O ódio dominando a cena política

 

A política produz nas pessoas sentimentos contrários: amor e ódio. A escolha de posições ideológicas, a adesão a uma causa, a defesa de uma idéia, são suficientes para que nos envolvamos em conflitos onde as manifestações apaixonadas se expressam através do amor ou do ódio. E aí é um passo para que surjam os desrespeitos mútuos, a ausência do sentido democrático para a convivência nas diferenças, as contendas e os prejulgamentos que condenam ou absolvem conforme as conveniências.

Somos regidos muito mais pelo coração do que pela razão. Em sendo assim, ficam explicitados os comportamentos movidos pelo ódio e pelo amor. No entanto, nos dias atuais, lamentavelmente, evidencia-se muito mais a expressão do ódio. Esse sentimento estimulado pelos setores dominantes e por uma mídia comprometida com o capital e as elites, faz com que proliferem as mentiras, as infâmias, as calúnias, a manipulação, com o intuito único de provocar atitudes beligerantes entre os indivíduos.

É preocupante ver um médico orientar uma colega a adotar procedimentos para agilizar a morte de uma paciente acometida de um AVC, unicamente porque passou a odiá-la politicamente. Ver um promotor público postar nas redes sociais uma fotografia em que apresenta uma garrafa de champanhe para comemorar a notícia da morte de alguém que ele nem conhece, mas por quem tomou-se de ódio por motivações políticas. Observar pessoas usando de ironia e humor negro para atacar uma família que vive o drama da perda de um ente querido, desprezando todo e qualquer sentimento de fraternidade cristã. Não quero entrar no mérito das preferências políticas dessas pessoas, mas registrar a minha indignação com tais comportamentos.

Será que estamos chegando à conclusão de que não há política sem ódio? É bíblico o pensamento de que “o ódio é inimigo dos homens e de Deus, e ele semeia a cizânia na terra (Mateus. 13,19)”. Triste constatar que a humanidade está contaminada por um ódio fanático que divide, uma raiva incontida que incita a violência, um rancor que desconsidera amizades e laços de parentesco.