Italianos homenageiam Marielle Franco em HQ: 'Como Angela Davis' - WSCOM

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Política

10/04/2018


Italianos homenageiam Marielle Franco em HQ: ‘Como Angela Davis’

Publicação de quatro páginas foi no jornal 'Il Manifesto'

A vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), executada na região central do Rio no último 14 de março, virou personagem de uma história em quadrinhos publicada no jornal italiano “Il Manifesto”. Os autores Assia Petricelli e Sergio Riccardi decidiram começar o gibi com cinco frases que ajudam a definir a vida e o trabalho da parlamentar: “Eu sou cria da Maré. Sou mulher negra. Sou anticapitalista. Sou militante política. Sou mãe”.

“Ela era forte, determinada, combativa, mas ela não tinha nada do estereótipo do guerreiro, ela era solar, alegre, cheia de vida, porque a política é uma coisa linda se feita com paixão”, afirma Petricelli em editorial publicado no jornal italiano.

O exemplar impresso, de quatro páginas e em formato de tabloide, foi vendido junto com o jornal nas bancas da Itália no último dia 30, mas a edição digital ainda está disponível no site do Manifesto, mediante o pagamento de 2 euros (aproximadamente R$ 8).

“Nós nos apaixonamos por sua história e nos movemos com sua morte, sentimos uma grande energia e uma profunda esperança na frente da multidão que foi para as ruas do Brasil para pedir verdade e justiça. Com nossos meios, palavras e design, queríamos nos colocar a serviço dessa história”.

Além de retratar a vida de Marielle, a história em quadrinhos ressalta dados sobre a violência no Brasil, como que, por exemplo, em 2017, uma lésbica foi morta por semana.

“Como Angela Davis, ela sabia que não pode haver luta contra a exploração capitalista que não seja também sobre sexismo e racismo”, diz Petricelli.

A artista contou ainda ter encontrado em Marielle o exemplo que procurava. Para ela, como a ativista brasileira colocou em questão os estereótipos sobre a feminilidade, representa o que há cinco anos buscava com Riccardi para produzir um romance gráfico.

“O poder a castigou, mas sua figura não se reduz à de uma vítima. A voz de Marielle, seu corpo, seu sorriso não se extinguem, continuam a viver através de todos nós que ocupamos um espaço público em seu nome e continuamos suas batalhas. Marielle vive porque nós vivemos”, destacou a italiana.

O Globo

 

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