Hamas ataca Israel com foguetes a partir de Gaza - WSCOM

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Internacional

10/06/2006


Hamas ataca Israel com foguetes

Membros do grupo militante Hamas, que controla o governo palestino, afirmaram neste sábado terem realizado ataques de foguete contra a parte sul do território de Israel.

Os ataques, segundo o Hamas, foram feitos a partir de Gaza e quebraram uma trégua não-oficial que durava 16 meses.

Um porta-voz do grupo afirmou que os ataques foram uma resposta à série de mortes ocorridas nos últimos dias, quando civis palestinos e membros do grupo foram mostos em ataques israelenses.

A onda de violência e os ataques do Hamas também colocaram em dúvida o anúncio previsto para este sábado, por parte do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, de um referendo sobre as bases para eventuais negociações com Israel.

Piquenique

O Hamas havia dito na sexta-feira que iria romper o cessar-fogo unilateral determinado pelo grupo – embora Israel acuse o Hamas de ter dado apoio a outras organizações palestinas que mantiveram os ataques.

A decisão do grupo foi anunciada após dois dias de violência nos territórios palestinos.

Na sexta-feira, pelo menos 11 pessoas, incluindo crianças e mulheres, morreram em dois ataques realizados por Israel.

A pior ação ocorreu quando um grupo de civis palestinos foi atingido por bombas em uma praia lotada de Gaza.

Cinco pessoas seriam de uma mesma família e, entre as crianças mortas, estariam um bebê de um ano. Imagens do local mostram que eles estavam, provavelmente, fazendo um piquenique na praia. Outras 30 pessoas ficaram feridas no incidente.

O governo de Israel pediu desculpas pela morte dos civis e disse que iria investigar o que ocorreu e de onde partiu o ataque.

Também na sexta-feira, antes do incidente da praia, outras quatro pessoas haviam morrido em um ataque aéreo israelense num área do norte de Gaza próxima à praia.

Segundo fontes israelenses, os mortos nesse ataque eram militantes que tinham disparado foguetes contra Israel.

Os israelenses têm bombardiado áreas do norte da Faixa de Gaza com frequência com o objetivo, segundo eles, de impedir que os palestinos façam ataques com foguetes.

A volta dos ataques, diz o Hamas, são uma resposta também à morte de Jamal Abu Samhadana, um importante chefe de segurança no governo liderado pelo grupo.

Ele foi morto na quinta-feira com outras três pessoas em um ataque realizado por Israel com o objetivo de matá-lo. Os israelenses acusam Samhadana de ter realizado vários atentados contra alvos do país.

Abbas

O retorno da violência e o fim da trégua anunciada em 2005 pelo Hamas complicam ainda mais a situação política dentro dos territórios palestinos.

Em uma disputa de poder com o Hamas, que assumiu o governo palestino no início do ano após vencer as eleições parlamentares, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, havia dito que chamaria um plebiscito neste sábado.

A idéia é discutir uma proposta de prisioneiros palestinos em Israel – incluindo membros do Hamas – que, entre outros pontos, determina bases para discutir a criação de um Estado palestino.

Um dos pontos mais polêmicos é a aceitação implícita no documento da existência de Israel – algo que o Hamas não admite.

Abbas condenou os ataques de sexta, dizendo que “o que a força de ocupação israelense está fazendo na Faixa de Gaza é uma guerra de extermínio e uma série de massacres sangrentos”.

Os ataques, porém, podem favorecer uma posição mais extrema dos palestinos em relação a Israel, o que, em tese, também pode favorecer o Hamas.

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