Sistema Faepa/Senar quer estimular a implantação da cultura do Sorgo na Paraíba - WSCOM

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Economia & Negócios

19/06/2006


Sistema Faepa/Senar quer estimular a

Estimular a produção de uma nova cultura na Paraíba tolerável às adversidades climáticas da região do semi-árido nordestino. É com esse objetivo que o Sistema Faepa/Senar-PB (Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) está programando, para a primeira quinzena de julho, uma reunião na qual será discutida a viabilidade da implantação da cultura do Sorgo no Estado. O encontro reunirá técnicos do Instituto de Pesquisa Agropecuária de Pernambuco – IPA/PE, representantes da Secretaria Estadual de Agricultura, de organizações como a Emater e a Emepa, além de produtores da área avícola e de outras cadeias produtivas.

Segundo o presidente da Faepa e do Conselho Deliberativo do Senar-PB, Mário Borba, o interesse do Sistema em promover essa reunião é disseminar a cultura do sorgo para os produtores e governantes paraibanos. “O sorgo é muito resistente às adversidades climáticas do Semi-árido e pode substituir, tranqüilamente, o milho – cultura que depende de uma intensidade pluviométrica bem superior às médias registradas no Nordeste e que registra uma exploração inviável na grande maioria dos municípios paraibanos”, disse.

Os principais objetivos que conduzem o trabalho de implantação do sorgo na Paraíba são: reduzir a importação de grãos, minimizando o custo de produção e maximizando a produtividade; fortalecer o pólo avícola no Estado e promover mais geração de emprego e renda. Ainda conforme o dirigente do Sistema Faepa/Senar-PB, os grãos de sorgo podem fazer parte do composto das rações fabricadas para aves e outros animais, reduzindo o valor do alimento para os avicultores e ampliando o mercado de grãos para os produtores rurais. “Esse empreendimento vai estimular os produtores a investirem nessa nova cultura, pois terão a certeza de um mercado garantido para o produto”, acrescentou Mário Borba.

Uma das preocupações do Sistema é buscar o desenvolvimento de culturas que fortaleçam o setor primário e que também sejam resistentes à seca, como a palma, o sisal, a mamona e, em breve, o sorgo. É tanto que esse trabalho já foi anteriormente impulsionado pelo Sistema Faepa/Senar-PB, durante o “I Seminário sobre a Cadeia Produtiva da Cultura do Sorgo na Paraíba”, realizado em março de 2005, em Campina Grande. No dia 08 de junho, o Sistema enviou o coordenador de capacitações e treinamentos do Senar-PB, Carlos Patrício juntamente com o presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Itabaiana, Valdemir Azevedo Pereira, que também é gerente técnico da Notaro (Integradora de Aves de Pernambuco), para participarem de um Dia de Campo no município de Ouricuri, no sertão de Pernambuco. Na oportunidade, eles conheceram de perto o programa de desenvolvimento da cultura do Sorgo no estado vizinho.

De acordo com Carlos Patrício, uma das principais vantagens observadas no sorgo é que pode ser plantado em diferentes áreas do Estado e com uma produtividade muito boa. “Na seca ou no calor extremo, a planta entra numa fase de descanso e, quando a situação se modifica, ela volta a se desenvolver automaticamente – o milho por sua vez, não suporta climas tão quentes. Se, mesmo em períodos de seca, a cultura ainda produz, em condições normais a probabilidade de elevação da produção é ainda maior”, contou.

Em Pernambuco, a cultura já é desenvolvida desde 2003, e nesse espaço de tempo eles passaram a cultivar de 500 hectares para 70 mil hectares da cultura. Lá, a cultura do Sorgo vem sendo viabilizada através de uma associação de integradoras de aves da região, que contam com o apoio das Prefeituras Municipais e do Governo do Estado. “Bons exemplos são para ser seguidos. Ao invés de comprarmos milho do sul do país, produziremos o sorgo, que é mais acessível, tanto em termo de produção, pois seu padrão de cultura é mais fácil do que a do milho, bem como seu custo, pois a semente é mais barata, e pode dar mais de uma safra, pois cada planta brota, após o seu corte/colheita”, destacou Carlos Patrício.

Sobre o sorgo

O sorgo é uma planta de origem africana, da mesma família botânica do milho, que pode ser subdividida em quatro tipos: o sorgo granífero, cujo produto é o grão – utilizado na alimentação animal, no preparo de rações balanceadas para aves, bovinos e suínos. Na alimentação humana, o grão é usado no preparo da farinha industrializada, que pode ser utilizada como ingrediente de bolos, biscoitos, cerveja e óleo. O sacarino tem como produto o colmo suculento que, esmagado, produz o caldo e, seguido de cozimento, se obtém o melado, rico em glicídios e o mineral ferro. Como tem o brix similar ao da cana-de-açúcar, em muitos Países da Europa e nos Estados Unidos é usado na produção de xarope para consumo humano. O forrageiro tem como produto à biomassa vegetal que, depois de cortada, ensilada ou fenada é oferecida preferencialmente aos ruminantes (bovinos, caprinos e ovinos). Já o tipo vassoura oferece como produto uma panícula resistente, utilizada na fabricação de vassouras e ornamentações rústicas.

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