Sauditas e tunisianos fazem clássico árabe de olho na segunda fase - WSCOM

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14/06/2006


Sauditas e tunisianos fazem clássico

Tunísia e Arábia Saudita fazem nesta quarta-feira o clássico árabe da Copa 2006. Representantes da “segunda divisão” do grupo H, os times usarão a rivalidade geográfica como combustível extra na busca pela vitória que, neste caso, será vital.

Com Espanha e Ucrânia como favoritas absolutas às duas vagas para a segunda fase, as seleções de Tunísia e Arábia Saudita sabem que apenas um resultado positivo pode trazer alguma esperança de avançar na competição. Um empate será um péssimo resultado para as duas equipes.

“Tivemos sorte de enfrentar os sauditas no primeiro jogo porque, se conseguirmos um bom resultado, isso nos colocará no caminho para a classificação”, confirma o zagueiro David Jemmali, da Tunísia.

“Será um clássico, uma luta”, prevê o técnico brasileiro Marcos Paquetá, da Arábia Saudita. Ele admite, contudo, que a dificuldade será grande, principalmente porque o time tunisiano é mais experiente, e tem vários jogadores que atuam na Europa, ao contrário do saudita, que tem apenas atletas “da casa”.

Na Copa do Mundo, a experiência dos dois times têm pontos em comum. Dos dois lados, os resultados positivos ficaram no passado. A Tunísia disputará o Mundial pela quarta vez, e tentará sua segunda vitória. A primeira foi em 1978, quando superou o México por 3 a 1.

A Arábia fará sua quarta participação consecutiva, depois de uma estréia promissora em 1994, com as vitórias sobre Marrocos e Bélgica, que classificaram a seleção para as oitavas-de-final. Depois disso, no entanto, o time não passou da primeira fase, e amargou uma derrota constrangedora por 8 a 0 para a Alemanha, em 2002.

O confronto mais recente entre Tunísia e Arábia Saudita foi realizado em 1994, em Túnis, e os donos da casa venceram por 2 a 0.

Nas eliminatórias para a Copa 2006, a Tunísia venceu seis dos dez jogos que disputou, conseguindo ainda três empates e uma derrota. O time deixou para trás Marrocos, Guiné e Quênia, entre outros.

A Arábia Saudita disputou 12 jogos no total, seis deles na segunda fase, quando venceu quatro e empatou duas partidas, garantindo a classificação em primeiro lugar, à frente da Coréia do Sul, que também está na Copa.

Tunisianos e sauditas fizeram uma preparação bem diferente para o Mundial. A Tunísia fez dois amistosos, com Sérvia e Montenegro e Belarus, perdendo o primeiro e vencendo o segundo. No início de junho, participou de um mini-torneio amistoso em Túnis, quando venceu novamente Belarus e empatou com o Uruguai por 0 a 0 na final, perdendo por 3 a 1 nos pênaltis.

Um terceiro jogo preparatório estava previsto. Mas Kuwait e Iraque cancelaram o confronto e os tunisianos tiveram de enfrentar um combinado alemão, no último dia 7. A comissão técnica estava preocupada em manter o ritmo de jogo dos atletas, mas o tiro saiu pela culatra, pois neste jogo-treino, a seleção perdeu seu principal atacante, Francileudo dos Santos, nascido no Brasil. Ele machucou o joelho durante a partida, que durou apenas meia hora.

O técnico francês Roger Lemerre só deverá contar com o atacante para a segunda partida na Copa, mas diz que a Tunísia pode vencer mesmo sem Francileudo. “Vou dizer o mesmo que o técnico Klinsmann (da seleção alemã) disse quando Ballack se machucou e não jogou a partida de estréia: O time pode vencer sem ele, mas é mais forte com ele”, compara o treinador, que conduziu o time na conquista do título da Copa Africana das Nações em 2004.

Francileudo se lesionou mas continuou na equipe, ao contrário de outros dois jogadores que foram cortados às vésperas da estréia na Copa. O atacante Issam Jemaa deu lugar a Chaouki Ben Saada e, no último domingo, o zagueiro Mehdi Meriah abriu vaga para Haykel Guemamdia, que joga no ataque. A opção pelo atacante foi tomada exatamente por causa do desfalque do brasileiro.

A equipe de Marcos Paquetá não tem desfalques e fez uma preparação com muito mais amistosos que a Arábia Saudita. No total, foram sete, com apenas uma vitória, contra Togo, por 1 a 0. O time também conseguiu um empate por 2 a 2 com o Iraque. Mas o saldo terminou bastante negativo.

Mesmo assim, a dúvida sobre a permanência do brasileiro no comando da seleção foi dissipada no final de maio, quando o presidente da federação local assegurou que Paquetá continuará à frente da equipe por mais dois anos. Ele assumiu o cargo em dezembro de 2005 e quer sair da Copa 2006 com boas lembranças.

“Gostaria de apagar a péssima imagem deixada pelo time saudita na Coréia e no Japão, que até agora deixa um gosto amargo na boca dos torcedores e jogadores sauditas”, afirma.

O objetivo de Lemerre é idêntico. “O sonho do país é alcançar a segunda rodada da Copa, pelo menos uma vez na história. Esse é meu sonho também”, diz.

Tunísia

Ali Boumnijel; Hatem Trabelsi, Radhi Jaidi, Karim Haggui, David Jemmali; Hamed Namouchi, Jaouhar Mnari, Adel Chedli, Riadh Bouazizi; Zied Jaziri, Yassine Chikhaoui.

Técnico: Roger Lemerre

Arábia Saudita

Mohammed Al-Deayea; Redha Tukar, Hussein Sulimani, Hamad Al-Montashari, Ahmed Al-Dokhi; Saud Khariri, Mohammed Ameen, Mohammed Noor, Mohammad Al-Shlhoub; Sami Al-Jaber, Yaser Al-Kahtani.

Técnico: Marcos Paquetá

Local: Allianz-Arena, em Munique

Capacidade: 56.416

Árbitro: Mark Shield (AUS)

Assistentes: Nathan Gibson e Ben Wilson (AUS)

Horário: 13h (de Brasília)

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