Inglaterra busca futebol perdido ante "franco-atirador" - WSCOM

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25/06/2006


Inglaterra busca futebol perdido ante

A seleção inglesa tenta, neste domingo, às 12h, em Stuttgart, encontrar o bom futebol que vem sendo mantido apenas na promessa desde que a Copa do Mundo começou. Seu adversário será o franco-atirador Equador, uma das principais surpresas da Copa até aqui.

O aclamado time inglês, que chegou à Copa cercado de muita expectativa por possuir um meio-campo sólido formado por estrelas como Gerrard, Lampard e Beckham, e atacantes de renome com Wayne Rooney e Michael Owen (cortado por contusão), apresentou um futebol burocrático na primeira fase, com poucos momentos de brilho, e recheado de falhas defensivas.

Os comandados do sueco Sven-Goran Eriksson sabem que não renderam tudo o que podem. O zagueiro John Terry afirmou que, se a equipe não crescer, pode voltar para a Inglaterra mais cedo. O treinador sueco já afirmou que pode sacar qualquer um do time se não melhorar o rendimento, incluindo o capitão Beckham.

Já o Equador foi, ao lado de Gana, a principal surpresa da Copa na primeira fase. Com um futebol aplicado taticamente e velocidade nos contra-ataques, os sul-americanos venceram os dois primeiros jogos do grupo A, eliminando Polônia e Costa Rica antes mesmo da última rodada.

A equipe já faz a sua melhor participação em uma Copa do Mundo, e o que conquistar daqui para a frente é lucro. Depois de debutar na competição em 2002, na Coréia do Sul e Japão, quando caiu na primeira fase ao ficar em último lugar no grupo G, os equatorianos chegam pela primeira vez à fase de mata-mata.

Para tentar surpreender os ingleses, o técnico Luis Suárez vai contar com sua força máxima e voltar a escalar a dupla de ataque Augustín Delgado e Carlos Tenório, autores de dois gols cada em dois jogos, e que foram poupados do duelo contra a Alemanha, último dos sul-americanos na primeira fase.

Se o ataque do Equador vai bem na Copa, não se pode dizer o mesmo da Inglaterra. Assolada por contusões, a equipe britânica não viu seus homens de frente corresponderem às espectativas.

Depois de uma semana em que o técnico Sven-Goran Eriksson foi duramente criticado por ter levado apenas quatro atacantes para a Copa, a Inglaterra deve entrar em campo com apenas um atacante – Wayne Rooney – e cinco jogadores de meio-campo.

Nos treinamentos preparatórios para o confronto, Eriksson indicou que o grandalhão Peter Crouch permanecerá entre os reservas, apesar do corte de Michael Owen devido a grave lesão no joelho. Crouch jogou os três jogos da primeira fase, marcando apenas um gol.

Sua vaga deverá ser ocupada pelo meio-campista Michael Carrick, do Tottenham, que ainda não estreou no torneio. Carrick, de 24 anos, tem bom passe, mas só teve seis convocações pela seleção inglesa.

Mas as mudanças na Inglaterra vão além do ataque. O zagueiro Jamie Carragher, improvisado na lateral-direita, vai ceder seu lugar para o volante Owen Hargreaves, que será recuado. O titular da posição, Gary Neville, ainda não se recuperou de contusão.

O zagueiro Rio Ferdinand, com uma contusão na virilha, ainda não tem presença assegurada contra o Equador. O veterano Sol Campbell, que já o substituiu contra a Suécia, é a opção para fazer dupla com John Terry.

Só o Brasil

Apenas o Brasil conseguiu quebrar a invencibilidade de Sven-Goran Eriksson diante de seleções sul-americanas. Desde que o sueco assumiu o “English Team”, em fevereiro de 2001, foram sete confrontos. A Inglaterra venceu seis e só perdeu para a seleção brasileira, na Copa de 2002.

Não que tenha sido fácil. Via de regra, os ingleses apresentaram problemas para manter a posse de bola e venceram por placares apertados.

Há duas semanas, precisou de um gol contra do capitão paraguaio Carlos Gamarra para fazer 1 x 0 na primeira partida do Grupo B.

Em sua preparação para a Copa, venceram o Uruguai por 2 x 1 após estarem perdendo por 1 x 0 até 15 minutos do final do jogo. Joe Cole marcou o gol da vitória já nos acréscimos.

Os ingleses também perdiam para a Argentina por 2 x 1 em um amistoso em Genebra, em novembro, quando, a três minutos do final, Michael Owen marcou duas vezes para garantir a vitória.

Ano passado, a Inglaterra derrotou a Colômbia por 3 x 2 em jogo que Owen, agora contundido e fora da Copa, marcou os três gols dos ingleses.

Se a derrota para o Brasil marcou o pior momento da Copa do Mundo de 2002 para a Inglaterra, o destaque daquele campeonato foi a vitória por 1 x 0 sobre a Argentina, em um pênalti batido por David Beckham na primeira fase.

Eriksson espera um jogo difícil no domingo, contra uma equipe bem organizada. Mas ele disse aos repórteres: “Acredito muito que vamos passar”.

Mas o sueco não terá uma de suas armas mais letais contra os sul-americanos: o atacante Michael Owen, que marcou sete vezes nas sete partidas.

Além disso, a superioridade da Inglaterra em Copas é discreta. Foram 6 vitórias, 5 derrotas e 3 empates contra seleções da América do Sul. Só que, nas fases de mata-matas, os ingleses foram eliminados três vezes pela Argentina (uma delas, nos pênaltis), duas pelo Brasil e uma pelo Uruguai.

Apenas o Paraguai mostrou-se “freguês” da Inglaterra nas fases finais da Copa. A equipe guarani deixou-se eliminar pelos ingleses nas oitavas-de-final em duas Copas: 1986, no México, e 1998, na França.

Já equatorianos e ingleses se enfrentaram apenas uma vez em toda a história, em maio de 1970, em Quito. Os europeus venceram por 2 a 0 na sua preparação a Copa daquele ano, que seria disputada no México e vencida pelo Brasil.

Vingança pessoal?

Um jogador em especial tem uma motivação extra para o confronto deste domingo: o atacante equatoriano Agustín Delgado.

Depois de se destacar no cenário internacional nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002, o centroavante foi contratado pelo Southampton, então da primeira divisão inglesa. Se tornou o primeiro equatoriano a atuar na Premier League.

Mas, com problemas no joelho, ele acabou atuando em apenas 15 jogos de 133 que o Southampton fez enquanto ele teve contrato com o clube. Mas o atleta põe panos quentes no assunto. “Aconteceram coisas estranhas, mas isso ficou para trás”, minimizou ao jornal “La Hora”.

Delgado está com problemas no joelho, mas jogará no sacrifício. Ele recebeu injeções de concentrados de cartilagem de tubarão para fortalecer sua cartilagem. “Estou preocupado com o joelho de Delgado”, reconheceu Ruben Santamaria, médico do Equador. “Tive que lhe dar injeções de um remédio suíço e um concentrado de cartilagem de tubarão”.

Enquanto isso, seu companheiro de ataque, Carlos Tenório, seria a bola da vez para o futebol inglês. Segundo o Al Sadd, clube do Qatar que detém o seu passe até 2008, o atacante despertou o interesse de clubes da Premier League, mas ele não está à venda.

“Recebemos a oferta de um clube inglês – cujo nome não vamos revelar – de oito milhões de euros por Carlos Tenório, mas rechaçamos”, revelou o clube em seu site oficial.

INGLATERRA

Robinson; Hargreaves, Ferdinand (Campbell), Terry, Ashley Cole; Beckham, Gerrard, Carrick, Lampard, Joe Cole; Rooney.

EQUADOR

Mora; De la Cruz, Hurtado, Espinoza, Reasco; Méndez, Castillo, Valencia, Edwin Tenorio; Delgado, Carlos Tenorio.

Data: 25/06/2006, sábado, às 12h

Local: Gottlieb-Daimler-Stadion, em Stuttgart

Árbitro: Frank De Bleeckere (BEL)

Assistentes: P. Hermans (BEL) e W. Vromans (BEL)

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