Invicta contra os EUA, Itália evita armadilhas para buscar vaga - WSCOM

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Economia & Negócios

17/06/2006


Invicta contra os EUA, Itália

A história do confronto e a realidade das duas equipes favorecem a Itália, mas o bom senso e a costumeira dificuldade para passar pela primeira fase da Copa do Mundo são o que fazem os tricampeões mundiais não se iludirem com a suposta fragilidade demonstrada pelos Estados Unidos na primeira rodada. Tudo para conseguir assegurar, já neste sábado, em Kaiserslautern, seu posto como um dos classificados do Grupo E.

Invicto nos quatro confrontos em que já encontrou os Estados Unidos em sua história, a Itália pode garantir a passagem às oitavas-de-final caso vença seu adversário e a República Tcheca, que derrotou os norte-americanos por 3 a 0 na estréia, não perca para Gana, em Colônia.

A vitória ante os ganeses, porém, não foi suficiente para empolgar os italianos, que não se iludiram pelo fato dos Estados Unidos terem perdido de maneira tão indiscutível. Para isso, o técnico Marcello Lippi tem enfatizado para seu elenco a importância de não menosprezar os norte-americanos.

“Um dos erros que poderíamos cometer é subestimá-los apenas por terem perdido por 3 a 0, até porque os tchecos tiveram a sorte de conseguir um gol rapidamente e levarem uma bola na trave que poderia ter deixado o jogo bem diferente”, afirma Lippi, que teme uma outra armadilha que possa prejudicar a Itália: a soberba.

Os elogios da imprensa italiana pela atuação da seleção na primeira partida foram amenizados por Lippi, que teme um relaxamento da equipe em virtude da atuação convincente apresentada nos 2 a 0 contra Gana.

“Temos de encarar o que tem sido falado como algo que nos dê confiança, mas certamente não devemos nos iludir com os elogios feitos até agora”, disse Lippi, que também vem destacando aos jogadores a necessidade da vitória a qualquer custo, independente do placar e da atual desvantagem de gols marcados na comparação contra a República Tcheca.

Lippi não quer ainda pensar nas oitavas-de-final, mesmo que seja grande a possibilidade de um encontro com o Brasil. A prioridade é bater os Estados Unidos agora e ganhar tranqüilidade para o confronto ante os tchecos, programado para o próximo dia 22, em Hamburgo.

“Este é outro erro que devemos evitar. Temos de pensar apenas em vencer, porque a partir do momento que pensarmos em marcarmos muitos gols estaremos cometendo o pecado da presunção. Temos de manter a atitude demonstrada contra Gana”, alertou o técnico da seleção italiana, que ainda terá a vantagem de poder montar sua equipe da maneira que considera ideal.

Desfalques na última segunda-feira, o lateral-direito Zambrotta e o volante Gattuso já estão liberados pelo departamento médico da seleção, apesar de Lippi preferir manter segredo sobre qual será sua decisão, apesar de já ter sinalizado nos últimos dias que apenas o primeiro deverá iniciar a partida, na vaga que foi ocupada por Zaccardo na primeira rodada. “Não esperem que eu anuncie o time na véspera da partida, porque nunca fui disso desde que comecei a trabalhar como treinador e não será agora que farei isso”.

Uma armadilha, porém, parece armada para os jogadores italianos, que vêm confessando sem o menor constrangimento que não conhecem muito bem a equipe dos Estados Unidos. “Eu sei que o Reyna joga na Europa (Manchester City, da Inglaterra) e tem um outro (Beasley) que joga pelo PSV Eindhoven”, declarou o meia Pirlo, eleito o melhor da Itália na partida de estréia.

Os Estados Unidos, no entanto, têm outros problemas mais urgentes a resolver do que retrucar as declarações dos italianos, já que após a derrota para a República Tcheca alguns jogadores, como Reyna e Beasley, discutiram a escalação do técnico Bruce Arena, alegando que a equipe atuou de forma muito retraída.

As declarações, porém, não foram as única a causar mal-estar entre os norte-americanos, já que o atacante Eddie Johnson foi muito criticado, principalmente pela imprensa italiana, por ter declarado na última quarta-feira que o duelo seria uma guerra e que “toda vez que você coloca a camisa de seu país e ouve o hino nacional, é hora de vencer ou morrer”.

Johnson foi desautorizado pelo próprio Arena, que afirmou ser “estúpido utilizar a guerra como analogia” para o futebol, o que considera ser “apenas um jogo”. O detalhe, porém, é que a delegação dos Estados Unidos passou os dois últimos dias antes da partida concentrada numa base aérea norte-americana em Ramstein, que recebe normalmente soldados que acabaram de voltar do Afeganistão e do Iraque.

Itália

Buffon; Zambrotta, Nesta, Cannavaro e Oddo; De Rossi, Perrota, Pirlo e Totti; Luca Toni e Gilardino.

Estados Unidos

Keller; Cherundolo, Onyewu, Pope e Lewis; Convey, Reyna, Mastroeni, Beasley; Donovan, McBride.

Local: Fritz-Walter-Stadion, em Kaiserslautern

Capacidade: 41.513 lugares

Árbitro: Jorge Larrionda (URU)

Assistentes: Walter Rial (URU) e Pablo Fandino (URU)

Horário: 16h (de Brasília)

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