Pesquisa avalia se invasão à Câmara atingiu o Planalto - WSCOM

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Brasil & Mundo

12/06/2006


Pesquisa avalia se invasão à

O governo encomendou pesquisa mais detalhada para medir o impacto, na imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do quebra-quebra promovido na Câmara, há cinco dias, pelo Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST). Embora o discurso oficial seja de que “o impacto é zero”, os petistas estão preocupados: temem que as cenas de vandalismo protagonizadas pelo grupo de Bruno Maranhão – dirigente do PT afastado da Executiva Nacional – sejam associadas ao governo e ao partido na campanha eleitoral.

Com o alerta de que há munição para reagir ao tiroteio da oposição, aliados do Planalto, em tom de ameaça velada, lembram que “ninguém vai usar” na propaganda política os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), em São Paulo, para desmoralizar o ex-governador Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência.

“Explorar isso seria muito baixo”, diz Lula. “Não adianta a oposição querer ampliar o fato porque o que houve em São Paulo foi muito mais grave e nós não vamos partidarizar essa questão”, completa o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

O discurso do presidente é orientado por pesquisas. As últimas sondagens feitas pelo publicitário João Santana – o consultor que cuidará do marketing na campanha da reeleição – indicam que a população não gosta de candidatos culpando adversários por tragédias. Antes dos atos de selvageria, pesquisas também revelaram que a maioria dos brasileiros já incorporou manifestações como concentrações e passeatas, desde que não atrapalhem o dia-a-dia.

“Mas o que ocorreu na terça-feira não foi uma manifestação para reivindicar nada. Foi uma combinação de grave erro político com perda de controle, que se traduziu numa ação do século 19 em pleno século 21”, criticou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo na Câmara, pedindo que seu partido expulse Maranhão, o comandante do quebra-quebra.

Depois da depredação, consultas de telemarketing mostraram ao governo que não houve estrago na popularidade do presidente porque a reação de repúdio ao vandalismo teria sido considerada rápida: os invasores foram presos e o PT despachou Maranhão para a Comissão de Ética. Agora, no entanto, a pesquisa encomendada é mais robusta, com cruzamento de dados sobre a gestão do governo na reforma agrária.

A relação de Lula com os sem-terra nunca foi fácil. Não foram poucas as vezes em que o presidente reclamou do “radicalismo” do Movimento dos Sem-Terra (MST) que, no seu diagnóstico, não reconhecia os feitos do governo, e de seu principal dirigente, João Pedro Stédile. Ainda na oposição, Lula e a cúpula petista sempre acharam que o MST agia como partido e queria disputar espaço com o PT. E reclamavam que os sem-terra faziam o que queriam, mas chamavam o PT para resolver os conflitos.

“Em 1998, o Stédile falou assim: ‘Se o Lula ganhar as eleições, eu não vou à posse dele, porque no dia 1º de janeiro estarei ocupando todas as terras do Brasil.’ Então eu respondi: muy amigo, hein Stédile?”, disse o então candidato do PT no Fórum Social Mundial, em janeiro de 2002, já prevendo problemas.

De fato, relatório da Ouvidoria Agrária do governo mostra que somente de janeiro a março deste ano houve 110 registros de ocupação de terra. É o quarto maior volume de ocorrências desde 1995, primeiro ano do governo de Fernando Henrique.

“Lula deve ficar com saudade do MST”, provoca o deputado Adão Preto (PT-RS), um dos fundadores do movimento. “Ele achava que o MST era radical, mas radicalismo é o que houve na Câmara, sem pauta de reivindicação nem nada.”

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