Argentina, desconfiada, desafia força africana em estréias - WSCOM

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10/06/2006


Argentina, desconfiada, desafia força af

A seleção da Argentina inicia sua trajetória na Copa do Mundo da Alemanha ressabiada. Ainda sob o trauma da eliminação precoce e dolorida na primeira fase da edição de 2002, a equipe hoje dirigida por José Pekerman mostra otimismo, mas não abandona a cautela, principalmente por enfrentar na estréia, neste sábado, uma equipe africana, que representa o que de mais surpreendente tem ocorrido nos últimos Mundiais.

E o técnico José Pekerman decidiu deixar no banco de reservas dois dos principais nomes da nova geração argentina: os atacantes Carlitos Tevez e Lionel Messi.

Debutante na Copa, a Costa do Marfim estará no gramado do estádio de Hamburgo, às 16h (horário de Brasília), com a responsabilidade de dar continuação às traquinagens praticadas pelas seleções da África, já que nas nove oportunidades que uma equipe daquele continente fez sua estréia no Mundial, venceu quatro.

Em contrapartida, a Argentina venceu o único confronto que realizou contra a Costa do Marfim, por 4 a 0, em um amistoso disputado em 1992. Para completar, nos últimos 15 jogos contra africanos, a equipe só perdeu um, justamente em uma estréia de Copa, contra Camarões, em 1990.

Durante toda a última semana de preparação para a primeira rodada, a seleção argentina até que tentou, mas não conseguiu manter enterrado no passado o fracasso na Copa do Japão e da Coréia do Sul, quando a equipe chegou como uma das favoritas por ter feito a melhor campanha nas eliminatórias sul-americanas e acabou eliminada na primeira fase.

“Estamos cientes da pressão que sofremos e, por dentro, estamos ansiosos por jogar e ávidos pelo sucesso”, afirma o lateral-esquerdo Sorín, capitão e um dos poucos remanescentes da equipe eliminada na última Copa e que trata a experiência como “o trabalho inacabado” que pode “servir de estímulo” para atingir a conquista do título, 20 anos depois de Maradona ter liderado a Argentina para o seu bicampeonato.

A queda na Ásia, porém, logo fica para trás para os argentinos, que acreditam plenamente no sucesso, mesmo que as declarações escondam uma ponta de desconfiança. “Tentaremos jogar sete jogos nesta Copa, e acho que a Argentina fará uma boa campanha”, declarou o técnico José Pekerman.

Mas para a campanha começar de forma bem-sucedida a Argentina terá de superar a ansiedade da estréia, que tem dominado não só os jogadores, mas os próprios torcedores, que às vésperas do início da Copa ainda condicionavam o sucesso da equipe à eventual classificação na primeira fase. O objetivo é bater a Costa do Marfim e abrir vantagem no ‘grupo da morte’, que inclui ainda Holanda e Sérvia e Montenegro, que se enfrentam na manhã do domingo.

“É preciso ganhar de qualquer maneira na estréia”, diz Sorín, que avalia que “com cinco ou seis pontos nos classificamos”.

Vencer uma equipe africana na estréia, no entanto, não é tão simples quanto parece. Ainda mais quando se trata da Costa do Marfim, que surpreendeu ao eliminar Camarões das eliminatórias africanas, chegou ao vice-campeonato na última Copa das Nações do continente e ainda conta com a experiência internacional de jogadores como os zagueiros Eboué e Touré, do Arsenal, e o atacante Drogba, do Chelsea.

“Estamos prontos para o ‘dia D’, mas o único fator desconhecido é como iremos controlar os estreantes, a parte emocional, porque é a primeira vez para todos”, advertiu Henri Michel, o francês que dirige a Costa do Marfim, que chega a sua quarta edição de Copa do Mundo como técnico.

Michel, no entanto, não vê o debute marfinense na Copa como inibidor para a seleção botar em prática tudo o que fez durante a fase de preparação, que, segundo o técnico, foi a mais bem feita possível. “Respeitamos um plano e fizemos tudo para estarmos no máximo na estréia. Estamos com moral e confiantes”.

Confiança, aliás, não falta para Didier Drogba, ídolo maior do país. Em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira, o atacante provocou a Argentina, afirmando que a experiência do adversário por já ter vencido duas Copas “não quer dizer grande coisa, já que eles caíram na primeira fase da última Copa”.

Argentina

Abbondanzieri; Burdisso, Ayala, Heinze e Sorín; Cambiasso, Mascherano, Riquelme e Maxi Rodríguez; Saviola e Crespo

Técnico: José Pekerman

Costa do Marfim

Tizié; Eboué, Méité, Kolo Touré e Boka; Yaya Touré, Kalou, Zokora e Akalé; Arouna Dindané e Drogba

Técnico: Henri Michel

Local: Estádio de Hamburgo, em Hamburgo

Capacidade: 45.442 lugares

Árbitro: Frank de Bleeckere (BEL)

Assistentes: Peter Hermans (BEL) e Walter Vromans (BEL)

Horário: 16h (de Brasília)

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