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Sinta a Liga, Margaridas e Coco das Manas cantam respeito às mulheres

Os grupos musicais feministas passam uma mensagem de empoderamento e respeito à vida e aos avanços sociais das mulheres em sons variados

Créditos: Reprodução/G1 PB

Para lembrar que mulher não existe apenas em um mês específico, três grupos de mulheres resolveram usar das próprias músicas para tratar uma realidade ainda presente na sociedade: o machismo. Sinta a Liga Crew, Coco das Manas e Margaridas em Fúria passam uma mensagem de empoderamento e respeito à vida e aos avanços sociais das mulheres em sons variados, passando pelo hip hop e rap, coco de roda e punk rock. Os grupos são convidados do programa Som Nascente, do G1 Paraíba.

As Margaridas em Fúria surgiram da necessidade de questionar a política e a sociedade por meio de letras que contestam uma realidade social “discriminatória, rotuladora, machista, fascista, nazista e repressora vivida pelas mulheres e pelas minorias sociais”, como bem explicou a vocalista, Maria Machado. “Somos uma banda formada por mulheres que não gostam de serem rotuladas e estamos presentes e atuantes na cena punk, punk rock e hard core”, completou.

O grupo surgiu no dia 16 de junho de 2016, durante uma reunião informal entre amigos na casa de Gaby, hoje a baterista da banda. Inicialmente, se juntaram para somar a um evento com a temática anti-estupro, que aconteceria dez dia a frente. “Buscamos passar uma mensagem de empoderamento, e manifestamos nossa insatisfação com a atual sociedade que nos poda diariamente. Representamos a mulher na cena punk e passamos a mensagem de repúdio: ao machismo, à cultura do estupro e ao avanço dos retrocessos sociais”, enfatizou Maria.

Com todo repertório formado por músicas autorais, incluindo Sistemas e Discurso que já chegaram na banda praticamente finalizadas por Rayssa e Maria, as Margaridas em Fúria acreditam que a banda “tem aberto portas para que muitas mulheres percebam o quanto é e sempre foi importante a presença delas na cena do rock, principalmente com letras que as empoderam e que mostram o seu valor”.

Formada por Gaby Dias, na bateria, Julianna Lennon, na guitarra, Maria Machado, no vocal, Angie Silva, no baixo e Rayssa Ribeiro, na guitarra, a banda já compôs as músicas Prioridades, Pandora, Excessos, Identidade, Culpada e Meu Corpo, essas últimas revisitadas pelo Som Nascente.

'Faço o que quero e nem preciso que aprove'
Fazendo alusão a uma peça íntima do vestuário feminino, o grupo Sinta a Liga Crew reúne os principais nomes do hip hop feminino da Paraíba, com Julyana Terto, Kalyne Lima (ambas do grupo AfroNordestinas), Camila Rocha e Preta Lange. O DJ e produtor musical Guirraiz, a grafiteira Priscila Lima e a dançarina Giordana Leite também acompanham o projeto que fortalece, potencializa e amplia a visibilidade da produção feminina do hip hop.

Um mês depois de Margaridas em Fúria ganhar a Paraíba, as meninas do Sinta a Liga ganharam seu espaço, com músicas autorais e de forte impacto e repercussão entre as mulheres que se vêem representadas e pautadas pela agenda da banda. “Temos diversas referências, difícil dizer quais, porque somos sete pessoas bebendo nas mais diversas fontes. Atualmente temos pesquisado bastante o rap nacional, sobretudo a produção feminina”, confessou Kalyne Lima, uma das compositoras dos singles Quem Diss e Campo Minado.

Com o primeiro EP em andamento, o grupo avançou rápido. “Inicialmente o Sinta a Liga surgiu como um coletivo feminista de mulheres artistas e produtoras, a fim de promover eventos que tinham como protagonistas, as mulheres. Depois, resolvemos juntar nossos talentos e assumir o palco para mostrar todo o potencial das nossas produções” afirma Camila Rocha.

O projeto estreou em 16 de julho de 2016, abrindo o show da rapper curitibana Karol Conka. Um mês após seu lançamento, levou para a Sala de Concerto do Espaço Cultural, o show "Sinta e Prima", numa apresentação inédita que reuniu as meninas da Orquestra Feminina do Prima (projeto de Inclusão através da música clássica) e as mulheres do Sinta a Liga Crew, acompanhadas pelo Dj Guirraiz. Hoje, o grupo é uma marca registrada na Paraíba com músicas que representam todas as mulheres que vivem, diariamente, cercadas pelo patriarcado, machismo e preconceito, mas que levantam a voz do empoderamento através dos seus talentos.

'Viemos denunciar este tal de machismo'
Utilizando o coco de roda como instrumento de denúncia das opressões sofridas por mulheres, a coletiva Coco das Manas surgiu do improvável. No contexto da mobilização nacional contra a extinção do Ministério da Cultura, em 2016, a Paraíba começou a ganhar uma nova roupagem da música feminina. Os meses de junho e julho foram de novidades em todos os gêneros e o coco de roda também chegou para dar voz à cultura paraibana feita por mulheres.

No início eram aproximadamente seis "manas". “Foram nossos históricos pessoais de tentar tocar coco em alguns espaços onde são protagonizados por homens, a forma como muitas de nós fomos e ainda somos hostilizadas quando tentamos tocar algum instrumento percussivo nesses espaços, que nos levaram a questionar essa realidade”, contou Jô, integrante da coletiva, que hoje reúne pouco mais de 20 mulheres.

Os ensaios atualmente acontecem na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), uma forma democrática de sempre receber mais mulheres interessadas em transformar discursos de opressão através do coco de roda. Hoje, as manas se consideram “uma coletiva feminista que se utiliza do coco de roda como um veículo para ecoar e denunciar todas as opressões que sofremos enquanto mulheres”.

As letras, como Bruxas Libertas e Senhora Maria da Penha, exibidas no Som Nascente, são escritas em coletividade, “em momentos de comunhão, na mesa do bar, na casa das manas, nas nossas aventuras cotidianas”. Os pandeiros foram conduzidos no quinto episódio do Som Nascente por Cinthya Luz, Renata Patrícia e Sabrina Lima. No alfaia está Lais Lacerda, na caixa Mariana Uchôa, nos agogôs Emanuele Costa e Inaê Gazolla e no agbê, Jô Pontes.

“O coco, para nós, vem como instrumento de intervenção feminista, nos utilizamos desse ritmo para falarmos sobre a luta das mulheres, denunciando a violência, o racismo, a LGBTfobia e enfrentamento ao machismo”, declarou.

Por G1 Paraíba


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