De olho na vaga, Brasil testa´operação salva-Ronaldo´ - WSCOM

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Brasil & Mundo

17/06/2006


De olho na vaga, Brasil

Todos por Ronaldo. Recuperar o atacante e artilheiro da última Copa do Mundo é tão importante para a seleção quanto a partida deste domingo contra a Austrália, às 13h (horário de Brasília), em Munique.

Em má fase técnica e física, o maior destaque da equipe nos dois últimos Mundiais já começa a ser questionado e pode perder a condição de titular caso repita a apagada atuação que teve diante da Croácia.

O jogo frente aos australianos é considerado ideal para a redenção do “Fenômeno”, substituído em Berlim por Robinho aos 23min do 2º tempo. O adversário não tem o mesmo nível do anterior — ocupa o 42º lugar no ranking da Fifa, enquanto os croatas estão na 23ª posição –, não existe mais o fator “estréia” e a vitória pode deixar o Brasil muito perto das oitavas-de-final.

Para se classificar neste domingo, a seleção precisa vencer e torcer por um empate entre Japão e Croácia, que jogam às 10h (horário de Brasília).

Desde a última quarta-feira a seleção se mobilizou em torno do atacante. Principalmente após o episódio “tonteiras”, último capítulo do conturbado cotidiano de Ronaldo desde que o jogador se apresentou ao técnico Carlos Alberto Parreira, no dia 22 de maio, na Suíça.

Ele foi o melhor do mundo três vezes. Queremos um Ronaldo vibrante

CafuO camisa nove não se sentiu bem durante a folga de quarta-feira e foi levado a uma clínica em Frankfurt para fazer uma série de exames. Nada foi constatado e Ronaldo treinou normalmente na quinta-feira.

Parreira, então, confirmou o atacante no time e alegou que o passado do artilheiro na seleção deve ser respeitado. Sempre, é claro, deixando nas entrelinhas que o time pode ser alterado caso os resultados não sejam satisfatórios.

“Ele foi o melhor do mundo por três vezes, sabe bem o que pode e não pode fazer. Apenas queremos um Ronaldo vibrante”, disse Cafu. “Ronaldo está tranqüilo. É meu amigo e estarei com ele para o que for preciso”, acrescentou Roberto Carlos.

Responsável pelo lançamento de Ronaldo na seleção, em 1994, Parreira, ao melhor estilo “paizão”, também demonstrou o seu apoio. “Ele precisa de motivação. Temos conversado, estado juntos na concentração. O jogador está muito tranqüilo, superou bem os problemas dos exames médicos, de ter saído do time, de não ter jogado bem”, discursou.

GOLEADA EM FINAL

Será o primeiro confronto em Copas do Mundo. Mas Brasil e Austrália já fizeram uma final e uma decisão de 3º lugar em outra competição da Fifa, a Copa das Confederações. Em 1997, o Brasil de Romário (foto) foi campeão com 6 a 0 na final. Já em 2001, a Austrália venceu por 1 a 0 e ficou com o bronze.

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Principal jogador da seleção até a consagração de Ronaldinho Gaúcho, melhor do mundo segundo a Fifa nas últimas duas temporadas, Ronaldo tem colecionado problemas e pequenas crises antes e durante a sua quarta Copa do Mundo.

Segundo a própria comissão técnica, o atacante se apresentou acima do peso. Seu nível de percentual de gordura também não era o ideal. Questionado, Ronaldo acusou a imprensa de perseguição.

Nesse período, o atacante também sofreu com bolhas nos pés. O problema o tirou do segundo tempo do amistoso contra a Nova Zelândia. Com febre, faltou ao treino em Offenbach (Alemanha). Cutucou o presidente Lula ao saber que o mandatário havia perguntado a Parreira em uma videoconferência se o atleta estava realmente gordo. Fora os exames repentinos.

“Ele pode parecer adormecido, mas segue perigoso. Ele pode definir uma partida em um ou dois segundos”, avaliou o técnico da Austrália, Guus Hiddink. “Mesmo em má fase é um dos melhores atacantes do planeta”, emendou o capitão Mark Viduka, demonstrando respeito ao madrileno.

Dois jogadores, em tese, disputam a vaga de Ronaldo. O substituto natural é Robinho, colega de Real Madrid e atacante. Neste caso Parreira não desmontaria o badalado “quadrado mágico”, esquema ofensivo adotado pelo treinador desde o início do ano passado.

Reuters

O técnico Hiddink (esq.) e o capitão Viduka têm receio de Ronaldo

A outra opção seria Juninho, astro do Lyon e titular até o Brasil passar a jogar com os quatro homens de frente. “Podemos mudar nomes ou o sistema, mas apenas se houver necessidade”, reiterou Parreira.

Ronaldo à parte, outra aflição do comandante é a força física da Austrália. Parreira tem destacado que o próximo rival brasileiro apostou na preparação física e tem jogadores altos e fortes.

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