Hotel Globo, o novo centro cultural da cidade


 

O Antigo Hotel Globo, recentemente restaurado pela gestão municipal, passa a se afirmar como o mais novo centro de promoção cultural da cidade. Vasta programação de atividades está sendo montada, de forma a estimular as manifestações artísticas e intelectuais paraibanas. A prefeitura, por sua secretaria e educação e cultura e a COPAC – Coordenadoria do Patrimônio Cultural da Cidade, fortalece assim as ações que objetivam oferecer uma maior dinâmica na valorização e preservação dos nossos bens culturais, em especial no Centro Histórico.
 

Amanhã, quinta feira, dia 29, as dezesseis horas serão abertas duas exposições de artes. Uma delas, intitulada ICONOGRAFIA DE UM PATRIMÔNIO DESMATERIALIZADO, é resultado de pesquisa iconográfica sobre o patrimônio histórico da cidade de João Pessoa, em logradouros públicos que passaram por reformas e se encontram parcial ou completamente modificados. Obra do artista João Nicodemos, especialista em artes visuais, que selecionou cinco imagens sobre as quais produziu xilogravuras e infogravuras, propondo um diálogo entre as duas formas de arte. O trabalho possibilita reflexões sobre a importância da paisagem urbana enquanto referência afetiva e de pertencimento para indivíduos e comunidades.
 

A outra denominada “IGREJA DE SÃO FRANCISCO, VINTE E QUATRO HORAS”, trabalha a apresentação de vinte e e cinco fotos produzidas pelo fotógrafo italiano Alberto Banal, tendo como visão da janela de sua residência, o Campanário da Igreja de São Francisco, em flagrantes captados em diferentes horários do dia. O projeto teve como inspiração as pinturas impressionistas de Monet quando produziu trinta quadros da Catedral de Rouen em diversos momentos do dia.
 

Na oportunidade, as pessoas que comparecerem ao ato de abertura das exposições poderão presenciar o mais belo por do sol da cidade, ao som do “Quinteto de Metais da UFPB”.
 

O Antigo Hotel Globo disponibilizará espaços que serão utilizados como galeria de artes, auditório para realização de cursos, debates ou outros eventos da produção cultural pessoense. Já está confirmado para o dia treze de outubro o primeiro “POR DO SOL LITERÁRIO”, em parceria com a UFPB, sob a coordenação do historiador José Augusto, e a Livraria do Luiz (Galeria Augusto dos Anjos), quando serão, em mesa redonda, debatidas obras editadas no mês de setembro por autores paraibanos.
 


 


O cuidado com as palavras

 

Somos a todo momento alcançados pelo poder das palavras. Porque elas refletem pensamentos e sentimentos. Tanto podemos ser impactados positivamente, quanto podemos sofrer consequências negativas de palavras que pronunciamos ou que ouvimos. Há quem diga que as palavras mostram o coração. Jesus nos ensinou que “a boca fala daquilo que está cheio nosso coração”. Seja de amor ou de ódio, de solidariedade ou de hostilização, de apoio ou de aversão.

Daí o perigo de serem proferidas palavras equivocadas quando surgem no meio de uma discussão acalorada. O que é muito normal acontecer nos debates apaixonados. Emocionalmente afetados, os interlocutores, muitas vezes, partem para as ofensas, a maledicência, o julgamento indevido. O próprio tom da voz já define o nível de exaltação contida nas palavras enunciadas.

Estamos vivendo um tempo em que os ânimos estão inflamados por posicionamentos políticos, colocando em choque ideias e convicções. Nesse clima de excitação, as pessoas falam movidas por raiva, discórdia, desarmonia, e terminam atacando umas às outras impulsivamente. Amigos se desconhecem, parentes se estranham, num perigoso embate em que as palavras exercem um poder devastador nas relações sociais.

É preciso que nesses momentos procuremos desenvolver uma postura de autocontrole, construir um estado mental de equilíbrio, por maiores que sejam as provocações. Afinal, existe um velho adágio popular que diz ser impossível ocorrer brigas quando um dos interlocutores não quer.

O comedimento nas palavras define a expressão de sensatez, a prática do respeito ao próximo, e, principalmente, a manifestação da razão acima da emoção. Assim, se processa a crítica construtiva, isenta de radicalismos, contribuindo para a formação de opiniões convergentes.

Tenho sido tentado a entrar nesse conflito temperamental, quando motivado a defender meus pontos de vista, em confronto com o pensamento diferente, e me vejo saindo da calma. Percebo, até com certo retardamento, que falei o que não devia, ou ouvi o que não gostaria de escutar. A conversa amistosa transformando-se numa discussão inconsequente, imprudente, provocando mágoas e ressentimentos. Esse não é o bom caminho para quem deseja estabelecer um debate sério e responsável sobre qualquer assunto.

Então, é importante nessas ocasiões de antagonismo, refletirmos sobre a força das palavras e procurarmos agir com moderação na manifestação dos nossos pensamentos e opiniões.
 


As artes como disciplina no ensino médio

 

Tenho feito um esforço enorme para compreender as razões de retirar as artes da grade curricular do ensino médio no Brasil. Confesso que não encontrei ainda a resposta que me convencesse.

Cercear à criança ou ao pré-adolescente a oportunidade de ter acesso à arte como linguagem que expressa conhecimento, é limitar sua capacidade de raciocinar, desenvolver a inteligência. O ensino da arte estimula a criatividade, mexe com as emoções e os sentimentos, abre a porta das ideias. A educação artística promove interação social, revela talentos, potencializa a multiculturalidade. Cabe também à escola a responsabilidade de despertar sensibilidades artísticas.

No aprendizado das artes exercita-se a aptidão para a crítica, a habilidade para inovar, a disposição para dar asas à imaginação. E isso são necessidades da sociedade. Nenhuma cultura se fortalece sem que seus cidadãos sejam educados de forma a poderem descobrir suas aptidões artísticas. A arte ajuda a perceber o significado de valores nas relações humanas e a estabelecer consciência da existência social.

A arte não pode ser compreendida apenas como mercadoria, mas como fonte de educação e humanização. A arte como disciplina abre caminhos para reflexão crítica dos modos de agir na sociedade. Quem sabe esteja aí uma das razões para tirá-la da grade curricular do ensino médio. O receio de formar questionadores das relações sociais vigentes. Não estou determinando o objetivo, apenas provocando a análise da questão.

Vou continuar empenhado em captar as verdadeiras razões dessa decisão de governo, na expectativa de que, por trás dela, não existam interesses outros que não sejam a melhoria do ensino médio em nosso país. Mas retirando as artes como disciplina, fica difícil vislumbrar melhorias neste sentido.

 


 


O Prêmio do "Correio das Artes"

 

O ano de 1982 se iniciava com a Paraíba sendo agraciada com um prêmio nacional. No dia onze de janeiro, O “Correio das Artes”, o mais antigo suplemento literário do Brasil, foi escolhido pela Associação Paulista de Críticos de Artes como o órgão de imprensa que melhor atuou no âmbito cultural durante o ano de 1981. Na época era editado pelo poeta Sérgio Castro Pinto, tendo como supervisor o jornalista Agnaldo Almeida e o seu Conselho Consultivo composto por: Gonzaga Rodrigues, Antônio Barreto Neto, Arlindo Almeida, Walter Galvão, Vilson Brumel, Carlos Antônio Aranha e Anco Márcio.

A notícia, claro, deixou a todos nós paraibanos cheios de orgulho. Não imaginava naquele tempo de que um dia registraria minha participação na história desse que é considerado um dos mais conceituados suplementos culturais do país, ao assumir a superintendência do Jornal A União, no início dos anos 2.000.

O Correio das Artes, fundado em 27 de março de 1949, pelo poeta pernambucano Edson Régis, circula desde a sua origem como encarte do jornal oficial do Governo do Estado da Paraiba, “A União”. Em seu primeiro número definia no editorial o verdadeiro objetivo a que pretendia alcançar: “ emprestar uma contribuição ao atual movimento literário e artístico do Brasil e divulgar os seus valores mais representativos”.

Atualmente tem como editor o jornalista William Costa, mas durante sua trajetória histórica de circulação foi dirigido por consagrados nomes da literatura paraibana, dentre eles: Linaldo Guedes, Jurandy Moura, Antônio Mariano. Na sua longevidade consolida a posição de prestígio que conquistou nos meios intelectuais do país, prestando relevantes serviços à cultura nacional e paraibana, através dos contos, crônicas, ensaios e poemas que formam o seu conteúdo, com a assinatura dos mais expressivos nomes da literatura nacional.

Nos últimos dez anos, por iniciativa de Linaldo Guedes, ganhou o formato de revista cultural, com uma linha editorial moderna, segundo ele, com o propósito de “começar a achar caminhos para que a literatura deixasse de ser o patinho feio do jornalismo cultural”, e tornar-se uma leitura agradável e atrativa. Foi uma ação vitoriosa. O “Correio das Artes” tem ao longo de sua existência se afirmado como o mais importante veículo de expressão da literatura de nosso Estado, oferecendo espaços para novos autores. Tem, portanto, dignificado as tradições culturais da Paraiba.

• Integra a série de textos “INVENTÁRIO DO TEMPO II”.
 


A História com H maiúsculo



Nunca devemos desprezar a ousadia de construir a História com “H” maiúsculo. É preciso não deixar que os acontecimentos mudem os rumos das coisas projetando um porvir reacionário. Há a necessidade de trabalhar transformações de idéias objetivando formar conceitos novos, sem perder a consciência das responsabilidades inerentes a uma democracia. Gestar o futuro a partir da análise reflexiva e crítica dos acontecimentos sociais, políticos e econômicos, em obediência aos valores morais e éticos que se afirmaram na transferência de gerações.

O engajamento cívico em favor das causas que interessem ao país é, antes de tudo, uma atitude de cidadania. No entanto, é inaceitável que os envolvimentos em projetos de mudanças sociais, se façam de forma irresponsável, guiados por interesses escusos, pressionados por campanhas midiáticas patrocinadas pelos que ambicionam o usufruto de benefícios em detrimento das demandas coletivas. A História com “H” maiúsculo preza pela desapaixonada visão interpretativa dos fatos, aproveitando-os como norteadores de uma posteridade que sirva a todos e honre nossas tradições.

Os acontecimentos emblemáticos da contemporaneidade, na análise dos seus significados, devem produzir narrativas de caráter histórico que engrandeçam e valorizem a cultura do nosso povo. Elaboremos uma memória social e politica válida, de maneira que nossos descendentes se orgulhem do protagonismo que exercemos na atualidade. Que as ações do hoje sejam compreendidas no futuro como determinantes na edificação de um Brasil cada vez melhor.

Façamos então bom proveito desse clamor por moralidade no exercício do “fazer política”, mas prioritariamente nos comprometendo a combater as velhas práticas que caracterizam o comportamento nacional, já conhecido no mundo inteiro como “o jeitinho brasileiro de querer levar vantagem em tudo”. Urge uma revolução cultural, mudanças rápidas e radicais nessa forma viciada e corrupta de atuar enquanto atores sociais. Só assim, iniciando com a cobrança de nossas próprias posturas, poderemos exigir dos outros que ajam em consonância com as regras morais e éticas que nos livrarão definitivamente da chaga da corrupção.

Não joguemos por terra a oportunidade de escrever a História com “H” maiúsculo, atacando um bem conquistado através de muita luta, que é a democracia. Na História com “H” maiúsculo não se admitem retrocessos, volta às experiências que nos fizeram sofrer, fortalecimento de idéias que alienam e subvertem os conceitos que nos garantem o inalienável direito de agir e pensar livremente. A História com “H” maiúsculo não consegue registrar ocorrências que violem ordenamentos jurídicos ou preceitos constitucionais, no afã de atender interesses menores liderados por agentes políticos descomprometidos com as questões nacionais.
 

 


A vaia

 

“Feliz o país que pode vaiar um presidente”. Esta frase foi pronunciada por Juscelino Kubitschek após receber uma vaia. E ele tinha razão. Vaiar é uma manifestação coletiva de desagrado, insatisfação. A vaia faz nascer a esperança de que os detentores do Poder, que se mostram indiferentes à sorte do povo, possam compreendê-la como uma advertência, uma mensagem de desagrado, um alerta de que o povo está atento.

Ninguém vaia sozinho, porque na individualidade não produz qualquer repercussão. O ato de vaiar é demonstração pública de desaprovação. Claro que não há quem se sinta confortável ao ser “homenageado” com uma vaia. Mas ela é um legítimo direito de discordar, de criticar, repreender. Revela-se espontânea, brotando da alma do povo. Desde que não aconteça com ofensas pessoais, achincalhes, desrespeito a autoridades constituidas, é comportamento próprio do exercício da democracia.

Pode ser também entendida como uma atitude de desforra. Na impossibilidade de utilizar instrumentos mais eficazes para reagir contra determinadas situações de descontentamento, parte-se para os apupos. O sentimento de repúdio através de gritos revela-se uma linguagem coletiva adotada por todas as civilizações, desde os mais remotos tempos. Interessante é que a vaia tem um efeito contagiante, despertando emoções momentâneas sob a influência de uma maioria. A vaia é sintoma de irritação consensual, o jeito de dizer que a tolerância começa a ser extrapolada. É o juízo crítico do povão.

“A vaia é o aplauso dos descontentes”, conforme dizia Nélson Rodrigues. Portanto, por mais constrangedora que seja, a vaia tem um significado importante e que deve ser bem compreendido pelos que são alvo desse tipo de manifestação pública, o recado de que há uma forte insatisfação transmitida nos apupos. Se for alguém bem intencionado vai se valer de tal episódio desagradável adotando-o com lição de vida. Ao invés de desdenhar do acontecimento, aproveitá-lo para fazer uma autocrítica e procurar identificar os motivos que lhe deram causa. Quem sabe, as vaias de hoje possam se transformar em aplausos do futuro.

 

 


 


O "Conventinho"

 

A boa notícia desta semana foi a assinatura da ordem de serviço pela Prefeitura Municipal de João Pessoa para a restauração do Antigo Conventinho, dando sequência ao projeto de revitalização do Centro Histórico de nossa cidade. Com um investimento em torno de dois milhões e novecentos mil reais, recursos garantidos pelo programa PAC Cidades Históricas, através do IPHAN, a restauração daquele monumento permitirá que seja concluída em final do próximo ano, coincidindo, inclusive, com as comemorações do centenário do início de sua construção.

A atual gestão municipal projeta instalar no local a Biblioteca Municipal e a Escola do Ensino das Artes, transformando-o em espaço de atividades educacionais e culturais da nossa cidade, além de se constituir elemento de grande importância no processo de revitalização do núcleo cidade baixa, compreendido pela Praça Antenor Navarro e o Largo de São Pedro Gonçalves, onde recentemente foi restaurado o Antigo Hotel Globo.

O Convento de São Frei Pedro Gonçalves, erguido no início do século XX, serviu originalmente de residência para os padres franciscanos e o Colégio Seráfico. Após a saída dos franciscanos, aquele conjunto arquitetônico passou por outras ocupações, estando hoje em situação de abandono e degradação. Em 2005 foi iniciada uma obra de restauração, não tendo sido concluída, e negligenciada sem qualquer explicação plausível.

O prefeito Luciano Cartaxo, logo após assumir o governo municipal, tomou para si a responsabilidade de retomar o projeto de restauração daquele importante monumento histórico, conseguindo a aprovação de recursos financeiros para a sua execução. Procedidos os ajustes recomendados pela entidade nacional que cuida da preservação do nosso patrimônio cultural, ( IPHAN), determinou o início dos serviços nesta semana.

Trata-se de uma ação que oferece forte contribuição para consolidação e incremento da revitalização do nosso Centro Histórico, notadamente na cidade baixa, transformando, assim, em realidade um sonho acalentado há décadas pelos paraibanos.


O grito de independência

 

O mais célebre grito de independência da nossa história foi proclamado em 1822, por Dom Pedro I, nos libertando da condição de colônia portuguesa. Decorridos quase dois séculos, esse grito continua sendo necessário ecoar, como manifestação de apreço à liberdade, à soberania nacional e a luta contra a dependência cultural, política e econômica, imposta pelo domínio de pensamentos conservadores.

Não podemos continuar dependentes de conceitos arcaicos do “fazer política”, produzindo uma postura que inibe a liberdade de pensar e de agir. Temos sido ao longo desse tempo vítimas da subordinação à dinâmica da economia internacional, à ingerência de potências estrangeiras e a práticas políticas que agridem os princípios democráticos.

Enquanto persistirem as desigualdades e injustiças sociais, não podemos “bater no peito” e aclamar nossa soberania. Continuamos dependentes de paradigmas que em nada contribuem para a afirmação de uma nação que possa se considerar livre de qualquer tipo de subalternidade. Permanecemos sujeitos a uma cultura política que marginaliza e segrega  classes sociais, promove a miséria e estimula a corrupção.

Existe uma estratégia montada para inibir os gritos de rebeldia, os questionamentos, as insurreições, urdida por setores internalizados nos poderes constituídos (executivo, legislativo e judiciário) ou articulada por uma mídia com fortes amarras políticas, desprezando a isenção que se espera de um jornalismo sério e responsável. O novo grito de independência surge na voz rouca das ruas, no clamor por ética na política, nas mobilizações populares, nas cobranças, na fiscalização. A inércia, a passividade, o comodismo, contrariam qualquer formulação de luta pela liberdade, pela independência individual ou coletiva.

O grito de independência que festejamos neste sete de setembro não pode ser considerado apenas um brado em favor da nossa autonomia nacional, mas deve servir de símbolo da coragem de se posicionar contra tudo o que venha comprometer nossa liberdade, enquanto povo e enquanto cidadãos. Ficar com esse grito contido é admitir a submissão, a obediência irrestrita, o servilismo, por questões de sobrevivência ou de apego a interesses individuais.
 


A preservação do acervo cultural da cidade

 

João Pessoa, em razão da sua condição de terceira cidade mais antiga do Brasil, possui um dos mais ricos acervos histórico, artístico e arquitetônico do país. Isso é motivo de orgulho para todos nós paraibanos e poderá ser um referencial importante como atrativo turístico de nossa capital.

Desde a década de oitenta ouço falar em projetos de revitalização do nosso Centro Histórico, quando da realização de um convênio com o governo espanhol, oportunidade em que passou a integrar o Programa de Preservação do Patrimônio Cultural Íbero-América. Todo mundo a partir de então passou a falar nesses projetos com amor, com paixão, com entusiasmo. Mas na prática pouco se fez. Continuamos sonhando.

 Vejo com otimismo as ações desenvolvidas pela atual administração municipal no sentido de fazer com que a revitalização do Centro Histórico de João Pessoa deixe de ser um sonho e se transforme efetivamente em realidade. Os projetos foram resgatados e atualizados no propósito de serem concretizados. Alguns já entregues à população como a Casa da Pólvora, o Hotel Globo, as novas praças João Pessoa, da Independência e 1817, além da Galeria Augusto dos Anjos e o novo Parque da Lagoa Solon de Lucena. Outros já foram licitados e terão as ordens de serviço assinadas nos próximos dias: Conventinho e Antiga Alfândega, onde funcionarão a Biblioteca Municipal, Escola de Artes e o Museu Colônia.

O fato real é que afinal há uma decisão política de promover a recuperação do patrimônio cultural do Centro Histórico de João Pessoa, inserindo-o no processo de desenvolvimento sócio-econômico de nossa cidade.

O Porto do Capim, onde a cidade nasceu, às margens do rio Sanhauá, passará por uma transformação, não só na melhoria de acessibilidade e modernização de sua estrutura, como também no resgate, restauração e requalificação de monumentos ali localizados, fazendo daquele ambiente um complexo turístico, econômico e cultural.

O prefeito Luciano Cartaxo não tem feito segredo de que tomou para si a responsabilidade de fazer com que os sonhos acalentados há décadas sejam transformados em realidade, estimulando ao mesmo tempo a restauração do acervo cultural privado, reformulando os sistemas normativos e assim garantindo eficiência na gestão integrada das áreas tombadas pelo IPHAN e IPHAEP.

Não tenho dúvidas de que estamos vivendo um tempo em que a vontade de governo se impõe como determinante para que possamos, cada vez mais, ter orgulho do nosso patrimônio histórico-cultural. Sou testemunha dessa determinação e tenho participado com euforia das gestões políticas e administrativas que vêm sendo desenvolvidas para alcance desse objetivo, sempre contando com parcerias importantes de instituições como o IPHAN, IPHAEP e outras organizações voltadas para a promoção do patrimônio cultural de nossa capital.

 


 


A alarmante ameaça social do "crack"

 

A sociedade moderna está em pânico e pede socorro. Uma aura de horror se estabeleceu entre nós. O medo toma conta das famílias brasileiras, assustadas com o poder avassalador dessa droga chamada crack. Estamos caminhando para algo que pode ser classificado como genocídio. Há uma profunda crise social e nos sentimos impotentes ante essa estarrecedora realidade.

O crack se faz presente em todos os ambientes de nossa convivência social e é aí que reside o grande perigo. As famílias são surpreendidas com o vício invadindo seus lares. Gerado pela cocaína, o crack chegou para arrasar gerações que buscam sensações diferentes, principalmente jovens que por inexperiência se aventuram em conhecer o seu efeito. E então acontece o pior, a dependência da droga se afirma na primeira vez que fuma. Mata os seus usuários, traz a ruína para muitas famílias e contribui para o aumento da criminalidade.

As consequências nocivas do seu uso são tão fortes que os traficantes não integram o grupo de viciados, porque conhecem o seu potencial destruidor.
O crime organizado vem investindo pesado no seu tráfico. Ele está nas grandes e pequenas cidades, nas periferias e bairros nobres, é uma praga que se alastra numa velocidade impressionante.

Ao vermos reportagens que mostram as cracolândias nos estarrecemos com aqueles cenários. Homens e mulheres, jovens e idosos, maltrapilhos, sujos, descabelados, desdentados, perambulando pelas ruas, sem sono e sem fome, como se fossem zumbis. É um quadro desolador.

O desafio de enfrentar essa chaga social não é exclusiva dos poderes públicos, da polícia ou da medicina, mas sim de toda a sociedade. Claro que clamamos por políticas públicas de combate ao império do crack , tanto no que digam respeito à área curativa, quanto na sua repressão, e mais ainda, na prevenção, onde reside a raiz do problema. No entanto, há que incorporarem nessa luta, todos os setores organizados da sociedade civil, igreja, escolas, empresas, sindicatos, etc. Os pais devem ficar cada vez mais atentos ao comportamento dos seus filhos, se permitindo assim agir a tempo quando ameaçados pela intervenção maléfica da droga na sua família.

É triste ouvir relatos, tanto de viciados, quanto de seus familiares, narrando a tragédia em que se viram vitimados. Pais de drogados se condicionarem a pagar dívidas contraídas por seus filhos, por medo de represálias dos traficantes. Algo inimaginável há algum tempo atrás.

O importante é unirmo-nos nessa batalha. Não podemos perder essa guerra, do contrário seremos todos tragados pelo seu poder de destruição