Procurador Omar Bradley explica o que motiva as pessoas a comprar uma obra de arte - WSCOM

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Paraíba

23/02/2018


Procurador Omar Bradley explica o que motiva as pessoas a comprar uma obra de arte

O procurador federal Omar Bradley, em artigo desta sexta-feira (23), abordou o que motiva as pessoas a comprar uma obra de arte.

“A pessoa que considera a estética geralmente compra uma obra influenciada por artistas ou trabalhos de fácil identificação, afinal todos que gostam de arte conhecem o retrato da Mona Lisa, o rosto da mexicana Frida Kahlo, o colorido de Romero Britto ou alguma produção de Picasso. Esse tipo de comprador não está interessado na originalidade, e sim no fato de poder contemplar o objeto”, explicou o procurador que é estudante de História das Artes.

Confira na íntegra: 

O que Motiva as Pessoas a Comprar uma Obra de Arte

No dia 15 de dezembro de 2017, o mundo soube de uma notícia surpreendente em termos de valores pagos a uma obra de arte: a casa de leilões novaiorquina Christie’s leiloou, por US$ 450,3 milhões (mais de um bilhão e quatrocentos milhões de reais pelo câmbio da época), o quadro Salvator Mundi, pintado há cinco séculos por Leonardo da Vinci e a única obra do artista italiano mantida em coleções privadas. A surpresa decorreu do altíssimo valor da arrematação e à rapidez incomum do quadro ter chegado à casa das centenas de milhões de dólares (o preço inicial foi de US$ 70 milhões, mas, três minutos depois, já tinha alcançado os US$ 200 milhões).

Esses espantosos valores provocaram-me a seguinte indagação: o que leva as pessoas a pagar por obras de arte? O que as leva a pagar altas somas ou mesmo fortunas para adquirir um quadro, uma escultura ou construir uma bela casa projetada por renomado arquiteto?

São múltiplos os motivos que impelem uma compra qualquer, mas um objeto artístico tem algumas características próprias. Restringindo minha análise apenas ao universo da arte pictórica, escultórica e arquitetônica, creio que o comprador terá, em regra, um prazer na aquisição e o objeto servirá para ser contemplado. Seja como for, a resposta para as questões acima se consubstanciam na união de dois motivos: o estético e o de saudável vaidade.

Quanto ao estético, dizem que a beleza está nos olhos de quem vê o objeto. Embora as concepções universais do belo sejam a proporção e a harmonia, a beleza tem a ver com o gosto de cada pessoa. Quem paga por uma obra de arte normalmente sente prazer na aquisição. Ela satisfaz o comprador, o qual quer enfeitar ou adornar um ambiente, deixando-o mais agradável. Portanto, há um componente emocional que une o trabalho artístico e o adquirente.

A pessoa que considera a estética geralmente compra uma obra influenciada por artistas ou trabalhos de fácil identificação, afinal todos que gostam de arte conhecem o retrato da Mona Lisa, o rosto da mexicana Frida Kahlo, o colorido de Romero Britto ou alguma produção de Picasso. Esse tipo de comprador não está interessado na originalidade, e sim no fato de poder contemplar o objeto

Quanto à saudável vaidade, não se pode negar que ter uma obra de um notável artista chama a atenção. Portanto, há um lado emocional na compra, mas há sobretudo um componente racional na aquisição, ainda mais se essa obra for de um artista de renome, porque há uma grande probabilidade do proprietário ser reconhecido pelo valor monetário que pagou ou pelo significado erudito e refinamento que a obra pode agregar à sua pessoa em seu meio social.

A vaidade aqui assentada aplica-se inclusive a quem paga a extraordinária fortuna por uma obra como Salvator Mundi. A pessoa que arremata um trabalho artístico que custa milhões pode facilmente se tornar nacional ou mundialmente famosa.

O leitor pode até discordar ou duvidar que esse tipo de vaidade seja “saudável”. Contudo, o adquirente está comprando um objeto de beleza e história únicas, e a aquisição é da obra – e também da inebriante fama que ela ostenta.  Além disso, o que vier a elevar a arte (não necessariamente seus preços…) e a até provocar debates em torno dela merece ser saudado, porque o debate sempre terá fundamentalmente um aspecto cultural.

Tanto a estética quanto a vaidade produzem, enfim, o ponto crucial para concluir o que motiva as pessoas a pagar por uma obra de arte: esta sinalizará o gosto cultural e o prazer que ela dará ao adquirente.

 

Omar Bradley é Procurador Federal

 

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