Estudo da Asplan mostra concentração de produção canavieira em indústria - WSCOM

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Economia & Negócios

15/06/2006


Estudo da Asplan mostra concentração

Um levantamento da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan) mostra que enquanto as indústrias sucroalcooleiras estão ampliando sua produção, o número de fornecedores de cana-de-açúcar está diminuindo. O endividamento agrícola e a conseqüente inacessibilidade de crédito, o não repasse da equalização para os produtores nordestinos, o aumento dos insumos agrícolas, e ainda alguns fatores climáticos, como excesso de chuva ou de estiagem, e principalmente o crescente volume de arrendamento de propriedades pelas indústrias sucroalcooleiras são os fatores que contribuem com essa situação.

O confronto de dados entre a safra 1983/1984 com a 2005/2006 ilustra bem essa conjuntura. Enquanto que na primeira, os fornecedores foram responsáveis pela produção de 3,3 milhões de toneladas, o equivalente a 66% do volume total de cana-de-açúcar, a indústria produziu 1,6 milhão. Na segunda, a situação se inverteu. Os fornecedores produziram 1,3 milhão e as indústrias 2,9 milhões. Os fornecedores já chegaram a produzir 66,75% do total de cana-de-açúcar da Paraíba, na safra 1983/1984. Na safra 2005/2006, esse percentual caiu para 30,83%.

Segundo o presidente da Asplan, Raimundo Nonato Siqueira, essa constatação é preocupante, pois comprova a concentração de terras na indústria e o declínio do fornecedor. “A continuar desse jeito, o fornecedor de cana irá desaparecer e isso causará um desequilíbrio no campo”, argumenta. Entre as implicações, ele cita o aumento do desemprego e do êxodo rural. “Os produtores empregam bem mais pessoal que as usinas e por uma questão de tradição e necessidade o produtor mora na propriedade e em não tendo mais produção, o que ele vai ficar fazendo no campo?”, questiona Nonato.

Na safra 1986/1987, o Estado da Paraíba contava com um contingente de 2.154 fornecedores de cana. Vinte anos depois esse montante foi reduzido para 1.091, mas já chegou a um número crítico de apenas 498 fornecedores, na safra 2000/2001. Para o dirigente da Asplan, essa diminuição significa um contra-senso. “Estamos vivendo um cenário altamente favorável para o setor, o melhor que já se viveu, internamente com o advento dos carros flex e internacionalmente, com o aumento das exportações de álcool, mas esse boom só está atingindo a indústria”, disse Nonato.

Segundo o dirigente da Asplan, o preço pago pela tonelada da matéria-prima é um dos motivos dessa disparidade. “O usineiro está arbitrando o preço e penalizando o fornecedor, que hoje tem mais vantagens econômicas arrendando suas terras do que produzindo”, argumenta Nonato. Atualmente, uma tonelada de cana padrão equivale a R$ 55,5, quando o ideal, segundo a Asplan, era pelo menos R$ 60.

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