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Em penúria financeira, PM do Rio quer cobrar por segurança em estádios

Um PM que trabalhar num turno de 8 horas para um jogo, custaria ao clube R$ 50 por hora, ou R$ 400 por dia

Créditos: Gazeta Press

A Polícia Militar do Rio espera com grande expectativa a aprovação de um projeto de Lei que determina que os clubes do Rio paguem pelo policiamento feito por PMs em dias de jogos. De acordo com o texto, um jogo como o de domingo, entre Botafogo e Flamengo, renderia aos cofres públicos cerca de R$ 60 mil, se tivessem sido utilizados os cerca de 150 policiais previstos. O projeto que institui a "Taxa de Segurança Preventiva" está sendo analisado pela Comissão de Constituição de Justiça da Assembleia Legislativa do Rio.

A proposta é que a PM receba uma compensação financeira pelo trabalho dos policiais que são deslocados do policiamento de outras áreas do Estado, para atender aos eventos. No texto, há uma proposta financeira que divide os valores por carga horária. Um PM que trabalhar num turno de 8 horas para um jogo, custaria ao clube R$ 50 por hora, ou R$ 400 por dia. Os valores foram baseados na UFIR-RJ e seriam pagos à Secretaria de Fazenda que seria obrigada à repassá-lo à PM.

"Desse modo, a sociedade estará sendo compensada, pois os recursos arrecadados, deverão ser investidos no aprimoramento e motivação dos policiais, bem como na aquisição de equipamentos", escreveu o autor do projeto, o deputado Rosenverg Reis (PMDB).

A proposta foi elaborada em parceria com o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE), unidade da PM do Rio que faz o policiamento em estádios. Atualmente, o efetivo que trabalha nos estádios não recebe qualquer remuneração por parte dos clubes ou da Federação de Futebol do Rio, muito menos o Estado pela cessão dos policiais.

"Nunca tivemos uma conversa sobre esse assunto. Acho que é algo que deve ser discutido. Quando fazemos o planejamento de um jogo, envolvemos diversos batalhões que deslocam os seus homens para policiar. Na prática, deixam de ser usados em outras áreas da cidade", disse o comandante do GEPE Major Silvio Luiz.

Nos borderôs de jogos, a Policia Militar, de fato, não aparece. As despesas que os clubes têm, atualmente, são com Bombeiros e Segurança Privada. No jogo entre Botafogo e Flamengo, foram gastos pelo alvinegro R$ 51 mil com o serviço.

Nove estados já cobram

Em SP, assim como em outros oito estados, os clubes pagam ao Estado pelo uso dos policiais. A remuneração aos cofres públicos paulistas é bem menor do que a proposta pelo Rio. No jogo entre Palmeiras e Chapecoense, amistoso ocorrido em janeiro, o Governo de SP recebeu cerca de R$ 264 por cada um dos 300 policiais envolvidos, um total de R$ 79,2 mil de arrecadação. Mas, diferentemente do que é proposto no Rio, a Secretaria de Fazenda do estado não é obrigada a repassar a quantia à PM.

Os estados que adotaram a prática são (de acordo com o projeto de lei do deputado): SP, BA, GO, MT, MG, PR, RS, SC e TO. No texto também foram citados países que compartilham os custos com os clubes e entidades que exploram o futebol: Argentina, França e Espanha.

Policiais não receberam pela Olimpíada

No clássico entre Botafogo e Flamengo, no último fim de semana, um torcedor alvinegro, de 28 anos morreu, por disparos de arma de fogo antes da partida, no entorno do estádio Nilton Santos. O caso expôs a redução do policiamento que fazem protestos em todo o país. Onde deveriam estar trabalhando entre 100 e 150 policiais, havia apenas pouco mais de 50.

No Rio, os policiais militares ainda não receberam salários de dezembro, nem décimo terceiro. Também ainda não tiveram depositados os cerca de R$ 42 milhões prometidos pelo Governo Federal pelo trabalho extra durante a Olimpíada.  

Por ESPN


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