alunos adquiram o conhecimento da linguagem musical e ampliem sua formação artística, diz Yvelise Freitas de Souza Arco-Verde, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação.

Na escola estadual Romeu de Moraes (zona oeste de SP), o ensino de música já é usado como instrumento de inclusão social. As aulas incluem fanfarra, teatro, dança e até um coral de libras -em que os alunos "encenam" a música com as mãos.


Único deficiente auditivo da turma, Marcelo José da Silva Macedo, 14, conta que fez amigos no coral e que hoje se sente mais integrado.

"O colégio viu na música um bom elemento para unir os estudantes e despertar neles a vontade de permanecer no ambiente escolar, além de desenvolver talentos e liderança", afirma a diretora da escola, Rosângela Valim.

Outro aluno que sentiu a diferença que a música fez na sua vida escolar foi Antonio Manta Neto, 13, que toca bateria na escola de samba Águia de Ouro.

Antes visto como um aluno de temperamento difícil, seu comportamento mudou quando ele levou a música para a escola, em junho deste ano. "A diretora percebeu que eu gostava de tocar e me convidou para coordenar a banda da escola."

Todas as atividades são desenvolvidas com o apoio dos Parceiros da Educação, associação sem fins lucrativos que promove parcerias entre empresas e escolas da rede pública de São Paulo.
Fins sociais

Na rede privada, grande parte das escolas também usa a música com fins pedagógicos e sociais. "Trabalhar a música com diversas disciplinas e eixos temáticos explora as capacidades cognitivas dos estudantes. É um elemento a mais para desenvolver o indivíduo e sua relação com o outro", diz Gisele Milani, professora da Viva (zona oeste).

Nas aulas de ciências do 3º ano do fundamental, quando os rios são estudados, os alunos tocam instrumentos que reproduzem o som da água.

Melhoria da concentração e respeito em relação aos colegas são outros bons resultados originados pela musicalização nas escolas.

A professora Suely Lerner diz que, no colégio Dante Alighieri (zona oeste), a música é vista como uma linguagem para desenvolver a socialização, a memória, o raciocínio e a improvisação.

Essa última habilidade é colocada em prática, por exemplo, em um exercício em que um aluno começa a tocar um instrumento e os outros o seguem, um por vez, mantendo o ritmo da melodia que o primeiro iniciou.

O Que Diz A Lei


A lei federal n.º 11.769/ 2008 altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996)

A música se torna conteúdo obrigatório no ensino básico em todas as escolas públicas e privadas do Brasil
O conteúdo fará parte da disciplina de educação artística. A lei entra em vigor no segundo semestre de 2011

Secretarias apontam falta de professores com boa formação


A obrigatoriedade do ensino de música nas escolas, por um lado, trará melhoria na formação cultural do aluno. Mas, por outro, terá um obstáculo: a falta de profissionais capacitados para atuar nas salas de aula. O problema é apontado por Yvelise Freitas de Souza Arco-Verde, presidente do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação).

"A lei não obriga a especialização na área de música. Qualquer professor licenciado ou com algum conhecimento na área pode procurar a capacitação para atuar com artes dentro das salas de aula", pondera Denise Grinspum, gerente-geral do Instituto Arte na Escola.

Às vésperas de a nova lei entrar em vigor, o instituto, que capacita professores na área de artes, viu a demanda por seus cursos crescer. Para André Barreto, professor de música da escola Suíço-Brasileira (zona oeste), a proposta da lei é boa, mas deve haver discussões sobre como colocá-la em prática. "Não pode ser dado o jeitinho brasileiro no ensino da música. É preciso musicalizar o professor", diz ele.

Em sua tese de doutorado, a professora Iveta Maria Borges Ávila Fernandes, da Faculdade de Educação da USP, diz que o professor não deve só saber música mas sim saber ensinar música.

Dicas para receber bem o deficiente na escola


1- É preciso dar condições de acesso à pessoa com deficiência, tanto arquitetônicas, de sinalização e comunicação, quanto de material e equipamentos.


2- O currículo também deve ser acessível, de acordo com a deficiência.


3- As escolas devem ter professores com formação em educação especial e inclusiva ou qualificá-los para que eles adquiram esses conhecimentos.


4- O alunado com deficiência requer ainda a construção de redes de apoio para atender às suas necessidades em campos como os da saúde, da assistência social e do transporte.


5- De maneira democrática, a comunidade e a família devem participar do projeto da escola, contribuindo para melhorar o ensino.
 


notícias relacionadas