Como virar a página de nossa História?

 

A mais angustiante das incertezas vividas pelo brasileiro na atualidade é não saber como virar a página sombria de nossa História. Todos nós queremos e precisamos ter um olhar confiante para o futuro, mas não está sendo fácil. O envolvimento emocional a que estamos sendo submetidos por uma briga político-ideológica, tem nos colocado numa situação em que a harmonia tão necessária fica cada vez mais distante de ser alcançada.

O debate político está pautado na pirotecnia, no desejo de atendimento de interesses pessoais ou de grupos, na proclamação de discursos que representam a manutenção das velhas práticas nefastas do exercício da política, desprezando objetivamente o atendimento às demandas da sociedade. Percebemos que faltam seriedade e comprometimento nesse debate. Nossa percepção da realidade fica obscurecida pela cegueira provocada por paixões políticas, e nos recusamos a exercitar a “autocrítica”.

Nesse cenário de beligerância teremos dificuldade em enxergar o que possa se apresentar como o “novo” no seu sentido revolucionário, a possibilidade de, em conjunto, reconstruirmos um projeto de nação com desenvolvimento sócio-econômico. Não podemos, nem devemos, ficar reféns de bandeiras ideológicas que nos afastem do espírito de fraternidade patriótica, alimentando competições que impedem descobrirmos caminhos que apontem um novo horizonte.

Nossa jovem democracia viveu recentemente sustos que a fizeram padecer com risco de morte. Se não tivermos cuidado seremos novamente tragados pela crise e a colocaremos em risco outra vez. Contudo, não será na letargia, na omissão, no desânimo, na descrença e na alienação, que conseguiremos virar a página de nossa História. Urge uma reação, um despertar de luta patriótica, mas sem divisões, sob o império da paz, não sob o domínio da guerra fratricida.
 


"O discurso da servidão voluntária"

 

Quando vejo essa “onda intervencionista” clamando pela volta dos militares ao poder, além de causar espanto e perplexidade, me vem a mente o “Discurso da Servidão Voluntária”, escrito por Étienne de La Boétie, em 1563. A obra do escritor humanista e poeta francês põe em questão as razões da dominação de muitos pelos poucos. Pior ainda quando isso acontece por vontade própria das pessoas, espontaneamente sacrificando sua liberdade.

A experiência vivida por nossa Nação durante o período ditatorial comandado por forças militares, não nos permite acreditar que manteríamos o regime democrático reconquistado ao custo do sacrifício de muitos brasileiros. Esse foi o argumento usado para o golpe de 1964, e o que se viu foi o país mergulhar na escuridão da opressão e da tirania por mais de duas décadas.

La Boétie dizia que não se pode acreditar “numa autoridade que constrói seu poder com a obediência consentida dos oprimidos”. Sociedades que admitem ser garroteadas, rejeitando a liberdade, perdem sua autonomia e sua capacidade de indignação e de manifestação de descontentamento. Deixam de ser governados para serem escravizados.

Continua ainda o pensador francês advertindo que “antes de cometerem seus crimes, (os ditadores) produzem discursos em defesa do bem geral, da ordem pública, dos bons costumes e da moral”. O povo que se dispõe cega e voluntariamente a se colocar como subserviente aos ditames de regimes despóticos, renuncia à sua condição de soberania, independência.

Shakespeare afirmava que “perigosamente os cegos se deixam ser guiados pelos doidos”. Estamos vendo algo assim no momento. A memória apagada faz motivar indivíduos a esquecerem o terror de outrora, apostando numa equivocada saída política da degradação moral e ética que estamos vivenciando. O momento, antes de ser a ocasião para o discurso da escravidão voluntária, deve ser o da irresignação com os desmandos e a corrupção, buscando fortalecer a nossa democracia, promovendo ações que direcionem para uma redefinição das práticas políticas, expurgando pelo voto aqueles que estão enlameando nossa História. Só não podemos é abrir mão do bem maior que possuímos, qual seja a “liberdade”.
 


"As convicções são cárceres"

 

Cada um vê a verdade conforme deseja. Por isso se diz que somos prisioneiros de nossas convicções. E assim nos impedimos de obter novas respostas às nossas indagações. Obstaculamos as oportunidades para vivenciar novas experiências e adquirir novos conhecimentos. Porque entendemos que nossas verdades são imutáveis.

Quando estamos aprisionados pelas convicções, fazemos com que nossas mentes fiquem reféns de uma miopia perceptiva. Cometemos o grave erro de imaginar que nossas verdades nunca podem ser alteradas. Passamos a acreditar que sempre estamos com a razão. Chega a ser um defeito de personalidade.

O pior é que na defesa de nossas convicções nos mostramos intolerantes com o pensamento divergente, impossibilitamos o diálogo, ensejamos o confronto e a radicalização. Até porque resistimos em compreender que não existe verdade única, permanente.

O filósofo alemão Nietzche ao fazer essa afirmação, nos leva a refletir sobre o quanto é perigoso tomarmos decisões baseadas nas nossas convicções, desprezando a possibilidade de questioná-las, não abrindo espaços para o desvendamento de mentiras ou a confirmação de verdades parciais. Ele completa seu aforismo dizendo que “as convicções são mais inimigas da verdade, do que as próprias mentiras”. Nossas realidades internas, muitas das vezes, podem estar corrompidas ou lastreadas por argumentos falsos. Não nos damos conta de que somos vulneráveis a influências que norteiam nossas consciências. É tênue o traço que separa a verdade da mentira.

Nessa reflexão proponho que procuremos nos libertar do aprisionamento provocado por nossas convicções, como bem define Nietzche. Rompamos as grades que nos confina no pensamento único. Saibamos ser humildes no sentido de aceitar as dúvidas como caminhos para o exercício da consciência crítica. Convicções não são, necessariamente, verdades. Elas são momentâneas, pessoais, portanto frágeis no sentido de expressão do incontestável.
 


Proteção do Patrimônio Histórico e Cultural, uma responsabilidade social

 

Não concordo com a maioria das pessoas que imagina o “ideal” distante da realidade. Na verdade cabe a nós transformar um desejo em fato concreto, um sonho em realização. Depende, única e exclusivamente, da vontade e do entusiasmo com que nos empenhamos em perseguir o objetivo determinado, abraçar a meta estabelecida. No entanto, muitas das vezes, há de se fazer do “ideal” uma aspiração coletiva. Esta é a situação de tantos quanto pensam em buscar no passado a experiência para a construção do futuro. O resgate da nossa memória precisa ser visto como uma necessidade para que possamos melhor escrever a continuidade da nossa história. É impossível o aprendizado no que realizaram nossos antepassados sem assegurarmos a defesa do patrimônio histórico e cultural.

O prefeito Luciano Cartaxo tem demonstrado ter essa consciência. Daí porque, ao assumir a COPAC – Coordenadoria do Patrimônio Cultural, me convenci de que ele sabe da missão institucional do órgão a quem me delegou a responsabilidade para dirigi-lo, qual seja a de dedicar especial atenção na coleta e organização das informações sobre os bens materiais, móveis ou imóveis, produzidos pelas gerações que nos antecederam, com valor de obras de arte erudita e popular, ou a identificação de personagens e fatos memoráveis de nossa história. Paralelamente às ações de gestão pela preservação, é importante estabelecer uma interação com a sociedade, exercendo prioritariamente a função educativa que permita à população compreender a necessidade de conservar e valorizar os nossos bens culturais.

A gestão municipal entende que deve haver uma integração do poder público com a comunidade, em parceria com a sociedade civil organizada, seja através dos centros acadêmicos da cidade, professores e estudantes das universidades aqui localizadas, seja através do conjunto de pessoas ou organizações que, de alguma forma, possa colaborar para a consecução de uma ação planejada de estímulo ao enriquecimento cultural de nosso povo, ensejando a implementação de políticas públicas de preservação do nosso patrimônio histórico e cultural.

Os centros culturais recentemente disponibilizados para uso da população (Hotel Globo, Casa da Pólvora, a Lagoa e o Pavilhão do Chá), após obras de restauração desses monumentos, são espaços que ajudarão, sem sombra de dúvidas, a aproximar o “ideal” da realidade. A idéia é fazer com que os diversos segmentos promotores da cultura paraibana sejam co-gestores de nossos bens de valor histórico, artístico, ambiental e arquitetônico, fazendo com que assim estejamos legando aos nossos descendentes o culto ao passado como elemento básico de nossa formação cultural.

O prefeito Luciano Cartaxo, portanto, convoca todos os estudiosos e apaixonados pelo assunto, a se integrarem nesse esforço solidário, destacando o propósito didático na construção da cidadania e a definição de projetos exeqüíveis para institucionalizar uma ação de proteção do nosso patrimônio cultural. Os primeiros passos foram dados. Agora será necessário socializar a responsabilidade no processo de desenvolvimento histórico-social de nossa Capital, no que diz respeito ao comportamento individual e coletivo do pessoense em face ao patrimônio e às ações de sua preservação. Assim, o que antes era sonho, transformar-se-á em realidade.
 


"A cédula eleitoral é mais forte do que a bala"

 

Recorro a esta célebre frase do presidente norte-americano Abraham Lincoln para refletir um pouco sobre essa “onda intervencionista” que começa a tomar conta das redes sociais. Não tenho dúvidas de que o desejo proclamado, ainda que surpreendente e quase inacreditável, reflete um sentimento de desalento, desânimo, desesperança, provocado pela situação atual do país. O Poder Público brasileiro vem perdendo a confiança e a credibilidade do povo, em razão dos sucessivos escândalos de corrupção que tomamos conhecimento a cada dia.

Isso tem levado muita gente, num ato de desespero, buscar saídas que imagina serem salvadoras, mesmo tendo a História demonstrando o contrário. Chega-se ao cúmulo de abrir mão das liberdades individuais e coletivas, na ilusão de que, pela força, poderão ser conquistadas as transformações que se fazem necessárias. As experiências negativas de um tempo pretérito, não tão distante, são desconsideradas. A razão perde espaço para a emoção. Perigosamente fica desprezada a importância do “viver em liberdade”, a faculdade de agir e pensar por si mesmo.

Ignorar a História é arriscar-se a repetir erros cometidos no passado. Reivindicar a volta de uma ditadura militar é admitir o suicídio político, voltando a matar a democracia que foi reconquistada com tanta luta. A grave crise institucional que estamos vivenciando, não poderá ser justificativa para uma campanha intervencionista. Até porque nada do que se espera de um novo Brasil, aconteceu nos “anos de chumbo”. Não tínhamos liberdade, não havia transparência nos atos da administração pública, o país viveu um tempo em que as desigualdades sociais aumentaram, a inflação corroia o poder de compra dos assalariados, a censura amordaçava a imprensa e as manifestações culturais, a tortura e a opressão eram políticas de Estado. Então o que aguardar de bom num regime autoritário?

Precisamos sim promover uma “grande virada”, mas só conseguiremos isso através da soberania do voto popular. O que se faz necessário é despertar uma consciência cívica responsável nos eleitores. Afinal de contas, cabe a cada um de nós agir com esse propósito, sem entregar de “mão beijada” nosso destino sob a responsabilidade de pessoas que desconhecemos seus princípios morais e éticos. Mais do que isso, permitir que corramos o risco de revivermos o império da prepotência e do despotismo.

É reservada às forças armadas a missão nobre de defender a soberania nacional. Acredito que essa seja a compreensão da grande maioria dos que exercem esse mister. Os que defendem um novo golpe militar são remanescentes do sistema implantado na década de sessenta, sedentos de retomarem o poder e voltarem a praticar arbitrariedades e excessos equivocadamente em nome da ordem social.

Façamos valer o poder da cédula eleitoral, dispensando a ação nefasta da tirania. A verdade defendida por Lincoln não pode ser menosprezada. Não conheço povo feliz em qualquer que seja a ditadura.
 


Ditadura nunca mais

 

O cenário apocalíptico que estamos vivendo tem ensejado um fenômeno que, há alguns anos atrás, seria inconcebível sequer pensar na possibilidade de acontecer, a proclamação pública do desejo de alguns pelo retorno dos militares ao poder. Por enquanto é uma minoria, mas o desencanto com a corrupção, os rumos políticos e a insegurança urbana, estão levando parte da sociedade brasileira a imaginar que a solução desses problemas só se daria com a mão dura de forças militares.

O mais grave é que vemos pessoas de bom nível cultural embarcando nessa, esquecendo os horrores que a nação vivenciou enquanto estávamos sob a égide de uma ditadura militar. Tempo em que a tortura, a censura, a quebra institucional e a violação dos direitos humanos eram política de Estado. Outros abraçam a causa por ingenuidade, na crença que a correção dos ilícitos ora cometidos acontecerá pelo império da força, desprezando a ação política. O que antes produzia constrangimento nas afirmações, hoje começa a ser dito com uma naturalidade que assusta.

Ainda bem que se percebe existir entre os militares de alta patente da atualidade a consciência de que a eles cabe exclusivamente a responsabilidade de guardiões da segurança nacional, missão institucional das formas armadas. A não ser alguns remanescentes dos “anos de chumbo”, a maioria não aspira assumir essa posição impatriótica de voltar a matar a democracia.

Precisamos reconstruir a nossa democracia, mas só o faremos através do voto, promovendo uma faxina política, sem abrirmos mão do direito de livremente escolher nossos governantes e representantes nos parlamentos. É necessário também que se promova uma revolução cultural, onde cada um de nós passe a ter noção da responsabilidade cívica de moralizar os costumes políticos, afastando as práticas nocivas que atentam contra a ética, a probidade, a honestidade e a integridade no exercício da cidadania.

Compreende-se o desapontamento, a desilusão, a decepção, que tomam conta de todos nós, mas isso não pode ser motivo para que cometamos o suicídio político de termos saudades dos anos sessenta, quando milhares de compatriotas foram torturados, assassinados, desaparecidos, censurados, por um regime que nos tirou a liberdade de agir e pensar. Não podemos voltar ao tempo em que muitos foram obrigados a viver na clandestinidade, no exílio, banidos de sua própria pátria. ´

É hora de reagir sim, mas sem perder os benefícios da democracia. Ditadura, seja qual for a matiz ideológica (esquerda ou direita), é sempre algo que oprime, escraviza, atormenta. Essa experiência espero que nunca mais a vivamos.


Como é difícil não julgar

 

Estamos permanentemente induzidos a nos comportar como julgadores. Temos uma dificuldade enorme em conter nossos impulsos de pré-julgamentos. E o pior é que, na maioria das vezes, o fazemos conduzidos por sentimentos de antipatia, preconceito ou raivas circunstanciais. E é aí que reside o perigo. A precipitação pode nos levar a cometer injustiças dos quais podemos nos arrepender no futuro, ou causar males irremediáveis às pessoas às quais estamos açodadamente fazendo juízos de valor.

O pré-julgamento tem cheiro de parcialidade. É necessário que saibamos gerenciar nossas emoções, a fim de que não percamos o equilíbrio da mente e assumamos atitudes impulsivas em desfavor de alguém. Dominados pelo egoísmo e a inveja somos perigosamente encaminhados para formar apressadamente julgamentos que carecem de isenção e equidade, baseados unicamente em convicções pessoais. São nessas oportunidades que nos afastamos do desprendimento moral e partimos para as acusações levianas e raivosas.

Quando ficamos na condição de julgadores ansiosos em condenar, cometemos o erro de desprezar o bom senso, a lógica, o conhecimento que pode direcionar para um veredicto mais justo. Por isso, o entendimento de que é impossível conferir conceito de imparcialidade ao juiz de quem sabemos antecipadamente qual será a sentença que irá proferir.

Devemos ter o cuidado para não deixar que as paixões contaminem nosso livre convencimento. Os julgamentos não podem ser decididos para atender satisfações individuais, transformando-os em manifestações de vingança ou despeito. Ninguém pode se considerar detentor da melhor razão, embora saibamos o quanto é difícil na prática adotarmos essa consciência.

 

 


A exigência do tratamento diferenciado

 

Desconfio das pessoas que exigem tratamento diferenciado quando estão no exercício de algum cargo que lhes confere poder ou autoridade. Na minha compreensão o respeito não se manifesta no título de quem se considera em situação de superioridade, mas na forma em que se estabelece o diálogo, onde a hierarquia não explicita distinção humana.

A autoridade não se impõe, se conquista. Portanto, desnecessário se faz chamar alguém de “excelência” ou doutor” para que se defina a condição de reverência ou consideração. A saudação de respeito é aquela em que não se configura quebra de hierarquia ou insubordinação.

Quando vejo a cobrança de tratamento diferenciado, presumo que a pessoa que faz essa exigência expõe uma personalidade marcada pela arrogância, empáfia, soberba. Só consegue exercer sua autoridade quando impõe medo, colocando o interlocutor numa situação de submissão, inferioridade. São indivíduos que se consideram acima dos normais. O envaidecimento de uma pessoa não a credencia a ser mais respeitada. Pelo contrário, sugere a imagem de insegurança, incompetência, a necessidade de se destacar como autoridade, nem que seja por imposicao.

Sinceramente, tenho pena de quem se comporta assim. Não consigo enxerga-lo como alguém que se sobressai por suas qualidades. Na minha concepção se diminui, por não saber exercer com equilíbrio as funções que lhe são determinadas pelo cargo que eventualmente esteja ocupando. Quero acreditar num mundo idealizado por Rui Barbosa quando dizia: “Eu não troco a justiça pela soberba, não deixo o direito pela força”.


Cajazeiras homenageia Deusdedit Leitão

 

As comemorações da independência do Brasil realizadas neste ano em Cajazeiras trouxeram para nós, familiares de Deusdedit Leitão, a oportunidade de vivermos momentos de emoção e orgulho. Por iniciativa do professor Fausto Nascimento de Albuquerque, diretor da Escola Estadual Monsenhor Constantino Vieira, os alunos daquele educandário desfilaram com camisas e faixas em homenagem à memória do seu conterrâneo.

Impossibilitados de comparecermos ao evento, assistimos o vídeo que nos foi gentilmente enviado. O espetáculo nos encheu de alegria, não só por sua beleza de representação cívica, mas, principalmente, por vermos que os cajazeirenses começam a reconhecer o legado cultural que o historiador Deusdedit de Vasconcelos Leitão deixou, passando a ser causa de ufania dos que nasceram naquela cidade do alto sertão paraibano.

O local onde hoje funciona a escola estadual Monsenhor Constantino Vieira, foi originalmente, na década de cinquenta, a primeira escola de ensino profissionalizante da região, a Escola Técnica de Comércio de Cajazeiras, mantida financeiramente por seus próprios alunos, tendo Deusdedit como professor de História. Ali ele ganhou motivação para enveredar pelos caminhos da pesquisa histórica, destacando-se em vida como um dos mais respeitados historiadores da Paraiba, tendo sido, inclusive, presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba.

Cajazeiras, portanto, tomou consciência da importância em prestar reverência a um dos seus filhos ilustres. Quem o conheceu sabia do amor que devotava à sua terra natal, dedicando parte da vida a pesquisar tudo o que pudesse oferecer conhecimento histórico de sua gente.

Foi muito gratificante para os que carregam no sangue o vínculo familiar com Deusdedit Leitão, viverem a satisfação de perceber a demonstração de esvanecimento dos estudantes que na marcha patriótica pelas ruas da cidade nos festejos da independência nacional, ostentavam a foto do conterrâneo ilustre, revelando um sentimento de honra em tê-lo como nascido no berço abençoado pelo Padre Rolim.

Ao professor Fausto e seus discípulos o abraço agradecido de todos os que têm a honra de se apresentarem como familiares do historiador Deusdedit Leitão, pela iniciativa exemplar de homenageá-lo. Quem sabe tenha sido o primeiro passo para que a Câmara Municipal daquele município desperte para a necessidade de dar seu nome a um dos logradouros (rua ou praça) da cidade.


 


"Você não deve ter raiva de quem tem raiva"

 

Ao divulgar nas redes sociais minha pretensão em lançar proximamente um livro em que procuro interpretar as mensagens contidas nas letras das canções de Chico Buarque, fui submetido a um ataque verbal de um leitor que se afirmava decepcionado porque eu estava exaltando as qualidades artísticas de um “petista comunista”.

Fiquei impressionado como a divergência de pensamentos políticos em nosso país está fazendo explodir manifestações de ódio. Chega ao ponto de algumas pessoas não conseguirem enxergar talento e competência em quem se posiciona contra suas preferências políticas e ideológicas.

Desconsiderar um gênio da música popular brasileira como Chico Buarque, unicamente porque ele ideologicamente se diferencia de você, é, no mínimo, uma proclamada ignorância do que seja conhecer o valor de uma obra cultural. A arte de Chico está acima de partidos políticos, sejam eles de esquerda ou de direita. O fato dele ser de esquerda, não enaltece, nem diminui, o conceito extraordinário de sua obra.

É pena que a intolerância política chegue a esse nível. Mas vou me valer do conselho do próprio Chico para responder a esse internauta que me censurou porque estava me dedicando a escrever sobre suas composições musicais: “você não deve ter raiva de quem tem raiva”. E mais, ele não estará obrigado a ler o livro quando for lançado.