Um dos suicidas de Guantánamo 'seria libertado' - WSCOM

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Internacional

12/06/2006


Um dos suicidas de Guantánamo

Um dos três prisioneiros que se suicidaram na prisão militar americana de Guantánamo, em Cuba, estava prestes a ser libertado, embora não soubesse disso, segundo um advogado que representa alguns detidos.

O advogado Mark Denbeaux disse que o homem, identificado como o saudita Mani Shaman Turki a-Habardi al-Utaybi, estava entre os 141 prisioneiros que seriam libertados em breve.

Segundo Denbeaux, Utaybi não foi informado de que estava na lista dos futuros libertados porque autoridades americanas ainda não haviam decidido para qual país mandá-lo.

As autoridades determinaram que Utaybi, que era acusado de ser membro de um grupo militante banido na Arábia Saudita, fosse transferido para outro país e continuasse preso, mas não especificaram onde.

“Seu desespero foi grande o suficiente e na sua ignorância ele se matou”, disse Denbeaux.

O advogado enfatizou que os homens se mataram num ato de desespero e não para atrair atenção internacional, como sugeriu a subsecretária de Estado Colleen Graffy.

“Essas pessoas ouvem que terão 50 anos quando saírem de lá, que eles não têm nenhuma esperança de sair”, disse o advogado.

Graffy disse em entrevista à BBC no domingo que o suicídio triplo havia sido “uma boa medida de relações públicas para atrair atenção”, causando indignação de grupos de direitos humanos e autoridades européias.

Pressão européia

Grupos de direitos humanos também interpretaram o suicídio dos três detentos como uma medida de desespero e mais uma prova de que a base precisa ser fechada.

O relator das Nações Unidas para a Tortura, Manfred Novak, disse que os líderes europeus devem usar uma cúpula entre União Européia e Estados Unidos em Viena, na semana que vem, para pressionar pelo fechamento de Guantánamo.

Os Estados Unidos mantêm cerca de 460 prisioneiros em Guantánamo, que consideram suspeitos de ligações com a rede extremista Al-Qaeda e o Talebã, milícia que governava o Afeganistão até a invasão americana, no final de 2001.

Os outros dois homens que foram encontrados mortos no sábado foram identificados como Ali Abdullah Ahmed (Iêmen) e Yassar Talal al-Zahrani (Arábia Saudita).

Ahmed seria um agente de médio para alto escalão da Al-Qaeda. Zahrani seria um combatente do Talebã que teria ajudado a pesquisar arnmas para usar contra os Estados Unidos e forças da coalizão liderada pelos americanos no Afeganistão.

Depressão

Denbeaux, que é professor de Direito na Universidade de Seton Hall, em New Jersey, disse ter ficado assustado com o grau de depressão do seu cliente Mohammed Abdul Rahman, um dos dois tunisianos presos em Guantánamo que ele representa.

Segundo o advogado, Rahman está “tentando se matar” ao participar de uma das greves de fome que viraram prática corrente em Guantánamo.

“Ele é normalmente uma pessoa gentil, quieta, tímida”, disse Denbeaux. “Ele ficava sentado em um estado subjudado, quase inerte. Ele estava colossalmente deprimido.”

Tentativas

Segundo um correspondente da BBC, ocorreram mais de 40 tentativas de suicídio em Guantánamo desde que a prisão foi aberta, em janeiro de 2002, mas até então ninguém havia morrido.

“Equipes médicas responderam rapidamente e todos os três detentos receberam assistência médica imediata”, disse nota da Força-Tarefa Conjunta que administra o campo.

Alguns prisioneiros se envolveram em greves de fome ocasionais desde agosto passado para protestar contra sua detenção e condições de vida, embora, de acordo com as autoridades, o número de adesões caiu de 131 para 18 no último fim-de-semana.

Na sexta-feira, o presidente americano respondeu a pedidos para o fechamento da prisão dizendo que gostaria de vê-la vazia, mas que se alguns dos detentos forem para as ruas, “criariam graves ameaças aos cidadãos americanos e a outros cidadãos do mundo”.

Bush afirmou que quer vê-los julgados em tribunais nos Estados Unidos.

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