Inadimplência de cheques cresce 40% na PB e segmento dos combustíveis é um dos m - WSCOM

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Paraíba

08/06/2006


Inadimplência de cheques cresce 40%

Em cinco anos o volume de cheques sem-fundo que circulou na Paraíba cresceu 40% – conforme cálculos baseados em dados fornecidos pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e Banco Central do Brasil (Bacen). Essa realidade atinge em cheio empresários que trabalham com o comércio de varejo, como é o caso dos donos de postos de combustíveis.

Muitos comerciantes não trabalham mais com esta forma de pagamento e aqueles que ainda a aceitam, impõem uma série de exigências, para garantir que o cheque será mesmo pago. Do total de cheques recebidos pelos empresários do segmento, cerca de 5% voltam por insuficiência de fundos e outros problemas.

No ano passado, os paraibanos emitiram 11.479 milhões de cheques, dos quais, 10,67% estavam descobertos, ou 1.224 milhões. Em 2000, o Dieese e o Bacen registraram 741 mil cheques “borrachudos”, em meio a um universo de 13.281 milhões que circularam no Estado. Ou seja, 5,58% desses cheques não possuíam valor algum. Em moeda, o prejuízo há cinco anos, foi de R$ 6.164,9 bilhões e em 2005, de R$ 6.463,4 bilhões.

O empresário Afrânio Bezerra, dos postos Quality, se viu obrigado a abrir mão desta opção de pagamento há dois anos. Isto porque, estima um prejuízo aproximado de R$ 80 mil, ao longo de uma década. “Era muito problema, muita dor de cabeça. Assim, há dois anos eu só aceito compras feitas com dinheiro ou no cartão, porque são totalmente seguras”, contou. Cadastro de clientes, consultas ao SPC (Sistema de Proteção do Crédito) e apresentação obrigatória de documentos pessoais (como carteira de identidade) são alguns dos cuidados tomados pelos proprietários dos postos que ainda recebem os cheques dos consumidores.

Segundo o presidente da Associação dos Postos Revendedores de Combustíveis da Paraíba (Aspetro-PB), Sérgio Tadeu, o nível de inadimplência é realmente alto. “O percentual é de 4% a 5% da quantidade de cheques que entram no posto. É um prejuízo grande, porque ainda vão para a conta todos os gastos com telefonemas e com a área jurídica, na tentativa de recebimento pela transação comercial já realizada”, destacou.

É por isso, prosseguiu, “que temos que nos cercar de todas as formar possíveis que nos garantam a compensação da venda”. Para ele, o papel dos bancos é fundamental. Sérgio Tadeu acredita que as instituições deveriam ser mais rigorosas na liberação de cheques para clientes novos. “A pessoa mal abre uma conta e, às vezes é até com pouco dinheiro, e já tem à disposição um talonário com até 40 folhas de cheques. Assim, fica fácil entrar nos cheques pré-datados e dar um início ao endividamento”, observou.

Já o diretor-executivo da Aspetro, Virgínio Neto, lembra que aqueles que continuam aceitando a transação com cheques em seus postos têm que lidar com um gasto extra com as consultas aos serviços de tele-cheque, por exemplo. “Cada consulta realizada, para verificar a procedência do cheque e se o correntista tem nome sujo no mercado, o empresário arca com o custo da ligação, ou mesmo da consulta online, que sai, em média, por R$ 0,45 cada”, contou. As empresas que prestam esse tipo de serviço trabalham com valores diferenciados, pois cada contrato possui sua especificidade.

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