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17:27 | 29.03.2008

Estudante gaúcha se torna vitima de bullying ao defender excluídos

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Assessoria Daniele Vuoto passou por quatro escolas e em três sofreu bullying Ampliar imagem Daniele Vuoto passou por quatro escolas e em três sofreu bullying

AssessoriaDaniele Vuoto passou por quatro escolas e em três sofreu bullyingAmpliar imagemDaniele Vuoto passou por quatro escolas e em três sofreu bullyingDe defensora dos alunos excluídos e humilhados a vítima de bullying. Assim começou a história da gaúcha Daniele Vuoto, estudante universitária de 23 anos, que passou por quatro escolas e em três sofreu bullying. “Tudo começou quando eu passei a defender os alunos que eu via que eram excluídos e humilhados. Então, a coisa se voltou contra mim e começaram a dar desculpas. Você é muito branca, muito magra, qualquer coisinha era motivo para me agredir. Até a minha mão com tendinite virou alvo de chacotas e batiam nela, davam bolada”, conta.

Daniele lembra que o bullying começou a afetá-la de uma forma mais intensa aos nove anos de idade. Mas o caso se agravou dos 14 aos 16 anos, e ela saiu do colégio para fazer tratamento psicológico e psiquiátrico. Disse que no início do tratamento não teve sorte, pois a equipe de profissionais não era muito boa, e, segundo conta, pioraram o problema ao fazer com que ela passasse por “uma internação equivocada de esquizofrenia”. Saiu do hospital com 42 quilos e em seguida chegou a 64 quilos em conseqüência da medicação que tomou durante o tratamento.

Após o tratamento, Daniele Vuoto criou um blog, que já tem três anos (http://nomorebullying.blig.ig.com.br/), onde fala de tudo sobre bullying, dirigindo-se aos alunos, aos professores, aos pais e a todos os interessados. A gaúcha dá dicas, notícias, comenta, dá idéias, dá conselhos. Diz que seu blog é um pouquinho de tudo e procura falar da forma mais clara possível. Não gosta de termos técnicos e afirma: “Eu acho que bullying já é uma palavra complicada. Então, eu tento simplificar para passar a informação e transformá-la numa prática de prevenção”.

Conta, ainda, que através do seu blog tem tido a oportunidade de conhecer várias histórias, inclusive de adultos que ainda se culpam do que acontecia. “Até médicos formados, com mais de 40 anos de idade e que ainda pensam em se vingar e matar os agressores. Tem um pouco de tudo e eu tento aconselhar essas pessoas. Graças a Deus até hoje consegui”

A aceitação do trabalho de Daniele é muito positiva, segundo afirma. Ela disse que no Rio Grande Sul, na cidade de São Leopoldo, existe a ONG “Diga Não ao Bullying” que vem trabalhando o assunto em algumas escolas do Estado. Inclusive, tem professores que voluntariamente querem trabalhar essa questão.

Ela disponibilizou no Youtube o vídeo Bullying e o mal que causa (http://br.youtube.com/watch?v=6zavsKs2VDU) que está sendo passado nas escolas, como forma de campanha contra o bullying. Disse também encaminhar depoimentos para as escolas que desenvolvem trabalho em cima do texto e até dramatizam. Atualmente ela cursa o segundo semestre de Pedagogia.

Sobre a realização do I Seminário Paraibano sobre Bullying Escolar e Incentivo à Cultura de Paz, Daniele Vuoto disse considerar um evento positivo e que faz lembrar de si própria, no passado, quando queria que algo do tipo acontecesse, mas não havia. “Se tivesse isso na minha época de colégio, eu não teria passado por um monte de mau bocado. Então, isto que o Ministério Público está fazendo agora vai salvar muitas vidas”.

Para superar o problema, Daniele afirma que teve o apoio da família, do seu noivo Rafael que a conheceu na época do tratamento. “O hospital foi um choque para mim. Mas esses apoios me ajudaram a superar o problema”, declarou.

Por muito tempo, Danile escondeu de sua família as humilhações e agressões que sofria na escola. Segundo conta, quando o bullying começou a afetá-la, o seu avô estava muito doente e a família toda havia perdido o emprego. Era um momento complicado para a família e na cabeça de Daniele, os familiares já tinham muito problema para lidar o que a levou a esconder os abusos que sofria. “Eu camuflei até os 16 anos, por isso que a bomba estourou. O silêncio estourou”, enfatizou.

Conta que resolveu falar quando foi internada no hospital para tratamento e se sentiu chocada ao se ver chegar naquele ponto. “Eu vi que não é justo uma pessoa ter sofrido na escola. Ali eu percebi que não era minha culpa. Então comecei a pesquisar e só encontrava notícias mais do exterior. Foi difícil saber que o problema tinha nome. Demorou. Mas quando eu descobri e tive alta do tratamento, aos 19 anos, montei o blog”.

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