A desorganização social

 

Estamos vivendo um tempo que nos assusta. É perceptível a desorganização social a que estamos sendo submetidos. Há um enfraquecimento dos mecanismos de controle social. É comum o rompimento das normas de convivência social. Os conceitos de ética e moralidade já não são considerados requisitos necessários para o estabelecimento de uma cultura civilizada.

Faz-se necessário descobrir as causas do descontentamento, dos desesperos e dos desencantos do povo, para que superemos esse problema preocupante da desorganização social. Onde está o erro? Na compreensão de que os valores morais e cívicos devam ser entendidos como determinantes na vida social. Lamentavelmente não é isso que estamos testemunhando.

Ninguém se preocupa em encontrar a origem desse fenômeno que contamina o tecido social. Prevalece o velho entendimento de que o interesse individual se sobreponha ao coletivo. Cada um por si, é assim que nos comportamos. Dessa forma estamos contribuindo para a desorganização social.

Somos então culpados pelo crescimento da população carcerária. A incidência criminal nasce desse fenômeno: a desorganização social. Quando os códigos morais entram em declínio, ganha força o poder paralelo dos criminosos. Passamos a ser reféns da bandidagem.

Evidencia-se um comportamento originado dessa situação da desorganização social. Princípios, conceitos e regras são desconsiderados em nome da sobrevivência. É preferível defender os interesses individuais do que os coletivos. A máxima egoísta do “primeiro eu”. Porque lembrar do social?

Termino essa reflexão, chamando a atenção para a nescessidade de vencermos essa crise que está nos levando, a passos largos, para a desorganização social. Basta abdicarmos do individualismo. Quem desorganiza o social é a ambição, a ganancia e o desejo de não participar do coletivo.
 


A reação ao tropicalismo

 

O desejo de promover transformações, uma característica da geração dos anos sessenta, alcançou as mais diversas manifestações da cultura e das artes. Foi o que aconteceu com o “tropicalismo”, movimento nascido na Bahia, por inspiração de Gilberto Gil e Caetano Veloso, no campo da música; Glauber Rocha, no cinema; Hélio Oiticica, nas artes plásticas e José Celso Martinez, no teatro. Propunha-se, abusando da irreverência, da ousadia e da inovação, criar uma nova identidade cultural no Brasil, fugindo a regras, preceitos e convenções conservadoras.

A juventude, engajada nas lutas políticas, reagiu compreendendo que se tratava de um movimento alienado, descomprometido com as causas sociais. Os militantes de esquerda acusavam os tropicalistas de tentarem desviar a mocidade do ativismo político.

O tropicalismo, então, provocou acalorados debates. Uns assumindo seu ideário, outros combatendo e censurando sua forma de atuação, por inoportuna e desvinculada das motivações políticas do momento. Muitos não entenderam que ele trazia na sua concepção um projeto revolucionário, buscando mudar mentalidades, na intenção de fortalecer o sentimento de recusa à nossa condição de subdesenvolvimento, adotando um comportamento crítico à cultura oficial. A ordem era transgredir, sair da passividade, radicalizar na posição de vanguarda, sem ficar restrito ao protesto político contra a ditadura.

Essa desaprovação de alguns, principalmente dos mais apaixonados militantes da esquerda estudantil, fez com que o movimento passasse por incidentes desagradáveis. Fui testemunha de um deles. O Grupo Trapiche realizava um debate sobre o tropicalismo, no auditório do Liceu, quando repentinamente seus principais defensores, Marcus Vinicius de Andrade, Carlos Aranha e Jomard Muniz de Brito, foram atingidos por ovos podres jogados pela platéia. Esse acontecimento teve ampla repercussão nos meios intelectuais, artísticos e políticos de nosso estado. Ocorrência igual se deu por ocasião da apresentação da música “É Proibido Proibir”, de Caetano Veloso, em São Paulo, durante o III Festival Internacional da Canção, o que ensejou um discurso raivoso do compositor, questionando se era aquela a juventude que se dizia querer tomar o poder.

Estive presente também ao lançamento do manifesto dos tropicalistas paraibanos na FAFI – Faculdade de Filosofia, com a participação de grande público. O documento trazia as assinaturas de figuras conhecidas do mundo artístico, cultural e jornalístico da nossa província. Dentre outros eram seus signatários: Carlos Aranha, Marcus Vinicius, Jomard Brito, Wills Leal, Martinho Moreira Franco, Raul Córdula. O evento contou com a animação do conjunto Os Quatro Loucos que tocou canções de Gil e Caetano.

O tropicalismo teve vida curta, mas criou uma nova maneira de fazer cultura no Brasil.

• Integra a série de textos do livro “INVENTÁRIO DO TEMPO II”, em elaboração
 


A contracultura e os hippies

 

Na segunda metade dos anos sessenta um movimento nascido nos Estados Unidos ganhava o mundo: a contracultura. A juventude daquela época resolveu dar um grito de liberdade e se posicionar contra os valores impostos pela sociedade. Predominava um espírito de transformação dos costumes e padrões conservadores, um desejo de quebrar os tabus morais e culturais até então estabelecidos. Ousava transgredir regras, subverter convenções, promover uma revolução comportamental.

Nessa onda de questionamentos surgiram os hippies. Eles fugiam totalmente ao estilo de vida dos jovens enquadrados no perfil social burguês, preocupados com a estética, consumistas, descomprometidos com as questões políticas, conformados com o tratamento desigual oferecido às minorias, alienados. Os hippies deflagraram bandeiras de luta, pregando a não violência, combatendo as segregações sociais e as discriminações sob qualquer pretexto, exaltando o amor livre e o desapego a bens materiais.

Seus ideais eram um tanto anarquistas. Começava pela própria apresentação pessoal e a forma de se vestirem. Cabelos compridos, despenteados, descuidados, barbas longas, sujos, calçando sandálias e usando roupas coloridas, psicodélicas. Adotaram o nomadismo, viviam em grupos, as “tribos”. Andarilhos, era comum vê-los circulando por cidades, portando mochilas que continham todos os seus pertences. Vegetarianos, curtiam a natureza. Dedicavam-se ao trabalho artesanal para garantirem a sobrevivência. Eram amantes do rock e consumidores da maconha, LSD e haxixe. O propósito de se portarem de forma diversa do mundo ocidental, fez com que admitissem muitos dos princípios de doutrinas religiosas orientais, como o budismo e o hinduísmo.

Os hippies, em que pesem todos os pecados que lhes eram apontados, deixaram um legado para as novas gerações. Despertaram a motivação e a coragem para as lutas contra os preconceitos, em favor da liberdade sexual, em defesa do meio ambiente. Manifestavam-se contra as guerras, porque seu principal lema era “paz e amor”.

Havia uma figura na Paraíba que assumia bem esse perfil hippie de viver. Ivo Bichara era um “bon vivent”. Costumava vê-lo na Churrascaria Bambu, seu “point” preferido. Destoava por completo da imagem formal do seu irmão governador Ivan Bichara. Se tivermos que eleger o mais perfeito representante do movimento hippie na Paraíba, não há como se ter dúvida, Ivo Bichara faz por merecer esse destaque.

Raul Seixas, com a proclamação da “sociedade alternativa”, e Os Mutantes, com sua irreverência, foram os principais incentivadores da contracultura no Brasil. Anos mais tarde, o “tropicalismo” se integrava também a esse movimento de vanguarda, com um manifesto artístico contido no disco “Panis et Circenses”, de Gilberto Gil e Caetano Veloso.

A partir de 1970 os hippies perderam força. Hoje vemos seus praticantes em numero bem menor, vagando pelas praias do Nordeste, mas sem perderem o seu perfil de origem.

• Integra a série de textos do livro “INVENTÁRIO DO TEMPO II”, em elaboração.


 


As discussões políticas na internet

 

As redes sociais deveriam ser um importante instrumento para o exercício de reflexão, troca de ideias divergentes e estímulo à pluralidade democrática. Na prática o que vemos é exatamente o contrário, principalmente quando o debate (melhor classificar de discussão) acontece no trato de questões políticas. Há uma flagrante prevalência da hostilidade, com expressões precipitadas de opiniões, fugindo ao discurso racional.

A internet está cheia de piromaníacos, aqueles que sentem prazer em jogar gasolina no fogo para provocar o incêndio. Normalmente são debatedores despreparados, que não aceitam contestação ao que pensam e defendem. Oferecem status de manchetes aos boatos que satisfazem seu pensamento político. Desconhecem o que sejam regras de polidez. Assumem um engajamento político belicoso, produzindo comentários carregados de sarcasmos, desqualificando os que se opõem às suas ideias, utilizando-se de ofensas pessoais já que não se apresentam com capacidade para argumentação contrária.

O pior é que são pessoas que não aprenderam a pensar. Falam, raciocinam e agem, na conformidade do que seus líderes definem. Falta-lhes consciência crítica. É como se participassem de torcidas organizadas em torno de disputas partidárias e questões polêmicas. Estimulam o acirramento dos ânimos. Confundem debate com discussão. O debate produz aprendizado, conhecimento, e, muitas vezes, o encontro do consenso. A discussão é pautada por brigas, desavenças, xingamentos.

Atingir de forma depressiva a dignidade de outrem é afrontar o direito alheio de assumir sua individualidade. Não se pode confundir o discurso do ódio com a liberdade de expressão. Os embates políticos não devem ser alimentados pela ferocidade, e sim pelo equilíbrio de manifestação das opiniões.

Isso se aplica aos dois lados da disputa: direita ou esquerda, coxinhas ou petralhas, socialistas ou neoliberais. É necessário que se desarmem os espíritos, para que busquemos a paz que este país tanto precisa. Muito triste ver que amigos fraternos se atacam por causa de política e as divergências contaminem os ambientes familiares a ponto de suscitarem brigas entre parentes.

Já fui vítima disso, por amigos-irmãos e por familiares. E lamentavelmente entrei no jogo da discussão inflamada. Passado o abrasamento do bate-boca, dos desentendimentos, é que observamos o quanto estamos sendo tolos nesse tipo de comportamento. Façamos, portanto, das redes sociais, não um campo de batalha, mas um espaço de conversa civilizada, mesmo que no confronto de teses e convicções. Que as brincadeiras nunca deixem de ser apenas uma forma irônica, no bom sentido, de defesa de suas posições, sem o interesse em achincalhar, menosprezar ou humilhar alguém. Assim preservaremos e fortaleceremos a democracia que deu tanto trabalho para reconquistar.
 


O respeito à diversidade

 

Todos somos diferentes. Temos, portanto, dessemelhanças que formam nossas individualidades. Mas isso é uma das grandes dificuldades da convivência social, a falta de respeito e tolerância com a diversidade humana. Essa heterogeneidade se manifesta nas diferenças de classes, gênero, etnia, opção sexual, capacidades físicas e intelectuais, etc.

O respeito à diversidade é, então, condição essencial para que se estabeleça a inclusão social. Só assim pode ser garantido o exercício da cidadania, direito que deve ser consagrado de forma igualitária a todo ser humano. As atitudes de compreensão com essa multiplicidade de características pessoais fazem com que transformemos diferenças em igualdades. A valorização da singularidade elimina o preconceito, a discriminação, a iniqüidade social.

As soluções criativas surgem do aproveitamento dessa pluralidade de características humanas utilizadas como complementares. Elas se aplicam no reconhecimento da diversidade no modo de produzir ações individuais em função das necessidades coletivas, com a ajuda mútua na oferta de qualidades e pensamentos diferentes em razão do bem comum.

As desigualdades sociais têm sua origem na falta de respeito à diversidade. Enquanto agirmos desconsiderando o conceito, antes de tudo, ético e moral, da equivalência humana, não obstante suas diferenças, teremos um mundo cada vez mais cheio de conflitos e injustiças, nos tornando componentes de uma sociedade individualista.
As particularidades dos indivíduos, quando somadas, constroem a dinâmica da sociedade com o espírito de igualdade dos diferentes. As nossas interações e os nossos relacionamentos exigem de cada um de nós, respeitar, honrar e compreender a diversidade.

• Integra a série de crônicas do livro “SENTIMENTOS, EMOÇÕES E ATITUDES”, a ser lançado brevemente.


Não me preocupo com a sexta-feira, 13

 

O dia de hoje, sexta-feira, 13, deixa muita gente assustada. Os supersticiosos preferem nem sair de casa, porque acreditam que essa é uma data de maus agouros. Essa crença está associada a alguns acontecimentos que têm referência ao dia da semana, sexta feira, e ao dia do mês. 13. Foi numa sexta-feira que Cristo foi crucificado. Eram treze os participantes da última ceia e um deles manifestou-se traidor. Foi num dia 13 de dezembro que o Brasil recebeu o impacto da maior violência já praticada contra a democracia, a edição do AI 5. Numa sexta feira, 13, nasceu um dos mais cruéis ditadores do mundo, Fidel Castro.

Tudo isso não passa de coincidências que alimentam o espírito fraco dos que se deixam influenciar pelas superstições. Mas muitas pessoas comprometem sua rotina nesse dia, temendo que algo de ruim aconteça. Elas tornam-se reféns do medo. Eu, particularmente, procuro fugir dessas crendices. Não acredito que um simples número possa atrair coisas negativas.

Em caminho contrário dos que insistem em adotar o número treze como aziago, muita gente faz dele o símbolo da sorte. Zagalo, o ex-jogador da seleção brasileira e técnico de futebol muitas vezes campeão, elegeu o treze como o seu número favorito. Aqui na Paraíba muitos são torcedores de um time que traz no seu nome o número treze. O treze, representando o PT, foi responsável por grandes conquistas políticas em nosso país, embora, no momento, esteja passando por uma crise, por erros que seus militantes cometeram.

O que quero afirmar é que não existe sorte ou azar, tudo é resultado de oportunidades bem ou mal aproveitadas. Entendo até que se apegar a essas superstições só concorre para que os sucessos e êxitos no que se pretende fazer tenham dificuldades em ser alcançados. Quando Deus está no comando, não há a menor possibilidade de que números ou datas possam definir os acontecimentos.

Portanto, para mim, sexta-feira, treze, é um dia como outro qualquer. Só para não perder o bom humor que teimam em retirar de nós neste dia, eu diria que prefiro uma sexta-feira, treze, do que uma segunda-feira com qualquer número.
 


A conflagração

 

O pesadelo de uma iminente conflagração nacional tem feito com que muitos brasileiros estejam perdendo noites de sono nos últimos dias. Assusta-nos as conseqüências desse acirramento que domina o cenário político em nosso país. A animosidade das ruas vem sendo insuflada de forma acelerada. Já não se vê nos debates as posições argumentativas e sim o confronto de interesses. Deixaram de existir os diálogos, dando lugar a confrontos, altercações verbais e virtuais.

Fica cada vez mais distante sonharmos com uma solução pacífica e legalista. Os conflitos estão nos levando a uma instabilidade institucional muito perigosa. E o que é mais assustador é a percepção de que irresponsavelmente não se verifica preocupação com o futuro. O que prepondera, a essa altura, é o desejo de tornar-se vencedor na contenda, seja a que custo for.

A democracia conquistada com muito sacrifício, após um tenebroso período de ditadura militar, está ameaçada por essa beligerante disputa pelo poder. O Estado de Direito vem sendo atacado em nome de um processo de combate à corrupção. Chega até a ser risível, se não fosse trágico, observar que a luta contra os desvios éticos, vem sendo feita no cometimento de ilegalidades e desrespeito à ordem constitucional, na observância do preceito maquiavélico de que “os fins justificam os meios”.


Esse ambiente de ódio e intolerância é combustão para a conflagração. Não se pode transformar justiça em justiçamento. Atores políticos, agindo na condição de representantes do povo, prestam um desserviço à construção das cidadanias, quando violam garantias constitucionais, a pretexto de que estão querendo combater a corrupção. Muitos dos que assim atuam, não podem jogar pedras no vizinho, porque têm vidraças de vidro. Na verdade, estão despertando os fantasmas da ditadura que vivenciamos nas décadas de sessenta e setenta.

Resta-nos rogar a Deus que derrame sobre todos nós brasileiros as bênçãos que façam reavivar o espírito da serenidade e do patriotismo, de forma a que não sejamos protagonistas de uma conflagração nacional.
 


O prejulgamento

 

O prejulgamento é tão grave quanto o preconceito. Existe uma afirmação do Padre Fábio de Melo que define bem essa interpretação: “A pessoa vê a capa e acha que leu o livro. Cuidado, o julgamento preconceituoso pode lhe privar de perceber a verdade”. O hábito do prejulgamento é cada vez mais usual no mundo contemporâneo. As atitudes de prejulgamento induzem à suspeição, por que são adotadas a partir das aparências, sem a devida comprovação da veracidade das informações recebidas.

Temos uma facilidade muito grande de julgar as pessoas pelas circunstâncias, influenciados por deduções alheias, sem que sejam originadas da nossa própria consciência. E o pior é que essas posições críticas se tornam implacáveis, rígidas, inflexíveis, como se fossemos donos da verdade.

Nenhuma informação pode ser utilizada para condenar alguém sem que antes lhe seja dado o direito de se defender e que se concluam as investigações que ofereçam uma conclusão que revele a verdade dos fatos. A maior injustiça é um julgamento precipitado. É quando nosso olhar analisador surge com a predisposição para condenar por antecipação.

Levados pelo lado emocional costumamos pensar e verbalizar proferindo sentenças condenatórias antes de constatarmos reais motivos para penalizar alguém. Não faz mal algum adotarmos cautela nesses procedimentos de deliberar em desfavor de outro, sem que antecipadamente façamos uma análise cuidadosa e justa do que estamos avaliando. Isso fará com que emitamos nossa opinião de julgamento com a consciência tranqüila.

• Integra a série de textos “SENTIMENTOS, EMOÇÕES E ATITUDES”.


 


Procurando resgatar a verdade histórica

 

A propósito de uma postagem que li hoje nas redes sociais, que transcrevo a seguir, decidi republicar um texto do meu livro ‘1968 – O Grito de uma Geração”, editado em 2013, na intenção de repor verdade histórica, de forma a relembrar aos apaixonados políticos de que o passado truculento e violento não pode ser homenageado como exemplo para o mundo hoje. Eis a postagem:

“Falem o que quiserem, mas os presídios brasileiros da época do regime militar deveriam ser exemplo para o resto do mundo. Eles sim recuperavam os presos... Entravam sequestradores, assassinos, ladrões de banco... Sairam deputados, governadores, ministros... e até dois presidentes"

A TORTURA COMO POLÍTICA DE ESTADO

A tortura de presos políticos aconteceu durante 21 anos no Brasil, no período compreendido entre o golpe de 64 e o ano de 1985. No entanto, a partir do AI-5, começou a ser aplicada como política de Estado. Eram práticas que, quando não matavam, deixavam sequelas irreparáveis, tanto no aspecto físico, quanto psicologicamente. Eram meios intimidatórios que visavam inibir agentes políticos a se manifestarem contra a ditadura e, conseguir confissões das pessoas envolvidas na militância contra o governo militar. A pretexto de que estavam defendendo a segurança nacional, montaram um sistema repressivo para combater a subversão e reprimir qualquer atividade considerada suspeita.

 

Os carrascos da ditadura eram pessoas especializadas no emprego de técnicas de tortura, cujos suplícios eram duradouros, repetindo-se diariamente por longas horas, em interrogatórios que visavam a obter informações sobre os movimentos políticos contrários ao regime. Militares e agentes de segurança passaram por treinamento na Escola das Américas, nos Estados Unidos, instituição que depois viria a ser chamada Instituto do Hemisfério Ocidental para a Cooperação em Segurança.

Cometeram-se crimes contra a vida e a dignidade humana, com aplicações de choques elétricos, afogamentos e muita pancadaria.

As salas de interrogatórios tinham suas paredes revestidas de material isolante, de forma que não se permitisse ouvir os gritos dos presos quando torturados.

Impressiona a frieza com que o tenente Marcelo Paixão, de Belo Horizonte, narra sua experiência de torturador, em entrevista concedida à revista Veja, em dezembro de 1988:

'A primeira coisa era jogar o sujeito no meio de uma sala, tirar a roupa dele e começar a gritar para ele entregar o ponto (local usado para encontros políticos) e os militantes do grupo. Era o primeiro estágio. Se ele resistisse, tinha o segundo estágio, que era mais forte. Um dava tapa na cara. Outro, soco na boca do estômago. Se não falava tinha dois caminhos. Dependia muito da forma como se aplicava a tortura. Eu gostava muito de aplicar a palmatória. É muito doloroso, mas faz o sujeito falar. Você manda o sujeito abrir a mão. Ele já está tão desmoralizado que obedece e abre. Ai se aplicam dez, quinze, bolos na mão dele com força. A mão fica roxa. Ele fala. A outra era o famoso telefone das Forças Armadas. É uma corrente de baixa amperagem e alta voltagem. Eu gostava muito de ligar nas duas pontas dos dedos. Pode ligar numa mão ou na orelha, mas sempre do mesmo lado do corpo. O sujeito fica arrasado. O que não podia fazer era deixar a corrente passar pelo coração. Aí mata. O último estágio em que cheguei foi o “pau-de-arara” com choques. Isso era para aqueles a quem chamávamos de “queixo duro”, o cara que não abria nas etapas anteriores.

O mais triste é que, até hoje, não se tem notícia de qualquer punição aplicada aos que torturavam e matavam em nome da ditadura militar.

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Que se defenda a ideologia de direita que avança atualmente por força da mídia e das instituições ultraconservadoras do país, isso é um direito de manifestaçao livre de opinião, mas defender as práticas da ditadura e coloca-las como exemplo para o mundo é exagerar na paixão política. Desconhecer a História e desrespeitar a memória de milhares de brasileiros que foram torturados e assassinados nos porões da ditadura. Paciência, tudo tem um limite!


Pronto para encarar 2017

 

Sou um otimista por natureza. Não me abato com circunstâncias desfavoráveis. Continuo mantendo acesa a chama da esperança, mesmo que conspirem contra, os produtores do mal e os eventos que fogem ao nosso controle. O primeiro dia do ano me ofereceu, logo pela manhã, viver um sentimento de profundo pesar. Recebia a notícia do falecimento de alguém a quem considerava um dos melhores amigos que construí no curso da vida. Orlando Xavier foi quem deu o primeiro impulso na minha carreira profissional. Contrariando paradigmas que exigiam para nomeação do cargo de gerente de crédito geral do Paraiban, alguém com mais maturidade e com o perfil de um homem que não usasse cabelos grandes, nem se vestisse de acordo com a moda jovem da época, ele insistiu e me galgou a essa posição de destaque na hierarquia do Banco. Devo a ele essa oportunidade de ascenção profissional, me escolhendo para tao importante e responsavel missão aos vinte e um anos de idade. E creio que não decepcionei.

A tarde tive que buscar atendimento médico, em razão de dores fortes que passei a sentir na região lombar e nas pernas. Passei a tarde na Unimed, o que me impossibilitou de participar da solenidade de posse do prefeito Luciano Cartaxo e seu vice Manoel Júnior. Estou medicado e pronto para a luta do ano, procurando dedicar toda minha capacidade intelectual e física no sentido de contribuir para conquistas e avanços, não só no aspecto individual, Mas, principalmente, no coletivo, como coordenador do patrimônio cultural da cidade, função que me foi confirmada a permanência pelo prefeito, como também produzindo energia positiva para vencermos a crise nacional que estamos vivendo. Que venha 2017 com seus benefícios ou desafios. Estou pronto para encarar.