Presidente palestino confirma realização de referendo - WSCOM

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Internacional

06/06/2006


Presidente palestino confirma realização

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, confirmou que vai convocar um referendo sobre o plano que determina os parâmetros para a criação de um Estado Palestino, um plano que, implicitamente, reconhece o direito de existência do Estado de Israel.

A data deste referendo será anunciada nesta terça-feira.

A medida foi anunciada depois da reunião do Comitê Central Eleitoral para começar a preparar um referendo sobre o Documento de Reconciliação Nacional, elaborado por prisioneiros palestinos.

Onze dias depois de anunciar um ultimato ao Hamas, o presidente Abbas desafia o movimento islâmico e se prepara para cumprir sua promessa.

De acordo com o ultimato, se o Hamas não chegar a um acordo com o Fatah sobre uma proposta elaborada por prisioneiros palestinos que trata, entre outras coisas, do futuro das negociações com Israel, a questão será apresentada à população por meio de um referendo.

Prazo – O prazo dado por ele terminou à meia-noite desta segunda feira. As negociações da segunda-feira falharam uma hora antes do fim deste prazo.

“Levando em conta os recentes contatos, o presidente Abbas vai decidir a data do referendo depois de uma reunião do comitê executivo da Organização para Libertação da Palestina”, afirmou uma declaração do gabinete de governo de Abbas.

O Hamas reagiu e seu porta-voz, Sami Abu Zuhri, afirmou que as negociações devem continuar.

“Não se pode levantar a espada do ultimato”, disse.

O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniya, que é do Hamas, afirmou que a lei palestina não permite este tipo de votação.

O referendo tentaria conseguir a aprovação do público e seu resultado não seria de aplicação obrigatória.

Conselheiros de Abbas afirmam que, pelo fato de o resultado não ser de aplicação obrigatória, não há obstáculo legal para a realização do referendo.

Estado palestino – O secretário do gabinete do presidente, Taib Abdel Rahim, disse nesta segunda em um comício em Ramallah que o prazo do ultimato não seria estendido e que o fracasso das negociações entre o Fatah e o Hamas levará à realização do referendo.

O Documento de Reconciliação Nacional, assinado por líderes importantes de todas as facções palestinas, detidos na prisão israelense de Hadarim, defende a criação de um Estado palestino nos territórios que Israel ocupou durante a guerra de 1967 – Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

A iniciativa dos prisioneiros, entre eles líderes importantes do Hamas presos em Israel, reconhece implicitamente a existência de Israel, propondo um Estado palestino ao lado do Estado judeu.

O Hamas rejeitou a proposta e mantém sua posição, que defende a criação de um Estado palestino islâmico em toda a área da Palestina histórica, inclusive nos territórios de Israel.

Uma pesquisa do Instituto Halil Shkaki indica que 80% dos palestinos podem apoiar a posição do presidente Abbas no referendo.

Se a pesquisa se comprovar, o Hamas sairá enfraquecido do referendo. Nesse caso também se comprovariam as análises feitas logo após as eleições de janeiro, segundo as quais a população palestina não votou no Hamas por concordar com sua ideologia, mas sim para protestar contra o Fatah.

O líder da bancada do Fatah no Parlamento palestino, Azam El Ahmad, disse que “se o Hamas ignorar o resultado do referendo, o presidente Abbas deverá dissolver o Parlamento e convocar novas eleições”.

Caso isso ocorra, para alguns analistas há o risco de guerra civil.

Barril de pólvora – O analista israelense Dani Zaken disse nesta segunda-feira à rádio pública de Israel que a situação na Faixa de Gaza “parece um barril de pólvora”.

Cinco pessoas foram mortas em tiroteios entre militantes do Hamas e do Fatah durante a noite de domingo.

Poucas horas depois, uma bomba explodiu na casa de um dos comandantes mais importantes das Brigadas Ezadin El Kassam (o braço armado do Hamas), Mohamed Sari. Ele morreu imediatamente, e vários de seus familiares ficaram feridos.

O governo palestino, liderado pelo Hamas, posicionou uma milícia formada por 3 mil militantes do movimento em pontos estratégicos de todas as cidades da Faixa de Gaza.

Simultaneamente, as forças de segurança palestinas, subordinadas ao presidente Abbas, entraram em estado de alerta.

Duas agências do Banco Árabe na cidade de Gaza fecharam suas portas, depois de funcionários públicos ameaçarem agredir os trabalhadores do banco se seus salários não fossem pagos.

Homens armados do Hamas invadiram a redação da TV palestina, destruíram os equipamentos e expulsaram os funcionários do local, alegando que eles “são colaboradores do Fatah”.

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