Itália desafia força australiana e passado incômodo - WSCOM

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26/06/2006


Itália desafia força australiana e

Andarilho do futebol mundial, o holandês Guus Hiddink foi o responsável pela Coréia do Sul ter eliminado a seleção da Itália nas oitavas-de-final da Copa do Mundo de 2002, disputa dividida entre o Japão e o território sul-coreano. E por ter conseguido, entre outros feitos, levar a seleção do seu país às semifinais de 1998 e ter dado a Austrália a inédita classificação às oitavas-de-final da competição.

Buffon fracassou em 2002, e Toni deve perder o lugar no time

O fracasso de quatro anos atrás ainda incomoda os italianos. “É um técnico excelente, que já conseguiu resultados históricos com equipes medíocres”, elogia o goleiro italiano Buffon, que se mostra otimista para o novo encontro com Hiddink, apostando na evolução da seleção que defende desde o Mundial da Ásia. “Muitas coisas mudaram e estamos mais confiantes”.

Os elogios, porém, não servem de empolgação a Hiddink, que prefere não cair na armadilha de acreditar que o simples fato de já ter superado o rival desta segunda será fundamental para novo triunfo ante a Itália. “O time italiano mudou muito desde então, eles estão mais ofensivos e, além de tudo, mudaram a mentalidade, jogam um futebol moderno agora, mais perigoso”.

Hiddink parece adivinhar as pretensões de Marcello Lippi. Insatisfeito com o desempenho do centroavante Luca Toni nos três primeiros jogos e pressionado pela imprensa por sua decisão de manter Totti entre os titulares mesmo com seu desempenho muito criticado, o técnico da Itália sinaliza com uma sensível mudança tática.

A idéia de Lippi é deixar a vaga de Toni com Iaquinta, reserva que marcou gol na vitória da estréia contra Gana, e adiantar um pouco o posicionamento de Totti, mais pela esquerda, enquanto Pirlo ficaria responsável pela armação, protegido pelos volantes Gattuso e Perrotta.

A marcação do meio-campo, aliás, é tratada pela seleção italiana como fundamental para combater o que avaliar ser a principal característica -e qualidade- da Austrália: a força física.

“(Hiddink) prepara seu time muito bem, sempre com uma forte marcação individual. A Austrália é muito forte fisicamente”, afirma o atacante italiano Gilardino. Os australianos, por seu lado, admitem que o preparo físico é um trunfo, mas não o único a ser usado para tentar surpreender a Itália.

Confiantes após a classificação no Grupo F, os australianos deixam claro que irão encarar o confronto como um “Davi e Golias”, como classificou o zagueiro Lucas Neill. “Acredito que mostramos nossas cartas nos três primeiros jogos e vamos respeitar a Itália, mas não os tememos”.

É consenso entre o elenco da Austrália que o melhor modelo a ser adotado para enfrentar a Itália é a equipe dos Estados Unidos, que conseguiu empatar com os italianos por 1 a 1 a custa de muita marcação e correria, em um jogo marcado por três expulsões, número de punições inferior apenas aos quatro cartões vermelhos distribuídos no jogo entre Portugal e Holanda.

“Os Estados Unidos foram muito bem ao colocar a Itália sob pressão, e vamos tentar fazer exatamente a mesma coisa”, afirmou o zagueiro Lucas Neill, que manifesta outra estratégia que a Austrália pretende adotar para surpreender o adversário.

A idéia é imprimir um ritmo lento para enervar os italianos. E levar a decisão para os pênaltis caso essa seja a melhor alternativa. Tanto que candidatos às cobranças não faltam. Jogadores como o próprio Neill e Cahill já se prontificaram.

O técnico Guus Hiddink, inclusive, já decidiu lançar mão de especialista em disputas por pênaltis, o goleiro Schwarzer, que recupera a vaga de titular da equipe e tem como principal trunfo o fato de ter participado da partida em que a Austrália garantiu sua classificação para a Copa do Mundo, ao superar o Uruguai em confronto válido pela repescagem.

Uma eventual disputa por pênaltis, aliás, não traz boas recordações aos italianos, que perderam a final da Copa do Mundo de 1994 para o Brasil, quando Baresi, Massaro e Baggio desperdiçaram suas cobranças. Quatro anos depois, a Itália caiu nas quartas-de-final diante da anfitriã França, com um erro de Di Biagio.

“Com a moral que temos, haverá um monte de gente que se oferecerá para os pênaltis. Vamos tentar ao máximo aguentar a pressão e segurar a Itália”, disse o zagueiro Neill.

Itália

Buffon; Zambrotta, Cannavaro, Materazzi e Grosso; Gattuso, Perrotta, Pirlo e Totti; Gilardino e Iaquinta.

Austrália

Schwarzer; Bresciano , Moore, Neill e Chipperfield; Grella, Cahill, Culina, Sterjovski e Kewell (Skoko); Viduka

Data: 26/06/2006 (segunda-feira)

Horário: 12h (de Brasília)

Local: Fritz-Walter Stadion, em Kaiserslautern (Alemanha)

Capacidade: 41.513 lugares

Árbitro: Luis Medina Cantalejo (ESP)

Auxiliares: Victoriano G. Carrasco e Pedro M. Hernandez (ESP)

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