Presos fogem de penitenciária de Hortolândia - WSCOM

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Policial

23/06/2006


Presos fogem de penitenciária de

A Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) afastou nesta quinta-feira os agentes responsáveis pela vigilância do setor da penitenciária 2 do Complexo Penitenciário Campinas-Hortolândia onde 13 presos fugiram esta madrugada. De acordo com assessoria de imprensa da SAP, os funcionários responderão por sindicância interna sobre o caso. A Secretaria não informou o número de agentes atingidos com a medida.

Com a cadeia destruída após os ataques e rebeliões promovidos pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em todo o Estado, os presos ficaram soltos no prédio. Apenas uma grade os separava da rua, a da cela 210, que fica entre o pavilhão e a cozinha. Na noite de quarta-feira, ela foi serrada e 13 presos alcançaram a área externa. Parte do alambrado foi cortado na fuga. Quando os agentes penitenciários perceberam a movimentação, flagraram dois detentos tentando escapar. Com capacidade para 804 presos, a penitenciária abrigava 988 antes da fuga – que aconteceu entre 4h e 4h30 da madrugada.

A contagem dos fugitivos, no entanto, só foi feita à tarde, com a presença do Grupo de Intervenção Rápida (GIR). Munidos de armas não-letais, revólveres com balas de borracha, os agentes de segurança penitenciária do GIR vieram de Sorocaba para fazer a recontagem e uma vistoria na unidade. Até o início da noite desta quinta-feira a SAP não soube informar se a Polícia havia recapturado os fugitivos.

Entre os agentes que trabalham no local, o clima é de constante tensão. Na semana passada, quando rebeliões voltaram a ocorrer em alguns pontos do Estado -Mirandopolis, Itirapina, Araraquara-, surgiram novas ameaças de motim no Complexo. Os boatos instauraram clima de nervosismo entre os agentes. “O que nós podemos fazer? Nós não temos armas, não podemos fazer nada. Se houver uma rebelião só podemos sair do prédio” , disse um funcionário da Penitenciária 2.

Além da P-2, o CDP também sofreu danos estruturais graves que necessitam de reforma. A estimativa da SAP é a de que as obras nas duas unidades consumam investimentos da ordem de R$ 6,2 milhões.

O Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifusfesp) já havia alertado a SAP sobre os riscos de fugas e rebeliões na unidade. “Ainda ontem tivemos uma reunião com o secretário (Antonio Ferreira Pinto) e falamos para ele como está a condição aqui”, afirmou o presidente da instituição, João Rinaldo Machado.

De acordo com Machado, o risco de fugas e motins está ainda maior na P-2. “Nossa preocupação é que essas fugas não recaiam sobre os funcionários”, salientou. Ainda segundo o sindicalista, a segurança no local é precária. “Antes a Polícia Militar (PM) mantinha uma viatura no local para aumentar a segurança, mas agora não está mais fazendo isso”, completou. (colaborou Rose Guglielminetti /AAN)

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