Justiça adia leilão da Varig para a próxima quinta-feira - WSCOM

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Brasil & Mundo

02/06/2006


Justiça adia leilão da Varig

A Justiça do Rio de Janeiro decidiu adiar o leilão da Varig, que deveria acontecer na próxima segunda-feira, para o dia 8 de junho. A decisão foi tomada pelo juiz Paulo Roberto Fragoso, em auxílio à 8ª Vara Empresarial do Rio, e atende solicitação da própria Varig. Segundo nota da Justiça, o adiamento em três dias tem como objetivo conseguir um preço maior na venda da Varig.

Inicialmente o leilão deveria ocorrer somente em 9 de julho, 60 dias após a realização da assembléia geral de credores, que aprovou os modelos de venda da companhia.

Como, entretanto, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) não aprovou as propostas de interessados em fazer um empréstimo-ponte para a empresa, o leilão foi antecipado para impedir que a empresa ficasse sem caixa para continuar a voar.

A nova data, porém, não deu o tempo necessário para que possíveis interessados na Varig pudessem estudar um preço justo a ser pago pela companhia.

Marcelo Gomes, diretor da consultoria Alvarez & Marsal –empresa responsável pela reestruturação da Varig–, afirmou que os próprios investidores solicitaram à empresa que adiasse o leilão.

Ele também lembrou que o leilão ocorreria depois do final de semana, ou seja, após dois dias com os bancos fechados, o que impediria que mais empresas acessassem a sala de informações (“data-room”).

A empresa aérea poderá ser vendida integralmente –operação nacional e internacional, denominada Varig Operações– ou separada –somente operações domésticas, chamada de Varig Regional. Os preços mínimos são, respectivamente, US$ 860 milhões e US$ 700 milhões.

Nos dois modelos de venda estão excluídas as dívidas da companhia, estimadas em R$ 8 bilhões.

De acordo com o edital de venda, podem participar do leilão empresas brasileiras com sede e administração no país. Até hoje, entraram no ‘data-room’ da Varig –sala virtual com informações confidenciais sobre a empresa– a Gol, TAM, OceanAir e TAP. Para poder ter acessar as informações, cada empresa teve que depositar R$ 60 mil na conta da Varig.

No leilão, credores da empresa também poderão fazer lances. Nesse caso, o investidor poderá pagar o valor equivalente ao preço mínimo em reais ou com créditos trabalhistas e créditos extra-concursais (conseguidos após o início da recuperação judicial).

O edital prevê ainda que será vendido no leilão o modelo que receber a maior oferta. Entretanto, no caso de propostas iguais para os dois modelos, vence a feita pela Varig Operações.

Se não houver oferta no valor mínimo estipulado para venda da empresa no leilão, o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Rio, poderá definir um novo preço para outro leilão que será realizado no mesmo dia.

A Varig está em recuperação judicial desde junho do ano passado. Ela foi a primeira grande empresa do país a se beneficiar desse processo, que substitui a concordata, já que a Nova Lei de Falências foi aprovada no dia 9 de junho de 2005 e a empresa entrou com pedido no dia 17 daquele mês.

Esse instrumento de recuperação protegeu a Varig de ações movidas por credores, ajudou a empresa a continuar voando, a iniciar um processo de reestruturação e sobreviver até o leilão.

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