Como é difícil não julgar

 

Estamos permanentemente induzidos a nos comportar como julgadores. Temos uma dificuldade enorme em conter nossos impulsos de pré-julgamentos. E o pior é que, na maioria das vezes, o fazemos conduzidos por sentimentos de antipatia, preconceito ou raivas circunstanciais. E é aí que reside o perigo. A precipitação pode nos levar a cometer injustiças dos quais podemos nos arrepender no futuro, ou causar males irremediáveis às pessoas às quais estamos açodadamente fazendo juízos de valor.

O pré-julgamento tem cheiro de parcialidade. É necessário que saibamos gerenciar nossas emoções, a fim de que não percamos o equilíbrio da mente e assumamos atitudes impulsivas em desfavor de alguém. Dominados pelo egoísmo e a inveja somos perigosamente encaminhados para formar apressadamente julgamentos que carecem de isenção e equidade, baseados unicamente em convicções pessoais. São nessas oportunidades que nos afastamos do desprendimento moral e partimos para as acusações levianas e raivosas.

Quando ficamos na condição de julgadores ansiosos em condenar, cometemos o erro de desprezar o bom senso, a lógica, o conhecimento que pode direcionar para um veredicto mais justo. Por isso, o entendimento de que é impossível conferir conceito de imparcialidade ao juiz de quem sabemos antecipadamente qual será a sentença que irá proferir.

Devemos ter o cuidado para não deixar que as paixões contaminem nosso livre convencimento. Os julgamentos não podem ser decididos para atender satisfações individuais, transformando-os em manifestações de vingança ou despeito. Ninguém pode se considerar detentor da melhor razão, embora saibamos o quanto é difícil na prática adotarmos essa consciência.

 

 


A exigência do tratamento diferenciado

 

Desconfio das pessoas que exigem tratamento diferenciado quando estão no exercício de algum cargo que lhes confere poder ou autoridade. Na minha compreensão o respeito não se manifesta no título de quem se considera em situação de superioridade, mas na forma em que se estabelece o diálogo, onde a hierarquia não explicita distinção humana.

A autoridade não se impõe, se conquista. Portanto, desnecessário se faz chamar alguém de “excelência” ou doutor” para que se defina a condição de reverência ou consideração. A saudação de respeito é aquela em que não se configura quebra de hierarquia ou insubordinação.

Quando vejo a cobrança de tratamento diferenciado, presumo que a pessoa que faz essa exigência expõe uma personalidade marcada pela arrogância, empáfia, soberba. Só consegue exercer sua autoridade quando impõe medo, colocando o interlocutor numa situação de submissão, inferioridade. São indivíduos que se consideram acima dos normais. O envaidecimento de uma pessoa não a credencia a ser mais respeitada. Pelo contrário, sugere a imagem de insegurança, incompetência, a necessidade de se destacar como autoridade, nem que seja por imposicao.

Sinceramente, tenho pena de quem se comporta assim. Não consigo enxerga-lo como alguém que se sobressai por suas qualidades. Na minha concepção se diminui, por não saber exercer com equilíbrio as funções que lhe são determinadas pelo cargo que eventualmente esteja ocupando. Quero acreditar num mundo idealizado por Rui Barbosa quando dizia: “Eu não troco a justiça pela soberba, não deixo o direito pela força”.


Cajazeiras homenageia Deusdedit Leitão

 

As comemorações da independência do Brasil realizadas neste ano em Cajazeiras trouxeram para nós, familiares de Deusdedit Leitão, a oportunidade de vivermos momentos de emoção e orgulho. Por iniciativa do professor Fausto Nascimento de Albuquerque, diretor da Escola Estadual Monsenhor Constantino Vieira, os alunos daquele educandário desfilaram com camisas e faixas em homenagem à memória do seu conterrâneo.

Impossibilitados de comparecermos ao evento, assistimos o vídeo que nos foi gentilmente enviado. O espetáculo nos encheu de alegria, não só por sua beleza de representação cívica, mas, principalmente, por vermos que os cajazeirenses começam a reconhecer o legado cultural que o historiador Deusdedit de Vasconcelos Leitão deixou, passando a ser causa de ufania dos que nasceram naquela cidade do alto sertão paraibano.

O local onde hoje funciona a escola estadual Monsenhor Constantino Vieira, foi originalmente, na década de cinquenta, a primeira escola de ensino profissionalizante da região, a Escola Técnica de Comércio de Cajazeiras, mantida financeiramente por seus próprios alunos, tendo Deusdedit como professor de História. Ali ele ganhou motivação para enveredar pelos caminhos da pesquisa histórica, destacando-se em vida como um dos mais respeitados historiadores da Paraiba, tendo sido, inclusive, presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba.

Cajazeiras, portanto, tomou consciência da importância em prestar reverência a um dos seus filhos ilustres. Quem o conheceu sabia do amor que devotava à sua terra natal, dedicando parte da vida a pesquisar tudo o que pudesse oferecer conhecimento histórico de sua gente.

Foi muito gratificante para os que carregam no sangue o vínculo familiar com Deusdedit Leitão, viverem a satisfação de perceber a demonstração de esvanecimento dos estudantes que na marcha patriótica pelas ruas da cidade nos festejos da independência nacional, ostentavam a foto do conterrâneo ilustre, revelando um sentimento de honra em tê-lo como nascido no berço abençoado pelo Padre Rolim.

Ao professor Fausto e seus discípulos o abraço agradecido de todos os que têm a honra de se apresentarem como familiares do historiador Deusdedit Leitão, pela iniciativa exemplar de homenageá-lo. Quem sabe tenha sido o primeiro passo para que a Câmara Municipal daquele município desperte para a necessidade de dar seu nome a um dos logradouros (rua ou praça) da cidade.


 


"Você não deve ter raiva de quem tem raiva"

 

Ao divulgar nas redes sociais minha pretensão em lançar proximamente um livro em que procuro interpretar as mensagens contidas nas letras das canções de Chico Buarque, fui submetido a um ataque verbal de um leitor que se afirmava decepcionado porque eu estava exaltando as qualidades artísticas de um “petista comunista”.

Fiquei impressionado como a divergência de pensamentos políticos em nosso país está fazendo explodir manifestações de ódio. Chega ao ponto de algumas pessoas não conseguirem enxergar talento e competência em quem se posiciona contra suas preferências políticas e ideológicas.

Desconsiderar um gênio da música popular brasileira como Chico Buarque, unicamente porque ele ideologicamente se diferencia de você, é, no mínimo, uma proclamada ignorância do que seja conhecer o valor de uma obra cultural. A arte de Chico está acima de partidos políticos, sejam eles de esquerda ou de direita. O fato dele ser de esquerda, não enaltece, nem diminui, o conceito extraordinário de sua obra.

É pena que a intolerância política chegue a esse nível. Mas vou me valer do conselho do próprio Chico para responder a esse internauta que me censurou porque estava me dedicando a escrever sobre suas composições musicais: “você não deve ter raiva de quem tem raiva”. E mais, ele não estará obrigado a ler o livro quando for lançado.
 


"Não há melhor juiz do que o tempo"



O tempo é companheiro permanente em todos os caminhos da nossa vida. Ele é, sem dúvidas, o melhor juiz de todas as coisas. O tempo é imparcial, isento, não tem preferências, porque para ele somos todos iguais. Suas sentenças podem demorar algum tempo para serem executadas, mas são sempre sábias e justas.

Ele tanto aprisiona, quanto liberta. Ele sabe a hora certa de promover a tranqüilidade e a paz de espírito, mas sabe também o momento de aplicar sanções e castigos. Ele não mente, não esconde verdades, testemunha nossos fracassos e vitórias.

O tempo não julga avaliando ou criticando, ele ensina. Quando se aprende com o tempo, as sentenças são mais brandas, porque corretivas. Terminam sendo mais justas. A justiça aplicada pelo tempo flui num padrão de equidade.

E quem é o Senhor do tempo? Deus. Logo a justiça do tempo é justiça divina. Portanto perfeita porque está acima da razão humana. A justiça dos homens é parcial, a de Deus é igualitária.

Cabe a todos nós compreender os ensinamentos do tempo e assim entendermos que ele será sempre “o melhor juiz de todas as coisas”.
 


O ultrajante desrespeito à memória de Paulo Gadelha

 

Nem os mortos estão livres da maledicência humana. Como dizia o dramaturgo francês Jean Moliére : “as línguas têm sempre veneno para verter”. Causou-me indignação o atentado contra a honorabilidade de uma das personalidades mais dignas que conheci no mundo jurídico e cultural de nossa querida Paraíba, o desembargador Paulo Gadelha. Irresponsavelmente tentaram macular a sua imagem.

Pura perda de tempo, pois quem conheceu Dr. Paulo Gadelha, sabe da integridade com que se conduziu ao longo da vida. A Paraíba repudia essas insinuações maldosas e criminosas quanto ao comportamento de decência e responsabilidade profissional que marcou o caráter desse nosso conterrâneo enquanto vivo.

O ultrajante desrespeito à sua memória merece de cada um de nós paraibanos, uma reação de repulsa. Não podemos permitir que sua honra seja maculada levianamente. A destacada atuação jurídica de doutor Paulo Gadelha merece sim as nossas homenagens e reverências.

Não poderia silenciar diante de tamanha ignomínia. A voz isolada de um criminoso confesso não pode servir de fundamento para alvejar contra a dignidade de um homem de bem. Faço publicamente a minha manifestação de repúdio a essa infâmia direcionada a um cidadão que soube honrar nossas tradições, portando-se sempre, enquanto viveu, em completa observância dos princípios da moralidade, da probidade e da retidão nos seus procedimentos.

Descanse em paz, doutor Paulo Gadelha, ninguém conseguirá manchar sua reputação, reconhecida e legitimada por todos os que tiveram a felicidade de usufruir de sua amizade e companheirismo.


A nova Praça Venâncio Neiva e o novo Pavilhão do Chá

 

Quando se fala em preservação de centros históricos, muita gente imagina que sejam ações exclusivamente voltadas para o restauro e manutenção do aspecto físico de monumentos considerados patrimônio cultural. O prefeito Luciano Cartaxo tem pensado nisso de forma mais objetiva. Entende ele que “revitalizar” áreas tombadas como centro histórico, significa agir em busca da redemocratização dos espaços públicos sem que percam sua concepção de origem. É assim que tem determinado as intervenções do poder público municipal em praças e logradouros considerados cartões postais de nossa cidade.

Tomemos como exemplos as praças da Independência, 1817, da Pedra e João Pessoa, assim como o Parque Solon de Lucena (a Lagoa). Não há a preocupação única em recuperar e melhorar suas estruturas físicas, mas também a de atribuir novas funções e sentido a esses espaços urbanos, de forma a estimular o turismo e adaptá-los ao lazer e às atividades culturais.

Hoje o prefeito devolve à cidade a Praça Venâncio Neiva totalmente restaurada, cuidando especialmente do Pavilhão do Chá e do Coreto (mirante) ali instalados. Antigamente essa praça era conhecida como Pátio do Palácio, por se situar ao lado da sede do governo estadual. Em 1905, quando inaugurada, foi chamada de Praça da Independência. Só em 1917 passou a ter a atual denominação. Seu projeto de urbanização, contendo jardins, um coreto, um rinque de patinação e uma fonte circular de mármore italiano, recebeu a assinatura do arquiteto Pascoal Fiorillo.

Com o decorrer do tempo a fonte foi retirada e o rinque de patinação demolido, local em que foi construído o pavilhão central, projetado pelo arquiteto Giuseppe Gioia, destinado à realização dos “Chá das Cinco”, motivo pelo qual passou a ser conhecido como o “Pavilhão do Chá”.

O coreto é uma rotunda de dois pavimentos, localizada na extremidade da praça, voltada para a rua General Osório, servindo de mirante para observação da cidade baixa, às margens do rio Sanhauá, e do espetáculo do “por do sol”.

Luciano Cartaxo, portanto, segue nessa orientação de revitalizar o Centro Histórico, com a preocupação de oferecer-lhe uma atmosfera cultural. Nesse espaço urbano ora restaurado funcionará um Centro Multicultural, onde serão realizados eventos que expressam a riqueza de nossas manifestações culturais. Será um ambiente de convivência social da população moradora de nossa capital, mas também com função educativa para as novas gerações, fazendo despertar o sentimento de orgulho com o seu patrimônio cultural, além de voltar a ser ponto de atração turística para os que nos visitam.


A pregação revolucionária de Dom José Maria Pires


A Igreja Católica exerceu papel fundamental na defesa dos direitos humanos na época da ditadura militar. A CNBB – Confederação Nacional dos Bispos Brasileiros atuou de forma corajosa, enfrentando e levantando a voz em favor dos excluídos e dos perseguidos pelo regime. No Nordeste, três bispos dedicaram suas atividades eclesiásticas  buscando construir uma igreja mais aberta para os pobres: Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Maria Pires, arcebispo da Paraíba, e Dom Fragoso, bispo de Crateús.

Dom José Maria Pires exerceu seu episcopado no período de 1966 a 1994. Portanto, chegou à Paraíba nos primeiros anos da ditadura. Notabilizou-se por sua luta combatendo o latifúndio e o preconceito contra os negros. Por sua cor morena ganhou os apelidos de “Dom Zumbi” ou “Dom Pelé”. Na Paraíba esteve sempre ao lado dos oprimidos, comprometido com as causas sociais, o que o colocava numa posição não muito bem aceita pelos militares no poder.

Na sua mensagem de Páscoa proferida na semana santa de 1968, deu ênfase ao papel da Igreja Católica no processo revolucionário que o mundo vivia naquele ano.
"A Igreja tem de vencer o peso dos séculos e romper estruturas envelhecidas para ser a verdadeira “Igreja de Cristo ressuscitado”, onde não há lugar para os acomodados e os passivos. As grandes lideranças da história universal estão mortas e os ideais que eles defenderam podem ser ainda fonte de inspiração para os seus herdeiros espirituais. Suas sepulturas são hoje monumentos históricos.
Só Cristo é vivo, porque só ele venceu a morte. Só o Cristo é atual, porque introduziu a eternidade no temporal. Só o Cristo ressuscitou verdadeiramente.  Por isso a Igreja para ser a “Igreja do Cristo ressuscitado” tem que se rejuvenescer continuamente. Não tenhamos, pois, receio de dar passos à frente, de abandonar posições adquiridas e mantidas com esforço e altivez. Busquemos outras mais atuais e mais próximas de Cristo. A Igreja deve colocar-se não na retaguarda da sociedade, mas na crista dos acontecimentos e à frente de todos os legítimos movimentos de libertação que empolguem a gente moça.
Nesta reflexão está a minha mensagem de Páscoa. Seja a Páscoa de 1968 esta passagem do temor para a segurança, da acomodação para a luta, do ódio para o amor. Que ela desarme os espíritos, aqueça os corações e faça de todos nós mensageiros daquela esperança que deve tornar-se realidade nos dias da nossa existência”.

Dias depois, em uma palestra no Liceu, Dom José Maria Pires afirmava aos estudantes:
Palavra como “subversão” não deveria ser temida pelo povo, porque é necessário subverter uma ordem estabelecida sob a injustiça, a fome e a exploração, a fim de que se removam os obstáculos que impedem as nações de construir o seu desenvolvimento. A luta dos jovens é uma luta de Deus, porque é uma luta pela libertação dos homens. A Igreja se coloca hoje ao lado de todos que lutam pelo desenvolvimento, sejam católicos, protestantes, ateus, espíritas, comunistas, etc. Somente o desenvolvimento é que dará paz aos povos.

• Do livro “1968 - O GRITO DE UMA GERAÇÃO”. Lançado em 2013.
• Na republicação desse texto presto minha homenagem a esse que foi um líder no verdadeiro sentido da palavra. Como ministro de Deus dedicou-se a defender os pobres e os desvalidos no tempo em que a opressão era uma marca de governo em nosso país. 


A democracia da opinião única

 

A degeneração do clima político em nosso país está contribuindo para se forme a “democracia da opinião única”. A polarização estabelecida entre situação e oposição ao governo, tem levado a conflitos fundados na intolerância da opinião contrária. Isso vale para os dois lados. Ninguém admite que os circunstanciais adversários exponham seus pensamentos e opiniões de forma livre.

Ficamos então sem exercitar o debate construtivo, respeitando as discordâncias. Como não existe, na maioria das vezes, a crítica racional, mas aquela que é colocada no calor das emoções e das paixões políticas, o comportamento que está se tornando comum é a desqualificação do opositor, promovendo o terrorismo intelectual e moral.

Maquiavel já dizia que “as ideologias se diferenciam conforme as condições de vida dos seus defensores”. Prevalecem, logicamente, os interesses pessoais ou de grupos. E, por conta disso, os embates discursivos se dão na provocação que procura constranger os divergentes. Aí então o debate cai para o baixo nível, com agressões de parte a parte, com ataques à honra e a dignidade pessoal dos oponentes.

O mais grave é que cada um acha que está cumprindo dever ético revolucionário ao se posicionar dessa forma. Interessante que todos falam como se expressassem o pensamento majoritário e da verdade absoluta, sem perceberem que, via de regra, estão sendo manipulados por instrumentos de persuasão que escondem seus verdadeiros objetivos ao propagarem ideias. Tornam-se massa de manobra dos aproveitadores de ocasião.

O patrulhamento político se consolida nessa polêmica entre extremos. A radicalização cega o entendimento e a compreensão real dos fatos, exacerba ânimos apaixonados, forma grupos sectários e fanáticos. Quando se configura essa situação, os contendores perdem a razão, deixam de ser debatedores de uma causa, para serem contendores de uma guerra.

Espero que a sensatez volte a imperar na nossa cena política. Desejo que vivamos num país onde os amigos tenham o sagrado direito de divergir um do outro sem o risco de serem ofendidos, que pessoas públicas possam verbalizar suas opiniões sem sofrerem a execração dos que com elas não concordam, que nas famílias possam haver discrepância no pensamento político sem que isso venha a promover intrigas e distanciamentos entre parentes.

É profundamente lamentável que estejamos vivendo essa temperatura política. A sua prática em nada ajuda sairmos da crise em que mergulhamos. Pelo contrário, alimentados pelo ódio e a intolerância, ficaremos cada vez mais distantes de encontrarmos a saída que se faz necessária. Enquanto estivermos querendo impor uma democracia de opinião única, marcharemos para a afirmação de um povo que perdeu sua consciência política livre e soberana.
 


"A sabedoria começa na reflexão"

 

Essa frase não é minha, foi proclamada pelo filósofo Sócrates, mas expressa uma grande verdade. Ninguém pode se considerar uma pessoa com sabedoria se não for alguém que se dedique à refletir sobre a vida. Viver constantemente interrogando a si mesmo é condição primeira para se alcançar o conhecimento profundo das coisas. Já dizia Coralina que “o saber se aprende com os mestres, e a sabedoria só com o corriqueiro da vida”.

 Vivemos sempre sendo cobrados por nossa consciência. E estamos, a todo instante, procurando respostas que nos permitam ter um bom relacionamento com a realidade ao nosso redor. É preciso que busquemos compreender “o porque”, “o que” e o “para que”, de tudo que esteja relacionado ao nosso modo de viver. Só assim conseguiremos analisar erros e acertos e firmarmos aquilo que pode ser compreendido como “pensamento próprio”.

Essa discussão que estabelecemos com nossa consciência, pode evitar que sejamos vítimas de manipulação e passemos a emitir opiniões e agir de acordo com o que pensam outras pessoas. Quando nos damos ao exercício da reflexão, ganhamos a capacidade de elaborar nosso próprio pensamento.

Nos tempos atuais somos perigosamente influenciados pela propaganda midiática e pelos discursos ideológicos construídos com a intenção de “fazer nossa cabeça”. Há o risco de nos tornarmos “massa de manobra” para atendimento de interesses nocivos a nós mesmos, sem que os percebamos. Começamos a defender ideias que não são nossas e que sequer nos beneficiam.

Daí a importância da reflexão permanente sobre o mundo em que estamos envolvidos. Nunca devemos deixar sem respostas convincentes as perguntas existentes no nosso íntimo. A preguiça de pensar, questionar, refletir, torna o homem ignorante e presa fácil dos poderosos.