A projeção de Luciano Cartaxo

 

É perceptível a projeção do nome do prefeito Luciano Cartaxo como candidato ao governo do Estado no próximo ano. O edil pessoense vem de uma vitória expressiva nas últimas eleições municipais, se credenciando como a maior liderança no bloco político que faz oposição ao governador Ricardo Coutinho. A sua reeleição aconteceu em razão da aprovação da população à sua forma de administrar.

Cartaxo tem sido competente, não só enquanto gestor público, mas também na condição de agente político. Mostra-se habilidoso na costura de alianças e capitaliza bem a postura de opositor a RC. Somadas, então, a marca positiva de sua administração à desenvoltura com que transita entre as lideranças estaduais não alinhadas com o governador, ele se fortalece como o candidato com maior potencial para conquistar assento no Palácio da Redenção.

Seu nome ganha penetração no interior do estado, até porque ele é egresso do sertão paraibano, onde nasceu e tem familiares. Falta pouco mais de um ano para que cumpra sua missão enquanto prefeito da capital, mas a obra realizada já seria o bastante para que possa se apresentar como um administrador eficiente e com capacidade para comandar os destinos da Paraíba.

Tenho convivido com ele nos últimos anos, na condição de integrante de sua equipe de governo, e testemunhado, portanto, a forma qualificada com que trata as questões de interesse da cidade, pautada na idoneidade, na responsabilidade e na eficácia. Não hesito em afirmar que a Paraíba só terá a ganhar com sua ascensão ao cargo de governador, oportunidade em que repetirá o sucesso alcançado como prefeito da maior cidade do estado. Vamos em frente.


 


A democracia da opinião única

 

A degeneração do clima político em nosso país está contribuindo para se forme a “democracia da opinião única”. A polarização estabelecida entre situação e oposição ao governo, tem levado a conflitos fundados na intolerância da opinião contrária. Isso vale para os dois lados. Ninguém admite que os circunstanciais adversários exponham seus pensamentos e opiniões de forma livre.

Ficamos então sem exercitar o debate construtivo, respeitando as discordâncias. Como não existe, na maioria das vezes, a crítica racional, mas aquela que é colocada no calor das emoções e das paixões políticas, o comportamento que está se tornando comum é a desqualificação do opositor, promovendo o terrorismo intelectual e moral.

Maquiavel já dizia que “as ideologias se diferenciam conforme as condições de vida dos seus defensores”. Prevalecem, logicamente, os interesses pessoais ou de grupos. E, por conta disso, os embates discursivos se dão na provocação que procura constranger os divergentes. Aí então o debate cai para o baixo nível, com agressões de parte a parte, com ataques à honra e a dignidade pessoal dos oponentes.

O mais grave é que cada um acha que está cumprindo dever ético revolucionário ao se posicionar dessa forma. Interessante que todos falam como se expressassem o pensamento majoritário e da verdade absoluta, sem perceberem que, via de regra, estão sendo manipulados por instrumentos de persuasão que escondem seus verdadeiros objetivos ao propagarem idéias. Tornam-se massa de manobra dos aproveitadores de ocasião.

O patrulhamento político se consolida nessa polêmica entre extremos. A radicalização cega o entendimento e a compreensão real dos fatos, exacerba ânimos apaixonados, forma grupos sectários e fanáticos. Quando se configura essa situação, os contendores perdem a razão, deixam de ser debatedores de uma causa, para serem contendores de uma guerra.

Espero que a sensatez volte a imperar na nossa cena política. Desejo que vivamos num país onde os amigos tenham o sagrado direito de divergir um do outro sem o risco de serem ofendidos, que pessoas públicas possam verbalizar suas opiniões sem sofrerem a execração dos que com elas não concordam, que nas famílias possa haver discrepância no pensamento político sem que isso venha a promover intrigas e distanciamentos entre parentes.

É profundamente lamentável que estejamos vivendo essa temperatura política. A sua prática em nada ajuda sairmos da crise em que mergulhamos. Pelo contrário, alimentados pelo ódio e a intolerância, ficaremos cada vez mais distantes de encontrarmos a saída que se faz necessária. Enquanto estivermos querendo impor uma democracia de opinião única, marcharemos para a afirmação de um povo que perdeu sua consciência política livre e soberana.
 


O lulismo

 

Em primeiro lugar é preciso distinguir o lulismo do petismo. Lula está acima do que se possa tomar como adesão ao partido a que ele pertence. Ele é um fenômeno político que ainda vai ser matéria para estudos sociológicos por muito tempo pela frente. Possui um carisma que na história não encontramos precedentes. Porque essa predileção tem raízes ideológicas e sociais germinadas no apoio das camadas mais pobres da população. Nem poderia ser diferente, ninguém fez tanto pelas camadas sociais desprotegidas pelo poder público quanto ele.

Sei o quanto vou ser apedrejado por essa afirmação, mas ela nasce de uma definição de consciência. A propaganda intensamente colocada na grande mídia não conseguiu me fazer mudar de opinião. Estou imune ao poderio manipulador da imprensa reacionária e de direita. Continuo pensando num Brasil em que as diferenças sociais sejam minimizadas, em que as elites percam seus privilégios, em que a justiça social seja a bandeira maior de qualquer governo a se instalar em nosso país.

O lulismo se identifica com o povo, o pobre, a faixa da população esquecida pelos poderosos. Não precisa ser do PT ou defensor de Dilma para admirar Lula enquanto gestor público. Corro o risco de perder muitos amigos por defender essa convicção política, porque vivemos um tempo em que a discordância passa a ser agressão. Ninguem quer debater as questões políticas, prefere tomar partido de forma radical, demonizando aqueles que pensam diferente.

Ser lulista é se contrapor a uma situação em que todas as posturas politicas só favorecem as elites, ferindo de morte a democracia. Discordar diso é ser comunista, socialista, petralha. Não me preocupo com a classificação que me ofereçam. Decidi ficar acompanhando a minha consciência crítica. Não me curvo à pressão ideológica da direita imposta pelos que fazem opção pelos ricos, nem pela força propagandística da imprensa manipuladora.

O lulismo não morrerá jamais, porque foi construído como uma definição histórica. Suas marcas ninguém conseguirá apagar. A História se encarregará de colocar os pontos nos is.
 


O celular prejudicando as relações pessoais

 

Fiquei surpreso com a cena que presenciei em um restaurante que frequentei recentemente. Uma família composta por um casal e seus três filhos (duas garotas e um rapaz) ocupou uma das mesas próximas à minha. A princípio nada estranho a observar. Afinal de contas é muito normal esses encontros familiares em ambientes sociais.

De repente percebi que dos cinco componentes do núcleo familiar apenas um não portava um celular, o que presumo seria o pai. Os demais, cada um manuseava um equipamento eletrônico com que se comunicava com o mundo, menos com a mesa que ocupava. Ali apenas a presença física deles, estavam num mundo virtual.

O pai de vez em quando interpelava um dos ocupantes da mesa na intenção de iniciar uma conversa. As respostas eram gestuais ou monossilábicas. Ninguém tinha interesse em sair do bate-papo da internet para interagir com o chefe da família.

Fiquei então a questionar o quanto está prejudicando as relações pessoais a dependência do smartphone. Ele se faz presente na cabeceira da cama, no trabalho, no carro e até na hora das refeições. Estamos, portanto, sendo dominados pela tecnologia, perdendo o sentido de afetividade que proporciona os encontros pessoais. Isso faz com que concluamos que o celular é má companhia.

O pior é que chegamos a um tempo em que fica difícil viver sem o celular. A nomofobia é a dependência desse equipamento. A proximidade física entre as pessoas não tem mais importância, porque estamos conectados, conversando, contando novidades, trocando ideias com quem está distante. Nos desligamos do mundo real para vivermos o mundo virtual. Tornamo-nos dependentes cibernéticos.

O que se faz necessário é não tornarmos o celular mais importante do que qualquer outra coisa na vida. Fugirmos desse vício. Fácil não é. Mas, queiramos ou não, é uma necessidade. Do contrário perderemos os sentimentos de emoção do encontro físico das pessoas, e mergulharemos na frieza dos relacionamentos a distância.
 


O bom jornalismo está morrendo?

 

Essa é uma observação que entristece. Estamos sentindo falta do jornalismo comprometido com a verdade. Os grandes veículos de comunicação do país praticam um jornalismo engajado politicamente, por isso mesmo sem a marca da neutralidade, da ética e da responsabilidade. Percebe-se claramente uma manipulação deliberada, pautada nos interesses ideológicos e políticos. Não precisa ser muito inteligente para verificar a leviandade noticiosa, a preocupação em prejulgar e distorcer os fatos.

Claro que não podemos generalizar, existem muitos profissionais da imprensa que não se permitiram ser controlados pelos empresários que dominam a grande mídia. Permanecem firmes na afirmação do seu comprometimento com a informação precisa, correta. O bom jornalismo deseja produzir a informação verdadeira e não a ideologização da notícia. Conquista o púbico pela respeitabilidade na condição de incorruptível. Não divulga boatos ou rumores, vai em busca de fontes fidedignas que confirmem as informações. Não faz do sensacionalismo ou espetacularização a característica maior da sua atuação como produtor do noticiário.

Fico impressionado ao ver figuras que se tornaram celebridades na mídia, curvarem-se ao império dos poderosos, prostituindo-se como profissionais da imprensa, exercendo um jornalismo sem a mínima compostura, comprometidos com os interesses de poucos em detrimento do social. É revoltante ver jornalistas famosos deturparem a informação, com o objetivo explícito de formar uma opinião pública que atenda às vontades de uma minoria. Muitas das vezes as manchetes são colocadas com a intenção de causarem impacto, mas, na verdade, se contrapõem totalmente ao fato divulgado. Propositadamente desprezam o conteúdo da notícia. A mídia corporativa brasileira revela-se mero instrumento de propaganda política.

A democracia não pode prescindir de um jornalismo de qualidade. Onde os olhares sejam múltiplos, diversificados e independentes. É preciso compreender que a informação é fator transformador da sociedade, estimulando o debate sério de todas as questões que envolvam o nosso viver num mundo coletivo. Daí a classificação como o quarto poder. O bom jornalismo é aquele que informa, investiga, confronta idéias e opiniões, afastando-se da crítica fácil, da fanfarrice, da mentira planejada. Lamentavelmente, essa imprensa honesta e responsável está minguando.

 


 


Vençamos a impaciência que quer nos dominar

 

A impaciência está tomando conta dos brasileiros. È perceptível a postura mal humorada que se evidencia nos debates políticos em qualquer fórum. Há um flagrante nervosismo com tudo. As manifestações de opinião são dadas com palavras agressivas, deixando transparecer o estado de irritação das pessoas. Daí para as ameaças é um pulo.

Estamos com os nervos à flor da pele. A perda do otimismo, a desesperança, o medo do futuro, causados pela conjuntura, tem provocando esse clima de ansiedade, mexendo com o nosso emocional. Ficamos à procura de perspectivas que nos ofereçam tranqüilidade, e não as encontrando, mergulhamos num mundo de incertezas diante das circunstâncias vivenciadas.

Livremo-nos, portanto, do contágio das influências perniciosas que minam nossa confiança no amanhã. Sejamos sábios no sentido de não ficarmos assustados com as surpresas desagradáveis. Transformemos as tensões em práticas de enfrentamento dos problemas. Vençamos o medo, mantendo-nos calmos, mesmo que sobressaltados pelos acontecimentos inesperados.

Essa impaciência produz desarmonia, quando se faz necessária a consciência da cooperação, da colaboração, da parceria, que refletirá na união de forças para superar as crises. O problema é que somos imediatistas, desejamos soluções e ações rápidas, onde enxergamos conflitos ou dificuldades. Exercitemos, então, no cotidiano, o gerenciamento de nossa paciência. Aprendamos a assumir o autocontrole. Contudo, não confundamos paciência com passividade. Podemos empreender uma luta contra o que nos incomoda, sem sermos acometidos de um ataque de nervos. Basta termos foco no que pretendemos, mantendo o ponto de equilíbrio nas situações adversas.

Pior é ficarmos reféns do jogo político e, por impaciência, adotarmos as estratégias dos que querem exatamente ver o país em chamas, com cada um de nós colocando um pouco de gasolina nesse incêndio. Está passando a hora de nos conduzirmos pela sensatez, abrindo mão das paixões políticas que afetam a nossa capacidade de raciocinar com isenção e agirmos com responsabilidade cívica, na compreensão maior de que a impaciência só nos levará ao aprofundamento do caos.
 


A identidade feminina

 

A multiplicidade dos papéis sociais na dinâmica da vida contemporânea marca a nova identidade feminina. A conquista desse perfil, muito mais efetivo nas últimas décadas, se deveu a uma luta histórica de superação de uma mentalidade machista que segregava a mulher a uma situação de subalternidade, dependência e inferioridade na relação de gêneros.

Em tempos passados a mulher assumia uma posição de confinamento ao ambiente doméstico, sem direito à participação na vida social, restringindo-se a cumprir suas funções de maternidade, procriadora de vidas e administradora do lar, cuidando do marido e da casa. Não tinha sequer o direito de emitir opiniões, declarar aspirações, tomar atitudes sem o consentimento masculino. Era condenada ao silencio e à resignação.

Felizmente essa identidade feminina de submissão, em que as potencialidades individuais eram anuladas, passou por um processo de transformação muito grande. A mulher não se aceita mais ser tratada como objeto. Com ousadia e autoconfiança ela passou a ocupar espaços antes exclusivos dos homens. E, diga-se de passagem, com competência e determinação de fazer inveja a muitos marmanjos.

A identidade feminina tem uma característica que a torna muito mais importante no contexto social em que vivemos. Ela consegue conjugar, com extraordinária maestria, suas atividades profissionais com a vida familiar. Libertar-se dos padrões opressores, a que estiveram submetidas durante séculos, é resultado de lutas pela conquista da igualdade de gêneros e da sua inserção na sociedade, como agente ativa dos acontecimentos. É a emancipação feminina o ponto determinante dessa nova identidade adquirida.

Interessante é que, a mulher enfrenta o desafio de se integrar à normalidade da vida cotidiana do mundo moderno, sem sofrer preconceitos ou exclusão para o exercício de qualquer atividade humana, mantendo a essência consolidada em sentimentos, amor, graça e beleza, próprias do universo feminino. A identidade atual da mulher mostra capacidade de determinação e voluntariedade, sem abrir mão da emoção. Associa com invulgar habilidade os ditames da razão e do coração. Sabe ser forte quando necessário, sem perder a faceirice, a delicadeza, o charme, o encantamento.

Por isso a mulher está dominando o mundo. Derrubou qualquer tese em que a colocava como sexo frágil. E que assim seja. Quem sabe o mundo passe a ser mais humano, mais fraterno, e mais justo.

• Integra a série de crônicas “SENTIMENTOS, EMOÇÕES E ATITUDES”.

- Por essa crônica presto minha homenagem às mulheres do convívio familiar (mãe, esposa, filhas, netas, irmãs, enteada, nora, sobrinhas e cunhadas), às mulheres que me dão o prazer da relação de amizade e as que me dão a honra de lerem os textos que posto diariamente.

 


Morrer do próprio veneno

 

A sociedade brasileira está correndo o risco de morrer do seu próprio veneno. Há um ódio, estimulado pela mídia e por líderes políticos frustrados, produzindo a cizânia entre compatriotas. Já não se debate as questões da política. O ambiente beligerante instalado, induz à briga, às ofensas pessoais, às inimizades entre velhos companheiros e, até mesmo, nos grupos familiares. Estamos envenenados pela raiva ideológica.

O veneno da ira lesiona as consciências, deforma ideias e pensamentos, altera comportamentos. Encolerizados perdemos o equilíbrio do racional, tornamo-nos reféns do fanatismo, cúmplices na promoção do caos. Quando o ódio se apossa da nossa forma de pensar, estamos abrindo mão da capacidade de racionar com lucidez e chegamos, inclusive, a ter dificuldade em perceber a realidade. Somos dominados pelos impulsos da paixão, sem medir consequências.

O Brasil contemporâneo está contaminado por esse veneno: o ódio. Há uma postura coletiva de bêbados insensatos. Não quero isentar qualquer dos lados políticos dessa contenda, quanto a contaminação nociva desse veneno. Ambos agem como se a guerra fratricida fosse o caminho da solução dos nossos problemas sociais, econômicos e políticos.

Essa luta não pode ter vencedores e perdedores. O ideal é que ninguém saia perdendo, mas a julgar pelos acontecimentos todos nós sairemos derrotados. O abismo está a nossos pés e não queremos enxergar, pois recusamos a nos dar as mãos para evitar que caiamos nele. Nenhuma crise se resolve a partir da conflagração nacional. Antes pelo contrário, a observação da “luz no final do túnel” está na solidariedade, no desprendimento, na renúncia dos interesses pessoais em favor das demandas sociais.

Se não houver esse entendimento da necessidade de desarmar os espíritos, estaremos condenados a morrer do próprio veneno. O medo deve dar lugar à esperança. O desamor deve ser substituído pelo afeto e o respeito fraterno. A fúria deve ser contida no encontro da paz. Livremos nossas consciências da poluição da violência. Fujamos das atitudes insanas, antes que nos destruamos uns aos outros. Levantemos a bandeira da concórdia. Exercitemos o debate propositivo, não a discussão irracional e apaixonada. Busquemos o antídoto que nos libertará desse veneno (o ódio político) que está ameaçando de morte nossa democracia e nosso sentimento de nacionalidade.
 


Não nos rendamos ao caos

 

O brasileiro está cada vez mais atônito com o nível de violência que cresce assustadoramente. Estamos vivendo, por conta disso, uma angústia existencial. Somos levados a uma situação que contraria a importância das relações sociais, como se estivéssemos obrigados a empreender a luta de cada um contra todos, o “salve-se quem puder”.

O caos é a ausência de ordem e de regras. Lamentavelmente é isso que experimentamos atualmente. O Estado perdendo o seu papel de responsável pelo controle social. A corrupção endêmica contribuindo para que desacreditemos na representação política. A democracia sofrendo, em consequência, um desgaste que provoca em cada um a sensação de que estamos desprotegidos e sem capacidade de reagirmos contra as ameaças que os poderosos fazem sobre os mais humildes. O povo vendo seus direitos humanos fundamentais serem violentados, ferindo a dignidade enquanto no exercício da cidadania. Instala-se a desagregação social.

Estabelece-se um preocupante ambiente de conflito, um clima de confronto social, a insegurança fazendo o medo se apoderar de nossos sentimentos. O estado de violência dominando o nosso cotidiano. A pobreza e a miséria de parte da população crescendo aceleradamente, agravando o problema da marginalidade e da exclusão social.

É natural que nos sintamos confusos nessa desordem, buscando na escuridão conjuntural a “luz no final do túnel”. Embora enxerguemos muita verdade na afirmação de que “no caos ninguém é cidadão”, contida na canção “O Calibre” do grupo Paralamas de Sucesso, devemos também levar em conta uma outra declaração que diz : “o medo do caos atrai mais caos”. Daí a necessidade de não nos rendermos ao caos. Concluo essa reflexão com um pensamento de Nitzche: “é preciso ter um caos dentro de si para dar à luz uma estrela cintilante”.
 


Lula e a transposição do Rio São Francisco

 

 Parte da população paraibana, que por séculos sofreu as consequências das longas estiagens do nosso semiárido, festeja a concretização da obra redentora da Transposição do Rio São Francisco. O primeiro município a receber as águas do Velho Chico foi Princesa Isabel. Para o sertanejo isso representa o fim de um sofrimento vivenciado há séculos, causado pela seca nordestina.

O projeto foi idealizado há mais de cento e cinquenta anos, ainda no Brasil Império, por Dom Pedro II. A partir daí foram várias as promessas de governantes. Mas foi preciso que um nordestino que padeceu as agruras da seca, chegasse à presidência da república, para que, efetivamente, a obra fosse executada. Queiram ou não seus adversários políticos, não há como negar esse grande benefício que Lula ofereceu aos seus conterrâneos.

Foi uma decisão de governo corajosa, uma vez que enfrentou as críticas dos que não conseguem ver o Nordeste como uma região que precisa receber um tratamento diferenciado do poder público, em razão das suas condições climáticas. Sempre houve uma má vontade na busca da solução para os problemas da seca. Até porque muitos políticos se elegeram aproveitando-se desse flagelo nordestino, a conhecida “indústria da seca”.

Lula não se deixou ser influenciado pelas vozes contrárias ao projeto. Em setembro de 2004 assumiu oficialmente a decisão política de tornar realidade o sonho de muitos brasileiros castigados pela seca. Ainda que esses mesmos adversários do projeto estejam agora comemorando a chegada das águas ao nosso estado, ninguém, de sã consciência, poderá negar a Lula a paternidade dessa marcante obra para a região nordeste.
Campina Grande vive ansiosamente a expectativa de recepção das águas do São Francisco, encerrando de uma vez por todas a grave crise hídrica por que passa no momento.

Independente das posições políticas de cada um, é injusto que não se faça o reconhecimento a quem de direito sobre a importância dessa obra. Nem o ódio disseminado pela mídia comprometida com os interesses das elites políticas, consegue obscurecer essa verdade. Por mais contrariedades que lhes tragam essa realidade, é impossível não admitir que Lula fez por valer a sua promessa de matar a sede de muitos nordestinos.