Corinthians revê Lopes e fica na zona de descenso - WSCOM

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02/06/2006


Corinthians revê Lopes e fica

O técnico que deu ao Corinthians o título do Campeonato Brasileiro no ano passado contribuiu, nesta quinta-feira, para o time alvinegro chegar à zona de rebaixamento do torneio de 2006.

No primeiro confronto com seu ex-comandante Antônio Lopes, que agora dirige o Goiás, a equipe do Parque São Jorge foi superada por 1 a 0 no Morumbi e passou a figurar entre os ameaçados de queda para a segunda divisão.

A derrota para o time de seu ex-treinador foi a terceira consecutiva do Corinthians nesta temporada. O time alvinegro estacionou nos nove pontos e agora ocupa a 17ª colocação da tabela do Campeonato Brasileiro.

Em rota descendente, o Corinthians confirmou o péssimo aproveitamento do técnico Geninho desde que chegou ao Parque São Jorge. O comandante estreou com triunfo por 4 a 2 sobre o Vasco, depois de estar perdendo por 2 a 0, e engatou a atual série de derrotas.

Os três resultados negativos seguidos, aliás, podem ser explicados pela queda de rendimento do ataque do Corinthians. O time alvinegro não marca um gol sequer desde a vitória sobre o Vasco, no dia 21 de maio, e já ostenta um jejum de 270 minutos sem balançar as redes.

“Está faltando um pouco de tranqüilidade, principalmente na hora de concluir. O Goiás é um time muito bem montado, mas nós conseguimos achar espaço. Só que não fizemos a bola chegar aos homens da frente”, criticou o volante Marcelo Mattos.

A seqüência de Geninho como técnico do Corinthians só não é pior porque o comandante alvinegro ainda não teve todos os titulares à disposição. A extensa lista de desfalques voltou a aparecer nesta quinta-feira. Sem oito jogadores, ele precisou até improvisar o ex-júnior Carlão, que é volante, na lateral esquerda.

VELHOS CONHECIDOS

No Brasileiro do ano passado, Antônio Lopes foi campeão com o Corinthians e Geninho levou o Goiás a um histórico terceiro lugar, que colocou a equipe esmeraldina na Libertadores pela primeira vez em sua história.

Lopes deixou o Corinthians depois de uma derrota por 2 a 1 para o São Paulo, no dia 12 de março de 2006, e estava sem emprego. Ele só voltou a trabalhar justamente para substituir Geninho, que deixou o Goiás no dia 14 de maio e migrou para o Parque São Jorge.

Por conta disso, o duelo desta quinta-feira teve um aproveitamento muito positivo das duas defesas. “Por conhecer muito bem o Goiás, sei que eles têm muita qualidade. E eles se comportaram exatamente de acordo com o que eu havia previsto”, confessou Geninho.

Antônio Lopes também demonstrou conhecimento acerca do Corinthians e não se assustou com a condição da equipe alvinegra no Campeonato Brasileiro. “Eles não vão brigar contra o rebaixamento até o fim do ano. Eles têm qualidade e vão reagir. O grupo é muito bom e o Geninho é competente”, elogiou.

“Ainda não tive um time inteiro para trabalhar. Tivemos muitos problemas nas partidas anteriores, como o fato de termos enfrentado o Internacional sem nenhum atacante de ofício. Mas também não pudemos contar com algumas peças importantes contra o Goiás”, lamentou Geninho.

Mais tranqüilo que o Corinthians, o Goiás venceu o segundo jogo consecutivo no Campeonato Brasileiro. Apesar de ter perdido dois jogadores na etapa final (Júlio Santos e Luciano Almeida foram expulsos), o time esmeraldino segurou o Corinthians. Assim, chegou a 17 pontos, a apenas dois do líder São Paulo, e manteve o sexto posto.

O Goiás, que até 14 de maio deste ano era dirigido por Geninho (atual treinador do Corinthians) ainda ratificou o estigma de só fazer gols depois do intervalo neste Campeonato Brasileiro. A equipe ainda não marcou antes do intervalo na competição nacional.

“Apresentamos uma postura muito inteligente diante do Corinthians. Nossa equipe marcou bem, soube anular as principais armas do adversário e aproveitou a oportunidade que teve para ganhar a partida”, comemorou o treinador esmeraldino Antônio Lopes.

No próximo domingo, Corinthians e Goiás farão a última aparição no Campeonato Brasileiro antes da paralisação para a disputa da Copa do Mundo. O time alvinegro receberá o Flamengo, às 16h, no Morumbi, e a equipe esmeraldina vai encarar o Paraná Clube, no Serra Dourada, às 18h10.

O jogo

Até o início desta temporada, Geninho era treinador do Goiás e Antônio Lopes dirigia o Corinthians. Agora em lados trocados, os dois comandantes se reencontraram nesta quinta-feira. E o conhecimento fez com que os sistemas defensivos superassem os ataques no duelo do Morumbi. As principais armas de ambos os lados foram anuladas desde o início, o que motivou um primeiro tempo com poucas emoções.

O MAIOR JEJUM

O aproveitamento ofensivo do Corinthians nas três últimas rodadas do Campeonato Brasileiro é o pior do clube alvinegro desde a assinatura do contrato de parceria com a MSI. A empresa, que trouxe um aporte financeiro superior a R$ 150 milhões e reforços de peso, nunca havia acompanhado uma série tão grande do clube sem balançar as redes.

O Corinthians não marca um gol sequer desde o dia 21 de maio, quando superou o Vasco por 4 a 2. Desde então, passou em branco nas derrotas para Internacional (1 a 0), Santos (2 a 0) e Goiás (1 a 0).

“Em relação à partida contra o Internacional, nem vou considerar porque não tivemos ataque [Tevez foi convocado para a Copa, Nilmar estava machucado e Rafael Moura cumpriu suspensão]. Ainda criamos alguma coisa contra o Santos, e só hoje [quinta-feira] é que o volume foi menor”, minimizou o treinador Geninho.

Antes da fase atual, o pior momento do ataque do Corinthians desde a temporada passada aconteceu durante o Brasileiro de 2005, quando a equipe alvinegra era dirigida por Márcio Bittencourt e ficou dois jogos consecutivos sem marcar (derrota por 2 a 0 para o São Caetano, no dia 6 de agosto, e empate por 0 a 0 com o Internacional, no dia 10 de agosto).

A morosidade da etapa inicial também foi causada pelo estado do Corinthians. Desfigurado pelo excesso de desfalques (Tevez, Mascherano e Ricardinho estão na Copa do Mundo, Rubens Júnior cumpriu suspensão e Edson, Gustavo Nery e Carlos Alberto estão no departamento médico), o time alvinegro adotou postura contida. Recuado, marcando muito atrás, o dono da casa ainda contou com atuação apagada de Roger para produzir pouco.

“Nós concentramos muito o jogo no lado esquerdo do campo. Faltou fazer a bola girar para podermos abrir espaço. Assim fica complicado para os atacantes participarem da partida”, reclamou o atacante Nilmar, que foi pouco acionado durante a etapa inicial.

Diante de um rival extremamente recuado, a despeito do fato de atuar como visitante, o Goiás teve mais posse de bola no primeiro tempo. Contudo, o time esmeraldino também apresentou falta de criatividade em seu meio-campo, e só levou perigo em investidas do ala Jadílson. Foi ele que, aos 29min, invadiu a área pela esquerda e bateu forte. Sílvio Luiz espalmou no meio do gol, e Roni, no rebote, chutou em cima de um defensor.

Para tentar acabar com o marasmo do primeiro tempo, o técnico Geninho cobrou uma ação ofensiva mais aguda do Corinthians pelos lados do campo. O time alvinegro passou a ter domínio da posse de bola, sobretudo devido à evolução de Rosinei e Roger, que passaram a ser mais participativos.

COM FORÇA DO CHEFE

O Goiás encontrou muitas explicações diferentes para a vitória sobre o Corinthians, nesta quinta-feira. Enquanto o lateral-esquerdo Jadílson e o técnico Antônio Lopes preferiram enaltecer o desempenho da equipe, o volante Danilo Portugal usou a preleção como justificativa para o triunfo.

“O Lopes falou com a gente de uma forma muito positiva e passou um ânimo extra para todos os jogadores. Entramos em campo com muita vontade e isso se deve às coisas que ele conversou com a gente”, revelou o camisa 8 do Goiás.

Com postura diferente, o lateral-esquerdo Jadílson elogiou a atuação do time esmeraldino: “Fomos bem no jogo inteiro. Mostramos competência, dominamos o primeiro tempo e trabalhamos bem até chegar à vitória”.

O técnico Lopes endossou as palavras de Jadílson sobre o desempenho do Goiás. “Nós marcamos muito bem. O Nilmar, por exemplo, não jogou. A defesa foi segura e o ataque soube ser eficiente”, comemorou.

Quando o Corinthians era melhor em campo, contudo, o Goiás abriu o placar. Jadílson cobrou falta com categoria aos 6min e colocou a bola no ângulo direito do goleiro Sílvio Luiz, que não conseguiu alcançar. “A nossa principal virtude foi a segurança. Tivemos uma postura sólida na defesa e pudemos atacar só na boa”, ponderou o volante esmeraldino Danilo Portugal.

O gol fez o Corinthians se abrir mais, e deu ao Goiás a oportunidade de contra-golpear. Só que os visitantes perderam o zagueiro Júlio Santos, expulso aos 17min por falta dura sobre o lateral-direito Coelho, e abdicaram de ameaçar os donos da casa.

Com espaço, porém, a equipe alvinegra evidenciou a falta de competência de seus armadores. Nem Roger (que começou como titular), nem Marcelinho e Renato (que haviam entrado no segundo tempo) conseguiram fazer a bola chegar aos atacantes Nilmar e Rafael Moura.

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