Celulares nos presídios: agentes intensificam fiscalização; 118 aparelhos já for - WSCOM

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Policial

11/06/2006


Celulares nos presídios: agentes intensi

EXCLUSIVO –Eles entram escondidos em sapatos, recheando comida e até dentro de genitálias. Não se descarta também a cumplicidade com o estafe de segurança. Mas o que mais impressiona sobre a presença de celulares em presídios é a quantidade: entre janeiro e maio deste ano, 118 aparelhos foram apreendidos dentro das celas paraibanas – um volume que não permite equívoco: os nossos presos têm contato direto com o mundo exterior.

Para a Administração Penitenciária, o número é positivo: indica que as fiscalizações – mais constantes ao longo de 2006, especialmente depois dos conflitos em São Paulo – estão conseguindo fazer o que as operadoras de telefonia móvel se recusam: bloquear a comunicação dos presos.

Os dados mostram que, em menos de seis meses, se conseguiu fazer mais apreensões do que todo o ano de 2005. Ano passado, a contabilidade fechou em dezembro com o saldo de 115 aparelhos apreendidos.

‘O trabalho desenvolvido pelos agentes penitenciários tem surtido efeito’, diz uma fonte da Administração Penitenciária.

Os celulares se tornaram alvos da maioria das ações de fiscalização, batizadas pelos agentes de Operação Pente Fino. E por um bom motivo: a cotação de um telefone móvel subiu mais do que as armas dentro dos presídios.

O termômetro está no saldo das fiscalizações. Nos últimos meses, as poucas armas encontradas são artesanais, fabricadas de forma improvisada com material que os detentos encontram dentro dos presídios.

A maioria dos celulares são da marca Sansung, compactos e com tecnologia de ponta.

‘É devido a facilidade na condução, pois as pessoas utilizam diversas maneiras para tentar entrar com os aparelhos nos presídios’, explica o delegado Ivonilton Wanderley, da Coordenadoria do Sistema Penitenciário do Estado (Cosipe).

Além da disposição desmedida dos detentos, o coordenador da Cosipe ainda enfrenta mais um problema para efetivar o bloqueio da comunicação dentro das celas: ‘Não existe nenhuma legislação que puna quem é flagrado com aparelho celular em presídios’, lembra Wanderley.

Na tentativa de diminuir ou evitar a entrada de celulares a direção do Presídio do Roger tomou uma decisão. As feiras para os detentos são entregues pelos familiares nas quintas-feiras. As visitas íntimas ocorrem nas quartas-feiras e dos familiares e amigos nos domingos. Com a divisão, ganha-se tempo para revistar as comidas, as entranhas e os sapatos dos parentes.

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