Itália supera incertezas e pressão e derruba confiante Gana - WSCOM

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12/06/2006


Itália supera incertezas e pressão

As incertezas e a pressão externa que ameaçavam o desempenho da Itália em sua estréia na edição de 2006 da Copa do Mundo, aliadas à extrema confiança demonstrada por Gana antes do jogo, não foram suficientes para que a tradição fosse afetada em Hannover. Sem sustos, a seleção tricampeã mundial fez 2 a 0 na equipe africana e fechou a primeira rodada do Grupo E em segundo lugar.

Sem os experientes Zambrotta e Gattuso, com Totti voltando às pressas, a Itália tinha como principal obstáculo a superar a pressão causada pelo escândalo da arbitragem que se instalou no país no final da temporada 2005-06, quando peças importantes da equipe, como o técnico Marcello Lippi e o goleiro Buffon, surgiram como suspeitos de participação.

As pressões que envolviam a Itália antes do jogo ficaram mais agudas no início da segunda-feira, quando a República Tcheca bateu os Estados Unidos por 3 a 0 e abriu vantagem na ponta da chave. Caso o Brasil classifique às oitavas-de-final, seu adversário sairá do Grupo E.

Toda a pressão que envolvia a seleção italiana antes da estréia, porém, pareceu controlada a partir do momento que o árbitro brasileiro iniciou a partida em Hannover.

Com a tradicional cautela defensiva mantida pelo técnico Marcello Lippi, a Itália conseguiu imprimir o seu ritmo para encurralar a equipe ganense, que na véspera do confronto já falava em chegar às semifinais, menosprezando o histórico de seu primeiro adversário.

De Rossi e Perrotta compensavam a ausência de Gattuso, que segue machucado mas pode ser aproveitado a partir da segunda rodada, enquanto Pirlo aparecia como o jogador mais lúcido do meio-campo italiano e Totti se mostrava ainda longe de sua melhor forma, já que entrou mais por sua importância do que pela sua forma física, prejudicada por ter sofrido séria lesão no tornozelo em fevereiro, pela Roma.

Com marcação intensa no meio-campo, a Itália abafava Gana e conseguia arrumar brechas para avançar pelas laterais e buscar os atacantes Gilardino e Luca Toni, que protagonizou, inclusive, o lance mais bonito do primeiro tempo, quando, aos 26min, recebeu passe de seu companheiro de ataque, se livrou do zagueiro e chutou forte, no travessão.

Gana, porém, conseguiu equilibrar a partida quando roubava a bola no meio-campo e saía para o ataque com intensa modificação dos atacantes Amoah e Gyan, que perdeu boa chance aos 28min. A intensa troca de posições nas descidas ao ataque confundia a marcação da Itália, que tinha na defesa uma peça improvisada, o lateral Zaccardo, que substituiu o machucado Zambrotta, titular absoluto de Lippi.

Gana pagou caro pela falta de precisão de Pappou, que aos 31min desperdiçou ótima chance ao ficar livre no bico da pequena área e chutar por cima do gol. A partir daí, a Itália restabeleceu o controle do meio-campo e voltou a empurrar o adversário para dentro de sua área. E foi aí que conseguiu chegar ao seu gol.

Jogador com passes mais precisos durante a partida, o meia Pirlo abriu o placar aos 39min, depois de cobrança de escanteio. O jogador do Milan recebeu pelo lado esquerdo da grande área e, sem marcação, teve tempo para pensar e finalizar com classe, no canto esquerdo de Kingston.

O gol desestabilizou Gana, que poderia ter sofrido o segundo gol ainda aos 45min do primeiro tempo, quando Luca Toni surgiu sozinho pelo lado esquerdo da área e bateu em cima do goleiro.

A vantagem parece ter dado tranqüilidade demais aos italianos no segundo tempo. Seus volantes, por exemplo, arrumaram tempo inclusive para avanços pelo meio da zaga de Gana, como aconteceu com De Rossi e Perrota, que tiveram boas chances, mas chutaram de forma desconcentrada, para defesa de Kingston.

Enquanto isso, Gana teve apenas aos 9min da etapa final a sua chance para empatar. Essien, jogador mais badalado da equipe por defender o Chelsea, chutou firme de fora da área, para boa defesa de Buffon.

Os sustos, no entanto, ficaram cada vez mais raros para a Itália, que mudou seu jeito de jogar a partir da saída de Totti, que sofreu falta feia e acabou substituído por Camoranesi, que entrou para fortalecer ainda mais a marcação italiana.

E foi a pressão feita na saída de bola de Gana que acabou sendo decisiva para a Itália chegar ao seu segundo gol e respirar aliviada definitivamente. Aos 37min, em um recuo mal-feito pelo experiente zagueiro Kuffour, Iaquinta, que havia entrado na vaga de Gilardino, conseguiu roubar a bola, passar pelo goleiro e fazer o segundo gol.

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