A vaia

 

“Feliz o país que pode vaiar um presidente”. Esta frase foi pronunciada por Juscelino Kubitschek após receber uma vaia. E ele tinha razão. Vaiar é uma manifestação coletiva de desagrado, insatisfação. A vaia faz nascer a esperança de que os detentores do Poder, que se mostram indiferentes à sorte do povo, possam compreendê-la como uma advertência, uma mensagem de desagrado, um alerta de que o povo está atento.

Ninguém vaia sozinho, porque na individualidade não produz qualquer repercussão. O ato de vaiar é demonstração pública de desaprovação. Claro que não há quem se sinta confortável ao ser “homenageado” com uma vaia. Mas ela é um legítimo direito de discordar, de criticar, repreender. Revela-se espontânea, brotando da alma do povo. Desde que não aconteça com ofensas pessoais, achincalhes, desrespeito a autoridades constituidas, é comportamento próprio do exercício da democracia.

Pode ser também entendida como uma atitude de desforra. Na impossibilidade de utilizar instrumentos mais eficazes para reagir contra determinadas situações de descontentamento, parte-se para os apupos. O sentimento de repúdio através de gritos revela-se uma linguagem coletiva adotada por todas as civilizações, desde os mais remotos tempos. Interessante é que a vaia tem um efeito contagiante, despertando emoções momentâneas sob a influência de uma maioria. A vaia é sintoma de irritação consensual, o jeito de dizer que a tolerância começa a ser extrapolada. É o juízo crítico do povão.

“A vaia é o aplauso dos descontentes”, conforme dizia Nélson Rodrigues. Portanto, por mais constrangedora que seja, a vaia tem um significado importante e que deve ser bem compreendido pelos que são alvo desse tipo de manifestação pública, o recado de que há uma forte insatisfação transmitida nos apupos. Se for alguém bem intencionado vai se valer de tal episódio desagradável adotando-o com lição de vida. Ao invés de desdenhar do acontecimento, aproveitá-lo para fazer uma autocrítica e procurar identificar os motivos que lhe deram causa. Quem sabe, as vaias de hoje possam se transformar em aplausos do futuro.

 

 


 


O "Conventinho"

 

A boa notícia desta semana foi a assinatura da ordem de serviço pela Prefeitura Municipal de João Pessoa para a restauração do Antigo Conventinho, dando sequência ao projeto de revitalização do Centro Histórico de nossa cidade. Com um investimento em torno de dois milhões e novecentos mil reais, recursos garantidos pelo programa PAC Cidades Históricas, através do IPHAN, a restauração daquele monumento permitirá que seja concluída em final do próximo ano, coincidindo, inclusive, com as comemorações do centenário do início de sua construção.

A atual gestão municipal projeta instalar no local a Biblioteca Municipal e a Escola do Ensino das Artes, transformando-o em espaço de atividades educacionais e culturais da nossa cidade, além de se constituir elemento de grande importância no processo de revitalização do núcleo cidade baixa, compreendido pela Praça Antenor Navarro e o Largo de São Pedro Gonçalves, onde recentemente foi restaurado o Antigo Hotel Globo.

O Convento de São Frei Pedro Gonçalves, erguido no início do século XX, serviu originalmente de residência para os padres franciscanos e o Colégio Seráfico. Após a saída dos franciscanos, aquele conjunto arquitetônico passou por outras ocupações, estando hoje em situação de abandono e degradação. Em 2005 foi iniciada uma obra de restauração, não tendo sido concluída, e negligenciada sem qualquer explicação plausível.

O prefeito Luciano Cartaxo, logo após assumir o governo municipal, tomou para si a responsabilidade de retomar o projeto de restauração daquele importante monumento histórico, conseguindo a aprovação de recursos financeiros para a sua execução. Procedidos os ajustes recomendados pela entidade nacional que cuida da preservação do nosso patrimônio cultural, ( IPHAN), determinou o início dos serviços nesta semana.

Trata-se de uma ação que oferece forte contribuição para consolidação e incremento da revitalização do nosso Centro Histórico, notadamente na cidade baixa, transformando, assim, em realidade um sonho acalentado há décadas pelos paraibanos.


O grito de independência

 

O mais célebre grito de independência da nossa história foi proclamado em 1822, por Dom Pedro I, nos libertando da condição de colônia portuguesa. Decorridos quase dois séculos, esse grito continua sendo necessário ecoar, como manifestação de apreço à liberdade, à soberania nacional e a luta contra a dependência cultural, política e econômica, imposta pelo domínio de pensamentos conservadores.

Não podemos continuar dependentes de conceitos arcaicos do “fazer política”, produzindo uma postura que inibe a liberdade de pensar e de agir. Temos sido ao longo desse tempo vítimas da subordinação à dinâmica da economia internacional, à ingerência de potências estrangeiras e a práticas políticas que agridem os princípios democráticos.

Enquanto persistirem as desigualdades e injustiças sociais, não podemos “bater no peito” e aclamar nossa soberania. Continuamos dependentes de paradigmas que em nada contribuem para a afirmação de uma nação que possa se considerar livre de qualquer tipo de subalternidade. Permanecemos sujeitos a uma cultura política que marginaliza e segrega  classes sociais, promove a miséria e estimula a corrupção.

Existe uma estratégia montada para inibir os gritos de rebeldia, os questionamentos, as insurreições, urdida por setores internalizados nos poderes constituídos (executivo, legislativo e judiciário) ou articulada por uma mídia com fortes amarras políticas, desprezando a isenção que se espera de um jornalismo sério e responsável. O novo grito de independência surge na voz rouca das ruas, no clamor por ética na política, nas mobilizações populares, nas cobranças, na fiscalização. A inércia, a passividade, o comodismo, contrariam qualquer formulação de luta pela liberdade, pela independência individual ou coletiva.

O grito de independência que festejamos neste sete de setembro não pode ser considerado apenas um brado em favor da nossa autonomia nacional, mas deve servir de símbolo da coragem de se posicionar contra tudo o que venha comprometer nossa liberdade, enquanto povo e enquanto cidadãos. Ficar com esse grito contido é admitir a submissão, a obediência irrestrita, o servilismo, por questões de sobrevivência ou de apego a interesses individuais.
 


A preservação do acervo cultural da cidade

 

João Pessoa, em razão da sua condição de terceira cidade mais antiga do Brasil, possui um dos mais ricos acervos histórico, artístico e arquitetônico do país. Isso é motivo de orgulho para todos nós paraibanos e poderá ser um referencial importante como atrativo turístico de nossa capital.

Desde a década de oitenta ouço falar em projetos de revitalização do nosso Centro Histórico, quando da realização de um convênio com o governo espanhol, oportunidade em que passou a integrar o Programa de Preservação do Patrimônio Cultural Íbero-América. Todo mundo a partir de então passou a falar nesses projetos com amor, com paixão, com entusiasmo. Mas na prática pouco se fez. Continuamos sonhando.

 Vejo com otimismo as ações desenvolvidas pela atual administração municipal no sentido de fazer com que a revitalização do Centro Histórico de João Pessoa deixe de ser um sonho e se transforme efetivamente em realidade. Os projetos foram resgatados e atualizados no propósito de serem concretizados. Alguns já entregues à população como a Casa da Pólvora, o Hotel Globo, as novas praças João Pessoa, da Independência e 1817, além da Galeria Augusto dos Anjos e o novo Parque da Lagoa Solon de Lucena. Outros já foram licitados e terão as ordens de serviço assinadas nos próximos dias: Conventinho e Antiga Alfândega, onde funcionarão a Biblioteca Municipal, Escola de Artes e o Museu Colônia.

O fato real é que afinal há uma decisão política de promover a recuperação do patrimônio cultural do Centro Histórico de João Pessoa, inserindo-o no processo de desenvolvimento sócio-econômico de nossa cidade.

O Porto do Capim, onde a cidade nasceu, às margens do rio Sanhauá, passará por uma transformação, não só na melhoria de acessibilidade e modernização de sua estrutura, como também no resgate, restauração e requalificação de monumentos ali localizados, fazendo daquele ambiente um complexo turístico, econômico e cultural.

O prefeito Luciano Cartaxo não tem feito segredo de que tomou para si a responsabilidade de fazer com que os sonhos acalentados há décadas sejam transformados em realidade, estimulando ao mesmo tempo a restauração do acervo cultural privado, reformulando os sistemas normativos e assim garantindo eficiência na gestão integrada das áreas tombadas pelo IPHAN e IPHAEP.

Não tenho dúvidas de que estamos vivendo um tempo em que a vontade de governo se impõe como determinante para que possamos, cada vez mais, ter orgulho do nosso patrimônio histórico-cultural. Sou testemunha dessa determinação e tenho participado com euforia das gestões políticas e administrativas que vêm sendo desenvolvidas para alcance desse objetivo, sempre contando com parcerias importantes de instituições como o IPHAN, IPHAEP e outras organizações voltadas para a promoção do patrimônio cultural de nossa capital.

 


 


A alarmante ameaça social do "crack"

 

A sociedade moderna está em pânico e pede socorro. Uma aura de horror se estabeleceu entre nós. O medo toma conta das famílias brasileiras, assustadas com o poder avassalador dessa droga chamada crack. Estamos caminhando para algo que pode ser classificado como genocídio. Há uma profunda crise social e nos sentimos impotentes ante essa estarrecedora realidade.

O crack se faz presente em todos os ambientes de nossa convivência social e é aí que reside o grande perigo. As famílias são surpreendidas com o vício invadindo seus lares. Gerado pela cocaína, o crack chegou para arrasar gerações que buscam sensações diferentes, principalmente jovens que por inexperiência se aventuram em conhecer o seu efeito. E então acontece o pior, a dependência da droga se afirma na primeira vez que fuma. Mata os seus usuários, traz a ruína para muitas famílias e contribui para o aumento da criminalidade.

As consequências nocivas do seu uso são tão fortes que os traficantes não integram o grupo de viciados, porque conhecem o seu potencial destruidor.
O crime organizado vem investindo pesado no seu tráfico. Ele está nas grandes e pequenas cidades, nas periferias e bairros nobres, é uma praga que se alastra numa velocidade impressionante.

Ao vermos reportagens que mostram as cracolândias nos estarrecemos com aqueles cenários. Homens e mulheres, jovens e idosos, maltrapilhos, sujos, descabelados, desdentados, perambulando pelas ruas, sem sono e sem fome, como se fossem zumbis. É um quadro desolador.

O desafio de enfrentar essa chaga social não é exclusiva dos poderes públicos, da polícia ou da medicina, mas sim de toda a sociedade. Claro que clamamos por políticas públicas de combate ao império do crack , tanto no que digam respeito à área curativa, quanto na sua repressão, e mais ainda, na prevenção, onde reside a raiz do problema. No entanto, há que incorporarem nessa luta, todos os setores organizados da sociedade civil, igreja, escolas, empresas, sindicatos, etc. Os pais devem ficar cada vez mais atentos ao comportamento dos seus filhos, se permitindo assim agir a tempo quando ameaçados pela intervenção maléfica da droga na sua família.

É triste ouvir relatos, tanto de viciados, quanto de seus familiares, narrando a tragédia em que se viram vitimados. Pais de drogados se condicionarem a pagar dívidas contraídas por seus filhos, por medo de represálias dos traficantes. Algo inimaginável há algum tempo atrás.

O importante é unirmo-nos nessa batalha. Não podemos perder essa guerra, do contrário seremos todos tragados pelo seu poder de destruição

 

 

 


"Vitória de Pirro"

 

Muitas vezes vemos pessoas comemorando vitórias que podem ser consideradas inúteis. Se analisarmos bem, elas trazem mais prejuízos do que vantagens. Rapidamente se desperta para a consciência de que não valeu muito a pena sua conquista. O esforço empreendido pode até, circunstancialmente, parecer algo merecedor do sacrifício exigido, mas seu resultado produz consequências irreparáveis.

A expressão nasceu da manifestação do rei Pirro, após a batalha de Ásculo, quando perdeu um número considerável de soldados. Ao felicitar seus generais teria afirmado: “se formos vitoriosos em mais uma batalha contra os romanos, estaremos completamente arruinados”.

Existem lutas que são abraçadas por influências emocionais ou pelo simples desejo de vencer o inimigo a qualquer custo, mesmo que isso não traga qualquer benefício. Ou até pior, sabendo que terão efeitos contrários ao que efetivamente se deseja. Mas, o que importa na hora da batalha é aquela ânsia de derrotar o adversário, por pura jactância, a necessidade de mostrar que tem o poder e que deterá o controle da situação.

O mais trágico é que a maioria dos que se incorporam na contenda, não tem noção dos riscos que corre no “day after”. São “inocentes úteis” monitorados por quem tem objetivos pessoais que se distanciam das motivações a que são induzidos para abraçarem a causa. Quando percebem o erro, é tarde demais. Só resta lamentar e purgar os pecados cometidos.

Fico triste quando vejo as comemorações das “vitórias de pirro”. Aquelas que não pertencem a muitos que se julgam vencedores, porque em nada se apresentará como ganhos efetivos. É quase como se tivesse dando um salto no escuro, mas na sensação de que é a alternativa que lhe sobra. Uma aposta alta. O triunfo com gostinho de derrota, uma vez que não há perspectiva evidente de proveitos. Pelo contrário, há sinalização clara de perdas, danos.

Quando estivermos prestes a enfrentar um combate, é imprescindível que analisemos todos os perigos e ameaças que ele nos oferece, evitando assim possíveis arrependimentos, mesmo que as vitórias sejam alcançadas. As celebrações das “vitórias de pirro” são momentâneas, desaparecem com uma rapidez impressionante. Somos impactados muito cedo pela realidade que teimamos em não enxergar no tempo certo.


 


O debate propositivo

 

Faz muito bem o prefeito Luciano Cartaxo quando decide manter-se no discurso propositivo durante os debates que tem participado na atual campanha. É natural que os candidatos que lhe fazem oposição provoquem a discussão, a partir de ataques, muitas vezes irresponsáveis e desprovidos de informações verdadeiras, com o intuito único de tentar desconstruir a imagem positiva da sua gestão, formada perante a opinião pública. É uma armadilha que está sendo bem enfrentada.

A população quer ouvir proposituras que sinalizem a melhoria da qualidade de vida do cidadão. O eleitor deseja conhecer do atual prefeito a prestação de contas da gestão que está por encerrar, na divulgação do que fez em favor da cidade, ao mesmo tempo em que espera a apresentação de novas ideias para o eventual segundo mandato.

E é isso que tem procurado fazer, impondo-se numa postura de elegância, não se permitindo descer ao nível do debate simplesmente da troca de acusações. As agressões gratuitas e oportunistas não ajudam em nada a prática da democracia. Pelo contrário, contribuem para que se desvirtuam os reais propósitos de um debate que tem o objetivo de mostrar ao eleitor quem melhor está preparado para governar a cidade.

O atual prefeito não se recusa a responder as críticas que lhes são feitas, oportunizando a que possa esclarecer equívocos estrategicamente divulgados no período eleitoral. Entretanto, tem se negado a ir ao confronto puramente de ataques pessoais, evitando oferecer combustível para incendiar uma discussão estéril que só interessa aos apaixonados políticos. A tranquilidade é a arma mais eficaz para vencer as ofensas. Já se foi o tempo em que as pessoas ficavam ansiosas em ver nos debates as brigas, as explosões de raiva, o desrespeito. Nos tempos atuais existe uma consciência cívica que reclama a apresentação de planos objetivos de governo, ideias que convençam os eleitores de que o seu voto será bem definido na hora de escolher quem poderá ser o melhor prefeito de sua cidade.

O que me surpreende é que existem candidatos que apresentam ataques sem perceberem que têm efeito bumerangue. Quem conhece a história política recente sabe que a prática da acusação posta, melhor se enquadra no comportamento de seus correligionários. O equívoco é facilmente percebido por quem está assistindo o debate.

A troca de farpas é demonstração de falta de propostas para execução de um governo que se pretenda assumir. O bem intencionado concentra o foco de seus pronunciamentos na definição de como será seu comportamento enquanto gestor do município, ficando longe das querelas alimentadas pela inveja e pela ausência de propostas.


 


A crise

 

A palavra da moda é crise. Todos a usam com os mais diferentes interesses. Alguns por motivos políticos, outros por circunstâncias de sobrevivência econômica. O fato é que realmente estamos num momento de crise. E todos são afetados por ela.

A crise faz com que acendam as divergências orientadas pelas preferências políticas. É normal que se faça proveito das dificuldades para fazer o proselitismo político em favor de uma causa. O discurso preparado na oportunidade da discordância. A oposição construída no caos, na falta de perspectiva de saída dos embaraços. O afirmar-se do contra no ensejo do desacreditado. O contrário daquilo que se prega como verdade.

E assim caminha a humanidade. Somos todos provocadores da crise, porque falta à maioria a autocrítica do senso de responsabilidade e da observância dos princípios elementares da ética. Pouca gente pode bater no peito e dizer: “eu sou um incorruptível”. Então somos todos, de certa forma, responsáveis pela crise que estamos vivendo.

Antes de apontarmos o dedo acusando alguém de comportamento desviado da ordem moral, façamos um ¨mea culpa¨. Cabe a cada um de nós trabalhar no sentido de resgatar a consciência do que seja viver com dignidade e respeito à moralidade e à ética.

Muita gente quer, na verdade, agravar a crise, ao compreender que “quanto pior melhor” para atender objetivos políticos e alimentada pelas paixões que fazem perder o equilíbrio no raciocínio. Esses vivenciam também a crise da falta de sensatez e do comportamento pautado na moderação.


A crise é da humanidade porque somos todos vitimados pela doença da vaidade, da necessidade de poder e da ganância. Estamos todos contaminados pela doença do pensamento individual, esquecendo o bem coletivo. Em agindo assim, as crises são avaliadas a partir do sofrimento pessoal, deixando de perceber o que possa estar afetando a sociedade. O individual se sobrepondo ao interesse comunitário. Atendendo nossas vontades, alimentadas pelo egoísmo pessoal, terminamos por contribuir para o agravamento das crises sociais e políticas. Pior ainda quando somos usados para estimular as crises estrategicamente provocadas, assumindo a posição de inocentes úteis.
 

 

 

 


Quando a vaidade compromete a competência e os resultados

 

Nenhum brasileiro com o mínimo de bom senso pode deixar de reconhecer a importância da operação Lava Jato no processo de transformação da cultura política de nosso país. Já passa a hora da necessidade de promovermos uma faxina no sistema político nacional, passar o Brasil a limpo, como costumamos dizer. E a Lava Jato tem atuado de forma preponderante nesse despertar de consciência ética e moral, no combate a corrupção. Não tenho receio em afirmar que se trata de um divisor de tempo na nossa história, quando analisamos o aspecto revolucionário dos objetivos a que, originalmente, se propunha.

Todavia, os resultados seriam muito mais consistentes e válidos se alguns dos condutores dessa operação não tivessem sido contaminados pelo sentimento da vaidade, a incontida ansiedade de se tornarem celebridades nacionais, reconhecidos como heróis, reverenciados como os “salvadores da pátria”. Essa preocupação primeira em se tornarem protagonistas de espetáculos midiáticos que potencializam suas qualidades, tem feito com que adotem atitudes precipitadas, equivocadas e, algumas vezes, destoantes dos princípios que regem o exercício de suas atividades.

É nesse olhar crítico que, lamentavelmente, constatamos que a vaidade exacerbada compromete o desempenho da competência e fragiliza o conceito de equilíbrio que se exige de autoridades a quem se confiam missões de tão grande relevância.

Machado de Assis chegou a afirmar que “a vaidade é o princípio da corrupção”, ao tentar fazer compreender que esse sentimento transforma mentes brilhantes, conduzindo-as a agir em desacordo com os valores que sempre defenderam ou declaram defender. Os vaidosos são pessoas apaixonadas pela glória e por isso terminam por perder a virtude da nobreza na análise das coisas com isenção, quando percebem que prioritariamente deve prevalecer a decisão que lhe possa oferecer fama, renome, deferência.

Aí está, o grande risco dessa operação Lava Jato. Os verdadeiros objetivos tragados pela vaidade exagerada dos que querem se valer de suas estratégicas e circunstanciais posições, para se autoafirmarem, se projetarem, se vangloriarem, mesmo que a custo de procedimentos que atentem contra os mais elementares ordenamentos da ética e da legalidade. Os fins justificam os meios, haverão de argumentar em obediência a esse ensinamento de Maquiavel.

Necessitamos sim, de uma varredura na política nacional, de uma revolução cultural que nos faça ter orgulho da nossa cidadania, expurgando os corruptos, banindo de uma vez por todas do cenário político aqueles que encaram o exercício da atividade pública em favor próprio e em detrimento do coletivo. Mas que seja um processo todo ele orientado na estrita observância da legalidade, sem ferir os critérios de igualdade de tratamento, oferecendo de maneira isenta e equilibrada o julgamento relativo às ilicitudes descobertas.

A justiça não pode ficar a reboque de vaidades doentias, prejudicando sua sublime função de praticar a equidade entre os homens, não favorecendo, nem lesando direitos, conforme as emoções do julgador. Queremos e precisamos de uma justiça apartidária, desapaixonada politicamente, cujas balanças nunca se inclinem só para um lado, colocando a espada sobre as cabeças de todos que se portarem em contrário ao que se define como legal, moral e ético, indistintamente.

Não podemos perder a oportunidade de passar essa página nefasta de nossa história, onde impera a corrupção, a indecência e a desonestidade, por conta de posturas inaceitáveis de quem coloca a vaidade acima dos interesses maiores da nação. Esperemos que a Lava Jato seja, no futuro, registrada pelos historiadores como um marco importante na reconstrução da nossa cultura política, sem anotações de desvios de conduta que possam maculá-la.
 


 


Precisamos ter fome da verdade

 

Este é um momento em que devemos ter fome da verdade. Para isso é necessário nos blindarmos contra a técnica utilizada pela grande mídia objetivando causar um curto-circuito na nossa consciência crítica, explorando o aspecto emocional. É preciso termos o cuidado de não permitir que nossas mentes sejam moldadas de acordo com os interesses nefastos de veículos de comunicação que se apresentam como instrumentos de manipulação das massas. É importante buscar compreender o que pode estar por trás da produção da notícia, enxergar as mensagens sublimares que ela contêm, perceber o que se intenciona transmitir nas entrelinhas.

O que se observa na programação diária da mídia, seja ela televisada, falada ou escrita, é uma pauta cuidadosamente dirigida a exercer influência na sociedade, tornando-a vítima de artimanhas ideológicas dos poderes políticos e econômicos. Qual a estratégia mais eficazmente adotada? Deturpar o conteúdo da informação veiculada, procurando ajustá-la aos interesses do que defendem. Invadir a mente de cada um, num efeito anestésico que prive a liberdade de pensar por si mesmo. Injetar medos, idéias, desejos, que façam com que muitos acreditem que são seus próprios pensamentos e sentimentos.

O ideal é bombardear o público de informações que não lhe dê tempo de pensar e criar situações que justifiquem reações apressadas. Evitar oferecer notícias boas que possam amenizar a ansiedade em responder aos fatos precipitadamente. Quanto maior o comportamento compulsivo melhor. Gerar um aparente consentimento democrático de suas idéias propagadas. Assim acreditam intimidar os que forem contrários.

Já houve um tempo, entretanto, em que essa força midiática foi muito mais dominadora. Hoje as grandes empresas de comunicação, geralmente propriedades de poderosos conglomerados empresariais, enfrentam o rebate da internet, através das redes sociais. O contraponto não tem direcionamento de um patrão, a não ser a consciência crítica dos que teimam em proteger a verdade em nome da liberdade de pensamento e do respeito ao exercício da democracia.