Pesquisador premiado com medalhas de ouro em exposições tecnológicas europeias com projetos na área de Engenharia Civil. Prêmios conferidos em Genebra e Londres. Membro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico e diretor de Imprensa e Cultura do Sindicato dos Jornalistas do Estado da Paraíba.
Postado por Reginaldo Marinho em 5/3/12 as 6:40 PM
Há alguns meses, o bispo-senador Crivella declarou em sessão do Senado Federal que: “se a China é a fábrica do mundo, o Brasil é a fazenda do mundo”. Nenhum dos parlamentares presentes arguiu o declarante, denunciando um consentimento coletivo ao argumento do senador Crivella.
Ao ser empossado novo ministro da Pesca, o senador Crivella faz declaração inquietante ao afirmar que não sabe nem colocar minhoca em anzol. Por essa afirmação, fica fácil deduzir que de pesca ele nada entende. O ministro deveria ser mais moderado em suas declarações e evitar morrer pela boca como os peixes ou se afogar em suas palavras.
Se o Brasil é a fazenda do mundo, como deseja o ministro, no setor da pesca estamos muito longe de atingir esse status. A nossa produção pesqueira é inferior a de Taiwan, uma ilha com território inferior ao do menor estado brasileiro. Perdemos para Peru, Indonésia, Chile, Coréia do Sul, Islândia, Malásia… Todos esses países são bem menores do que o Brasil. Desejamos que o ministro aprenda rapidamente tudo sobre pesca e crie as condições para que o Brasil cresça nessa atividade.
Ninguém pode reprovar a excelente condição brasileira de exportador de commodities, minérios e produtos agroindustriais, consequência do elevado estoque de recursos naturais que a natureza nos presenteou, mas a ampliação das fronteiras agrícolas, sem o devido planejamento, está associada à devastação de florestas, à destruição de matas ciliares e nascentes, causando danos ambientais irreversíveis e prejuízos econômicos futuros incalculáveis.
A riqueza da biodiversidade brasileira é extraordinária e com potencial econômico muito superior aos rendimentos da soja. Deveríamos ser mais cautelosos quanto à destruição desmedida das reservas florestais brasileiras, pois não somos apenas uma grande fazenda.
Os rumores sobre a desindustrialização brasileira tem crescido mais do que deveria. Isso é muito grave. Este fato está relacionado diretamente com o baixo desempenho tecnológico brasileiro. O item de maior agregação tecnológica na pauta de exportações, que é o de aviões, é inferior à prosaica importação de “Objetos de adorno, uso pessoal e outros”. Mesmo assim a Embraer só existe por causa dos investimentos da ditadura militar em tecnologia nacional, numa época que não havia um artigo constitucional definindo esses investimentos.
Infelizmente, a democracia brasileira introduziu os artigos 218 e 219 na Constituição, mas ainda não entendeu a importância do fomento à tecnologia própria.
O crescimento atual da economia brasileira deve muito ao fortalecimento econômico da China. A decisão do governo chinês de congelar o PIB deles no patamar de 7% ao ano é preocupante. De certa forma, nós contribuímos para o enriquecimento chinês com o fornecimento de insumos fundamentais. Ilustrando esse raciocínio, verifica-se parte do desequilíbrio comercial ao vender minério de ferro aos chineses por US$ 140/t e comprar os trilhos fabricados por eles a US$ 850/t. Um Boeing, que custa US$ 250 milhões, equivale a mais de um milhão de toneladas de soja ou 33 mil carretas carregadas. Uma carga de 700 km de soja enfileirada.
A imprensa brasileira tem sido omissa nessa discussão. Não podemos afirmar que a responsabilidade seja, exclusivamente, dos donos de veículos ou da falta de capacitação dos jornalistas brasileiros para analisar a grave questão da defasagem tecnológica brasileira, mas o volume de informações sobre a realidade tecnológica nacional é insuficiente e nociva ao desenvolvimento econômico do País.
O apoio governamental ao desenvolvimento tecnológico é restrito a alguns setores, fora dos quais nenhuma empresa ou pesquisador independente terá chance. Os instrumentos de financiamento ou de fomento só admitem empresas com comprovado sucesso financeiro nos últimos três anos ou a submissão de garantias reais como qualquer operação financeira. Essa atitude das agências governamentais afronta o artigo 218 da Constituição Federal que responsabiliza o Estado pelo provimento de recursos a quem produz Ciência e Tecnologia, sem restrições.
O marco regulatório de C&T embutido no Projeto de Lei 619/2011, já aprovado no Senado Federal, vai complicar mais ainda a situação dos inventores independentes e das empresas nascentes de base tecnológica, pois, segundo o texto do PL, as agências de fomento decidirão livremente quanto à conveniência de financiar um novo produto tecnológico. Embora a produção tecnológica nas universidades e centros de pesquisas seja pífia, os recursos destinados C&T são historicamente diluídos entre os pesquisadores acadêmicos, que não oferecem os resultados compatíveis com os elevados investimentos governamentais.
Os portais do governo oferecem poucos dados sobre esse setor, mas os números relacionados aos depósitos de pedidos de patentes são estarrecedores. Segundo dados do INPI e do Relatório da Inventiva Nacional, único documento produzido pelo governo brasileiro há mais de dez anos, mostram claramente a insignificante produção tecnológica gerada nas universidades.
Postado por Reginaldo Marinho em 10/28/11 as 9:39 PM
Para Beth Souza,
uma crisálida que virou mulher.
Era manhã do dia 23 de setembro, dia do equinócio de primavera. Por ser tão bela, sozinha, essa expressão merece uma celebração. Como as noites e os dias são assimétricos ao longo do ano, os dois equinócios – o de primavera e o de outono- são as únicas datas em que as noites têm a mesma duração dos dias, em qualquer parte do planeta. O equinócio, que significa noite igual, é o dia em que o Sol se alinha com o Equador e estabelece a simetria.
Desde que a Terra gira em torno do Sol, num movimento oscilatório, que ele existe. Essa variação geométrica de translação é que torna o nosso planeta singular. Sem essas alterações espaciais nós não teríamos as quatro estações, que emprestam toda a beleza que estamos tão habituados a ver e nem percebemos a sua intensidade.
Imagine como seria monótono viver eternamente no inverno sombrio. Quanto a nós nascidos em ambientes tropicais nem podemos reclamar, se não percebemos a diferença entre primavera e verão, já que o Sol nos cobre com a sua luz intensa quase todos os dias do ano.
Gosto de observar essas efemérides, mas única vez que percebi a transição de uma estação para outra, foi no ano 2000. Eu morava na Itália e no dia 22 de setembro, às 17h:30, desabou uma chuva torrencial em Piacenza. Até aquele momento estávamos vivendo em clima de verão. A luminosidade e o calor eram de verão, mas a partir daquela chuva, entramos definitivamente no outono. Acabara de presenciar o equinócio de outono italiano.
Eu já havia morado em Barcelona e nunca notei uma mudança tão radical na atmosfera. Percebi muitas coisas com aquela precipitação. Fiquei muito impressionado porque eu via aquela chuva, tão intensa, apenas quando ela caía, no chão não restavam vestígios além do piso molhado. As ruas de uma cidade com mais de dois mil anos tinha um sistema de drenagem que eu nunca vi em nenhuma cidade brasileira, de pequeno ou grande porte. Não restava nenhuma poça d’água para gerar o desconforto comum nas cidades brasileiras, em dias chuvosos.
Voltando para o equinócio daqui, não tinha aquele sol que desejamos na primavera. O céu estava nublado e eu sentei ao lado do compositor Livardo Alves, transformado em bronze, à frente ao Paraíba Palace Hotel. Os vidros quebrados do relógio da torre do hotel indicavam que ele não funcionava por muitos anos e marcava tempos diferentes em cada uma das quatro faces. Apenas os ponteiros da face oeste apontavam para o mesmo tempo, que os manuais de astronomia confirmavam para aquela efeméride, às nove horas.
Fiquei por ali contemplando a paisagem que se tornara árida com toda aquela superfície uniforme de concreto. Lembrei-me do bonde, do café Alvear, dos carros de praça que ficavam ali esperando os passageiros. O tempo percorreu os meus pensamentos. A vida toda passou por ali, menos o equinócio se via.
O chão acinzentado do cimento, como se espelhasse as nuvens escuras paradas no céu, escondia as cores da estação das flores, quando uma borboleta dourada, vinda não sei de onde, passa pela banca de jornal do Regi, dá uma volta pelo Ponto de Cem Réis procurando alguma flor. As suas delicadas asas batendo suavemente, sem nenhum esforço, apenas cortavam, como lâminas imateriais, o ar da brisa que ainda soprava naquela manhã. Ela era a única cor que se destacava para anunciar a primavera.
Postado por Reginaldo Marinho em 10/23/11 as 12:48 PM
No dia 15 de junho de 1987, a Espanha completava 10 anos de democracia. Ao ser informado que o presidente do governo espanhol Felipe González viria ao Brasil naquela data, estimulei o presidente do Senado Federal senador Humberto Lucena a promover uma homenagem à jovem democracia espanhola, que havia renascido das cinzas dos 39 anos de ditatura franquista.
Humberto Lucena acolheu a minha proposta imediatamente e autorizou Ronald Queiroz a elaborar um texto para prefaciar o álbum fotográfico de minha autoria “Espanha: via democrática” publicado em edição comemorativa do Senado Federal alusiva à visita do primeiro-ministro espanhol Felipe Gonzalez.
Naquela época, em Brasília, o Pacto de la Moncloa era o símbolo de reorganização política de uma sociedade que emergia de uma ditadura e era justo que os principais líderes políticos brasileiros evocassem a experiência espanhola para balizar a nossa democracia embrionária. Os atores políticos mais atuantes concordavam em promover no Brasil um pacto que respaldasse a Nova República que morreu antes de ficar velha, pois faltava combinar com o Partido dos Trabalhadores que, após as Diretas Já, preferiu fazer oposição ao governo Sarney e a todos os que viessem depois.
Naquele contexto, a chegada de Felipe González era uma rara oportunidade para injetar ânimo em nossa frágil democracia. A visita de Felipe Gonzalez ao Congresso Nacional foi no dia 16 de junho e no dia anterior, 15, na data exata da comemoração da primeira década da democracia espanhola, eu fui ao Hotel Nacional para um encontro com os jornalistas da comitiva presidencial, pois nela encontrava-se um colega da revista Interviú, para qual eu trabalhei quando morei em Barcelona.
Quando mencionei a referência à comemoração dos dez anos da democracia espanhola, publicada no prefácio assinado pelo presidente do Congresso Nacional, no álbum com fotos do início do processo da redemocratização espanhola, aquilo causou um alvoroço na comitiva do primeiro-ministro. Alguns de seus membros chegaram a confidenciar que o Felipe González preferiu passar a data fora da Espanha para não ter que compartilhar com o seu antecessor Adolfo Suarez, que governou seis anos daqueles dez.
Nada que pudesse apagar o brilho daquela visita. Rapidamente, os seus auxiliares incluíram no discurso, a ser realizado no Congresso Nacional, uma breve citação à comemoração da primeira década da democracia que ocorria naquele dia e ficou tudo bem.
Os planos do Partido Socialista Obrero Español/PSOE eram mais ousados. O objetivo era dar ênfase a comemoração de outra data mais emblemática que se aproximava a dos 500 Anos do Descobrimento das Américas.
Foi nomeado para presidência do Comitê do 5º Centenário um dos cardeais do PSOE Luis Iañez, que declarou assim que pisou em solo argentino, no mesmo ano, que a sua viagem iniciava em Buenos Aires, mas os seus olhos estavam voltados para o Brasil. Com vistas às comemorações do 5º Centenário do Descobrimento das Américas, a Espanha já havia sido selecionada para sediar a Olimpíada de Barcelona e Exposição Universal de Sevilha, a Expo 1992.
Uma das missões de Luis Yañez era fechar um acordo com duas nações selecionadas pelo governo espanhol, Brasil e Cuba, para sediar aquelas comemorações em território americano, para a revitalização de um Centro Histórico em cada país. Cuba foi escolhida, talvez, por ter sido uma das primeiras terras pisadas pelos conquistadores espanhóis, sendo uma nação peculiar e o Brasil pela sua magnitude.
O ministro da Cultura do Brasil era Celso Furtado e ele indicou João Pessoa para acolher o convênio do governo espanhol para sediar na América do Sul aquela festividade tão emblemática. A Espanha queria aproveitar a data para demonstrar para o mundo o seu poderio pretérito e o que conservava do passado para manter as relações do presente.
Após deixar o ministério, o encontrei na livraria Livro 7, no Recife, para lançar a sua obra “A fantasia desfeita” e indaguei sobre os motivos que o levaram a indicar João Pessoa para sediar evento tão importante. Ele disse apenas que João Pessoa era a única cidade brasileira com valioso patrimônio histórico que nunca fora contemplada com um convênio internacional.
Não sei se Havana comemorou aquela data, mas posso garantir que em João Pessoa nenhum traque foi ouvido para lembrar o que o governo espanhol fez por nossa cidade ou para celebrar os 500 Anos do Descobrimento das Américas. O Centro Histórico abrigou por muito tempo esse programa da Agencia Española de Cooperación Internacional para el Desarrollo, AECID, sob a coordenação local da arquiteta Náhya Caju.
A Paraíba nunca teve um governante que definisse um plano de ocupação para o Centro Histórico, um dos mais valiosos do Brasil, e as organizações comerciais que lá se instalam sobrevivem mantidas pelo modismo de suas iniciativas. Com a remodelação do Ponto de Cem Réis, o Centro Histórico voltou ao abandono.
A inauguração da sede própria do Sindicato dos Jornalistas da Paraíba, no Centro Histórico, assegura a permanência de uma instituição que não dependerá dos efeitos de moda, para desenvolver as atividades culturais propostas, como passo significativo para resgatar essa dívida com o governo espanhol e com Celso Furtado.
RM@reginaldomarinho.com.br
http://construcell.com/noticias/release
@Construcell
Postado por Reginaldo Marinho em 6/10/11 as 11:01 PM
La noche anterior, había ido con Silvia Atienza para hacer mi primera reportaje en Interviú. Como fotoperiodista, tomé las fotos y me fue antes de Silvia. A la salida, recibí un sobre con varios impresos de esa institución, creo que era un sindicato de farmacéuticos que querían igualar su piso salarial a los médicos, puse todo en mi bolso y me fue a reunirme con los amigos que me esperaban.
Cuando veo el contenido del sobre, descubrí que había un talón por diez mil pesetas. Le mostré a mis amigos y todos me felicitaron por el excelente trabajo que tenía, además de buen sueldo, aun recibía talón de los entrevistados. Yo ni mis amigos podían descifrar el significado de aquel talón, que era mi primer día de trabajo en la prensa española. Yo no entendía nada.
Al día siguiente, por lo general entregan las fotos a la redacción de mi primera reportaje en España. Cuando llegué, Silvia Atienza estaba allí. Rápidamente, dijo, vistes que cabrones ayer? No sé de qué hablas, contesté. Él talón, no vistes el talón? Le dije: Si, lo tengo aquí en el bolsillo, que pasa? Ella gritó: Asensio! Marinho tiene el talón. Asencio ha venido y dijo, dame el talón y puedes pasar en la tesorería que autorizo el pago correspondiente. Interviú reprodujo aquel registro como evidencia de intento de soborno de un sindicato a la prensa y nunca he estado a cobrar algo que no me pertenecía. Su hermana, quien manejaba las finanzas de la compañía debería haber dicho que yo nunca he buscado el pago de aquél talón. Yo no podría cobrar lo que por derecho no era mío. Ese fue mi bautismo en Interviú.
El año de 1976, en Interviú habían solamente dos fotoperiodistas contratados: Jean Marie Pulm y yo. El número total de empleados de la compañía era de menos de treinta y la revista vendía 300.000 ejemplares cada semana. Era un montón de dinero. Aparte de la publicidad, eran 15 millones de pesetas de ventas a la semana que se iban a las arcas de Interviú.
Asensio decidió crear otra revista para competir con Interviú, que era éxito de ventas absoluto. Fundó la revista Repórter, cuyo contenido era similar a Interviú. Fue para Repórter como único fotoperiodista, todos los demás recibían encargos para cada reportaje, como en Interviú.
Recuerdo que el jefe de redacción de Repórter era Eliseo Bayo y en la redacción estaban Julio Fernández, Adolfo Barricart, Javier Garriga, Carmen Muñoz, Carmen García Ribas, yo y unos tres compañeros más que no recuerdo sus nombres, ahora. Asensio tuvo la magia de formatear equipos eficientes con un mínimo de profesionales.
Un día, Eliseo Bayo invítame a su oficina y pide para revelar una película, le contesté que yo había elegido la profesión de periodista por vocación, si no fuera así yo tendría una tienda para hacer trabajos de otros que me darían más beneficios. Yo no estaba acostumbrado a revelar películas de otros.
Le recomendé que buscase una tienda especializada, que tendría un buen resultado. Al día siguiente, el director de la revista quería hablar conmigo y se presenta con la misma situación. Le respondí de la misma manera y él dijo que si él mismo estuviera del otro lado de la mesa haría lo mismo que yo, pero yo estaba en el lado equivocado para tomar esa decisión. Terminó la reunión diciendo que yo tenía dos opciones: revelar la película o ser retirado de la revista.
Esa situación me dejó perplejo. No era posible que yo sufriera tales presiones totalitarias en un ambiente tan progresista, dentro una sociedad que estábamos todos construyendo sobre la base de los principios éticos fundamentales, en una trayectoria que apuntaba hacia caminos democráticos y plurales, con todo repertorio ideológico reunido por los españoles en muchos años de resistencia al totalitarismo.
Llevé esa cuestión de forma individual a todos mis colegas de redacción y yo recibí la solidaridad de todos. Pocos días después, Eliseo Bayo marcó una reunión con todos de la redacción para hablar de mi situación y saber la opinión de cada uno, conmigo presente. Todos, para mi sorpresa, excepto Julio Fernández, han cambiado y decidieran quedarse contra de mi posición. Perdí, pero pude ver la cara de todos los que han traicionado a una práctica de los catalanes en general, la lealtad.
Inmediatamente después de la votación, Eliseo se dirige a la puerta y la abre, entra en la sala Antonio Asensio para informar del negocio que hizo con la venta de la marca Repórter y quien quisiera volver a Interviú, tendría la aceptación inmediata. Fue el tercero y último contacto que tuve con Antonio Asensio.
Asensio, también reveló que invirtió dos millones de pesetas, noventa días antes, en la revista que vendió por seis millones de pesetas, dijo a través de su actitud que no se penaliza a un profesional que había sido tan listo con la empresa como yo. Este relato es el diseño del personaje que guardo Antonio Asensio.
Las fotos que ahora presento corresponden al testimonio de aquel momento, asistiendo a una sociedad que se construya ante mis ojos, con los fundamentos de una Historia rica y progresista. Asistí el renacimiento de una nación y pude registrar la alegría expresada en cada gesto catalán. Vivir el renacimiento de España, en aquel contexto, fue la experiencia más importante de mi vida.
Cuando hace diez años que Antonio Asensio murió le dedico ese texto con el sentimiento de que él contribuyó para consolidar la ética y mejorar las condiciones sociales de España.
RM@reginaldomarinho.com.br
http://construcell.com/noticias/release
@Construcell
Postado por Reginaldo Marinho em 5/10/11 as 6:19 AM
Transcurría en el año 1976. Sobrevivir a la dictadura brasileña se había convertido en asfixiante y decidí ir para Barcelona, por mi personalidad romántica. Fue una decisión muy importante, porque con la muerte del dictador español Francisco Franco en el año anterior, España estaba experimentando un modo de renacimiento.
Barcelona, la capital de Cataluña, es una ciudad maravillosa. La población catalán mantiene un carácter especial. Son muy correctos, alegres, solidarios, leales y, al mismo tiempo, apasionados por el trabajo.
En la década de 30, consciente de la debilidad de la monarquía, el rey Alfonso XIII convocó las elecciones municipales para legitimar la monarquía, pero la mayoría optó por los partidos republicanos españoles. Como resultado de las urnas, el rey renunció y se fue al exilio. El rey Alfonso XIII era abuelo del rey Juan Carlos.
La Segunda República Española nació con la victoria republicana en las elecciones municipales del 12 de abril de 1931, bajo la égida de desarrollo político, económico y cultural; la consecuencia fue el fortalecimiento de las tendencias anarcosindicalistas que prosperaban en Cataluña y Aragón.
También en 1931, la Asamblea Constituyente, promueve la separación de Iglesia y Estado. Una de las más poderosas organizaciones de la Iglesia fue fundada en Madrid en 1928, el Opus Dei. La Iglesia Católica siempre ha sido muy influyente en España y un Estado laico es un obstáculo para los sectores católicos conservadores.
Entre 1931 y 1936, las fuerzas conservadoras, con apoyo de Opus Dei, fueron organizándose hasta que un golpe de Estado encabezado por el general Francisco Franco encontró fuerte resistencia en la población politizada que resultó en la Guerra Civil española. Ese evento tuvo repercusión internacional con la adhesión de los intelectuales, los artistas y los rebeldes de todo el mundo marcharon a España para formar las Brigadas Internacionales. Impulsados por la conciencia política, estos intelectuales han participado en un hecho sin precedentes, en una guerra emblemática que tiene uno de los mayores símbolos del arte mundial en Guernica de Pablo Picasso.
La dictadura franquista fue implacable con las provincias autónomas y sus lenguas como el catalán, que había sido prohibido el uso público por parte del Estado Nacionalista de Franco. Lenguas como el vasco - euskera - y el catalán se mantienen gracias a la tradición familiar que siempre se utilizaban de ellas en la comunicación de la intimidad del hogar.
El despertar a la democracia en España ha unido las fuerzas latentes en la cultura española que se manifiestan en forma simbólica en un deporte más masculino que todavía se practica en el mundo contemporáneo – la corrida de toros - personificado en la postura del torero. La lucha entre el intelecto y el animal.
La fibra y el ímpeto del carácter español se proyectan en la persona de Antonio Asensio. Con la muerte de Franco en 1975, era natural que toda la energía contenida por 39 años de dictadura explotase en un fragmento del alma española. El joven Antonio Asensio se dio cuenta de ese potencial incrustado en la carga emocional de las personas y fundó una revista, con la ayuda financiera de su hermana Carmen que le prestó 500.000 pesetas, equivalente a 7.000 dólares americanos - así mismo, siete mil dólares americanos-, fundó un imperio de medios de comunicación que prevalece hasta hoy en la prensa española.
Asensio se dio cuenta de que todos estos valores libertarios se mantuvieran en el inconsciente colectivo de la sociedad española y ha decidido crear una revista que tenía una portada de mujeres desnudas con contenido político de fuerte impacto. Los prejuicios sexuales de la Iglesia han ayudado Asensio a construir aquel exitoso formato editorial. Todos los españoles soñaban con la libertad durante 39 largos años, incluso la sexual.
Su intuición operó como un tiro recto para alcanzar el objetivo. Interviú se convirtió en un éxito absoluto. Asensio ha recogido profesionales altamente cualificados, incluyendo Darío Giménez como jefe de redacción y otros profesionales relacionados con el movimiento de la izquierda, entonces había la distinción entre izquierda y derecha, las ediciones de Interviú eran “bombas” que explotaban en los quioscos cada semana.
Tuve solamente tres contactos con Antonio Asensio, cariñosamente llamado por nosotros solamente Asensio, cuyo origen proviene de ajenjo, él era un hombre iluminado. El primer contacto fue virtual. Darío lo llamó por teléfono en mi presencia, él estaba gripado en su casa y Darío le dijo que quería contratarme. De pronto, la propuesta fue aceptada sin discusión. Dos días después, cuando fue entregar las fotos de la materia hecha con Silvia Atienza, Asensio estaba en la redacción. Momento raro, él casi nunca iba a nuestro taller.
Postado por Reginaldo Marinho em 9/22/11 as 11:52 PM
Insetos como moscas, mosquitos ou aranhas podem caminhar tranquilamente sobre a superfície de um lago sem o risco de submersão. Uma agulha pode permanecer flutuando na superfície da água em uma bacia, se colocada cuidadosamente paralela à linha d’água. Não sendo assim, a ponta dela romperia a tensão superficial e afundaria.
Um fenômeno semelhante à tensão de superfície ocorre no ambiente de Ciência e Tecnologia nacional. O modelo de fomento de C&T implantado atualmente no Brasil impede a entrada de empresas nascentes de base tecnológica no mercado brasileiro.
De fato, todos os instrumentos vigentes de apoio ao desenvolvimento de novas tecnologias excluem as empresas fundadas a menos de três anos. Isso significa que se você gerar uma tecnologia, agora, de grande impacto no mercado nacional e mundial, tiver uma pesquisa de mercado que indique a eficiência de seu produto, possua talento empreendedor e estiver habilitado juridicamente para buscar recursos para desenvolver o seu negócio, DESISTA! Sem os três anos exigidos pelos editais, você não terá apoio de nenhum instrumento oficial de fomento ao desenvolvimento de novas tecnologias.
A cultura brasileira cria uma espécie de tensão superficial que impede o ingresso de novas empresas de base tecnológica ao mercado, por falta de apoio financeiro. Os editais das agências oficiais de fomento ao desenvolvimento de novas tecnologias exigem das empresas proponentes os balanços dos três últimos anos, quando os estudos indicam que o maior índice de mortalidade empresarial está justamente nos três primeiros anos.
Não podemos compreender esse paradoxo: para ser inovadora, a empresa tem que ser velha ou ter sucesso. Prevalece nas políticas de Estado a ausência absoluta de apoio irrestrito ao desenvolvimento tecnológico nacional. O apoio é sempre condicionado a fatores que não estão diretamente relacionados à inventividade.
A agência de fomento do Ministério da Ciência e Tecnologia é a Financiadora de Estudos e Projetos – Finep; sendo a gestora da política de C&T, todas as suas ações são desenvolvidas exclusivamente para empresas exitosas e faturamento de no mínimo três anos. Isso vale, inclusive, para a concessão anual do Prêmio Finep. Empresas nascentes são recusadas. Por isso, a política de fomento do Estado focalizando apenas os produtos comprovadamente de sucesso compromete a eficácia dos artigos 218 e 219 da Constituição Federal.
O único programa brasileiro que foge a esse modelo é o Prime, que significa primeira empresa tecnológica, cujo edital é uma iniciativa da própria Finep. Mesmo assim, o Prime impede a aplicação dos recursos no produto, exigindo que sejam aplicados exclusivamente em atividades de custeio. Isso é inquietante, como podemos desenvolver novas tecnologias sem o interesse do Estado? É como se a sociedade brasileira, ou os conceitos que orientam as decisões políticas tentassem barrar o desenvolvimento econômico pela via tecnológica. São tantos obstáculos a serem vencidos...
Em outubro de 2004, participei do 8º Congresso de Jornalismo Científico, inserido nas comemorações da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. Na oportunidade, conversei com o representante do Ministério da Ciência e Tecnologia no evento para expor as minhas inquietações sobre essa dificuldade brasileira de apoiar o ingresso de inventos nacionais ao mercado. Ele simplesmente respondeu: “Nós não acreditamos em invenções.” Como consolo, ele presenteou-me com uma camiseta com a frase “Olhe para o céu.” Essa frase era o slogan da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia daquele ano.
Aquele representante do Ministério da Ciência e Tecnologia reflete a ideologia implantada pelo personagem professor Pardal, de Walt Disney, criado para difundir nos países periféricos o conceito de que os inventores são seres a serem tratados como idiotas e podemos verificar facilmente essa tendência pela frase preconceituosa cunhada pelo guru da inovação nacional: “Inovação é o que gera nota fiscal, o resto é invenção.” A resposta é: inovação sem patente é enganação.
O momento atual de mudanças de gestão, tanto no âmbito do governo federal como nos dos estados, é extremamente oportuno para uma reformulação dos atuais parâmetros de fomento e para a implantação de um novo modelo de Ciência e Tecnologia no País que privilegie, sem preconceitos, a inventividade e a criatividade, permitindo o surgimento de novas tecnologias, com repercussão positiva na economia nacional.
RM@reginaldomarinho.com.br
http://construcell.com
@construcell
Postado por Reginaldo Marinho em 8/29/11 as 11:45 AM
Domenico De Masi insiste em afirmar, com sua visão contemporânea da sociedade do futuro, que a tendência de ocupação dos postos de trabalho será dos criativos, das pessoas com talento holístico. Em nosso país deveria ter um lugar reservado para as pessoas dotadas de capacidade criadora e em condições de contribuir com seus talentos para a transformação qualitativa do cotidiano.
A palestra que o ministro Aloísio Mercadante fez no fórum de Secretários de Ciência e Tecnologia, realizado em João Pessoa, foi surpreendente. Em seu discurso, o ministro cortou a própria carne ao anunciar mudanças nas avaliações dos critérios acadêmicos baseados nas publicações indexadas. O economista Ubiratan Iório, professor da Uerj, sugere que algumas publicações editadas no Brasil, com títulos em inglês, publicam artigos de pesquisadores brasileiros que não seriam aceitos pelas revistas científicas internacionais. Isso para atender esse modelo brasileiro com a prevalência de publicações indexadas como aferição da atividade científica.
O ministro corajosamente criticou, ainda, a distribuição de bolsas de estudo no exterior, das quais 60% são da área de humanidades. Ninguém pode ser contrário aos estudos das ciências humanas, mas não se deve negligenciar o estímulo ao avanço das engenharias como instrumento fundamental para garantir o desenvolvimento econômico. No Brasil, apenas 5% dos formandos são da área de engenharia, esse índice não é suficiente para alimentar o mercado tecnológico que se pretende implantar no País.
O setor automotivo não ficou de fora das agulhadas do ministro. Ele deseja que as montadoras sejam transformadas em fábricas de veículos brasileiros, que possamos criar marcas com tecnologias nacionais.
A transversalidade proposta por ele pode ser o motor dessa transformação. A Ciência, Tecnologia e Inovação precisam deixar de ser uma atitude retórica e passar a cumprir o papel vanguardista adotado pelos países que mais crescem no mundo atual. Se o governo brasileiro adotar as medidas anunciadas pelo ministro Mercadante, brevemente seremos uma nação de economia sustentada e sustentável, começando pela elevação do orçamento do MCTI que será de R$ 6,98 bilhões em 2012.
A nossa cidade será beneficiada com a passagem do ministro Mercadante por aqui que anunciou que o MCTI apoiará o Polo Tecnológico de João Pessoa. A Prefeitura poderia aproveitar essa tendência política implantada no MCTI e começar a pensar na instalação da Central de Invenções, uma incubadora que ultrapassasse as fronteiras do formato de Tecnologia da Informação. A Central de Invenções seria um poderoso instrumento de desenvolvimento econômico que poderia se transformar em espelho gigantesco para iluminar os cérebros de todo o Brasil.
A Central de Invenções abrigaria inventores/empreendedores de todo o Brasil que seriam selecionados, por concurso público, conforme a viabilidade técnica e econômica analisados por técnicos do Sebrae, da Universidade Federal da Paraíba e do BNDES gerando um processo virtuoso onde a sociedade seria beneficiada diretamente com a convivência saudável de gênios criativos e os cofres públicos seriam recheados com a dinamização da economia resultante de novos produtos para abastecer o mercado nacional.
Num país que, por força de uma colonização perversa, Ciência, Tecnologia e Inovação são temas tratados com descaso, onde os inventores são mencionados com deboche; num Estado em que Ciência e Tecnologia é um apêndice de uma multifuncional Secretaria de Recursos Hídricos, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, a consolidação de uma Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia seria oportuno.
Como o pressuposto da invenção é que o produto seja inédito, os negócios gerados na Central de Invenções teriam mercado garantido, sem competidores.
Essa seria a maior contribuição paraibana para romper definitivamente com as resistências que envolvem a cultura brasileira diante da inovação, da magia criativa dos inventores que sonham em contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e plural.
Postado por Reginaldo Marinho em 5/8/11 as 10:08 AM
A comemoração dos trinta anos de tombamento de Olinda como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco, sugere uma reflexão em torno do mentor dessa conquista que orgulha pernambucanos e brasileiros, o designer Aloísio Magalhães.
A inquietude natural da personalidade de Aloísio o transformou em um homem plural. Advogado por formação, ele enveredou pelo caminho fecundo da arte tornando-se um dos mais notáveis designers brasileiros.
De origem liberal, Aloísio incorporou um sentido humanista ao seu cotidiano. No discurso que apresentou no encontro de ministros da Cultura dos países de língua latina, ele disse: “Esse caráter humanista, enriquecedor e profundamente caro a todos nós, não sobreviverá debaixo de fome e ignorância.” Com os seus modos refinados e diplomáticos, ele era capaz de conciliar conflitos e foi responsável por gestos administrativos ousados como o da criação do Centro Nacional de Referência Cultural, CNRC.
Em seu livro “E Triunfo?” Aloísio indaga: “Será que a nação brasileira pretende desenvolver-se no sentido de se tornar uma nação rica, uma nação forte, poderosa, porém uma nação sem caráter?”
O seu olhar agudo era capaz de visualizar não apenas os símbolos que criava com maestria para os seus clientes; ele via, também, os traços de uma pátria multirracial que se projetava para disputar com as nações mais poderosas do planeta. Além da diversidade étnica, tornava-se necessário estabelecer políticas transversais de compreensão do patrimônio histórico, artístico, cultural e tecnológico.
Sob o seu comando, o CNRC absorveu o conceito antropológico-cultural plural abrangendo o registro dos bens culturais desde o inventário dos monumentos históricos, percorrendo o meio ambiente, estendendo-se aos “saberes” e “fazeres” da população, através da produção de artefatos utilitários ou decorativos e tecnologias apropriadas.
Os atributos próprios do patrimônio cultural foram ampliados para atender às manifestações caracterizadas pelo patrimônio imaterial como ferramenta para registrar as marcas da identidade cultural de cada região que definem esta nação continental chamada Brasil. O CNRC antecipou-se às atuais práticas de conservação ambiental catalogando os diversos produtos artesanais resultantes da reutilização de dispositivos que perderam a condição de uso original, como era o caso dos pneus de caminhão transformados em belos cestos de lixo, tão criativos.
A identidade cultural era o fascínio de Aloísio. O CNRC organizou a mais bela exposição de arte plumária indígena brasileira e quando ele desenhou as cédulas brasileiras para o Banco Central, uma das notas apresentava os desenhos das faces étnicas que formam a nação brasileira.
Em “A herança do olhar: o design de Aloísio Magalhães” Joaquim Falcão diz que “Inventor é quem consegue escapar do debate pachorrento do presente e antecipar o futuro. Não o futuro utópico, mas o futuro possível. Aloísio Magalhães era um programador – visual e depois cultural -, um projetista, um projetivo. Não se conflitava com o presente, moldava e inventava o futuro.”
Aloísio promoveu a interlocução perfeita entre Cultura e Tecnologia, numa dinâmica administrativa moderna e desburocratizada.
Costuma-se dizer que ninguém é insubstituível, mas no caso de Aloísio, os governos democráticos que sucederam os governos militares, pelos quais ele foi valorizado, jamais tentaram reabrir essa trilha que ele mesmo iniciou. Os caminhos que conectam Cultura e Tecnologia precisam ser reabertos urgentemente.
http://construcell.com
RM@reginaldomarinho.com.br
@Construcell
Postado por Reginaldo Marinho em 2/17/11 as 8:14 PM
Presidente da Academia de Letras Juarez Farias com o jornalista e acadêmco Carlos Aranha e o colunista (Crédito: Gláucio Arnaud de Medeiros)
O escritor Carlos Aranha com o presidente da Academia Paraibana de Letras Juarez Farias e o colunista.
Discurso pronunciado no lançamento do livro de poesias do acadêmico jornalista Carlos Aranha na Academia Paraibana de Letras no dia 15/02/2011
É uma grande alegria e uma honra saudar um amigo que carrega a amizade estampada na primeira página de sua existência.
Carlos Aranha era um garoto que, como eu, amava os Beatles e os Rolling Stones. É um homem que tem o privilégio de manter-se revolucionário em todos os momentos de sua vida. Na ditadura militar, a sua personalidade ganhou moldura e conteúdo, tornando-se um líder de seu tempo.
Ele emigrou compulsoriamente para o Rio de Janeiro onde viveu o infortúnio da clandestinidade. Não foram dias obscuros como desejavam os seus algozes. Por seis meses, ele foi acolhido pelo casal Walter Lima Junior e Anecy Rocha e, junto com eles, conviveu com Glauber Rocha, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé, Rogério Duprat, Júlio Medaglia e os outros artistas que inventaram o Tropicalismo e o Cinema Novo.
Transitando entre velhos e novos vértices, espaçonaves e guerrilhas na Terra do Sol, a sua alma inquieta absorveu aquele movimento cultural que correspondeu à contribuição brasileira de um mundo mutante. Os fenômenos que marcaram a juventude do planeta portavam o sinal das mudanças de costumes que eclodiram em maio de 1968, em Paris, e no festival de Woodstock, no ano seguinte.
O mundo jamais aquietou-se depois de 1968 e continuou essa mutação frenética que nos instiga até hoje. A dimensão intelectual de Carlos Aranha ultrapassou as fronteiras do Tropicalismo. As forças magnéticas da Terra latentes em sua alma o fizeram voltar. A partir do retorno, Carlos Aranha escolheu o jornalismo para ecoar o seu grito, o que tem feito como poucos há mais de quarenta anos, através de seus artigos e crônicas. Grite mais e mais alto, Carlos Aranha, que todos nós queremos lhe ouvir.
Aquele menino franzino, nascido na casa 52 do Parque Solon de Lucena, filho de uma notável professora de quem ele herdou os princípios que norteiam a sua trajetória de intenso vigor intelectual, Carlos Aranha carrega dois signos que jamais serão alijados de sua alma: a imagem do Parque Solon de Lucena e os ensinamentos de Dona Antonieta.
Consubstanciando o pensamento de José Américo de Almeida que diz “Ver bem não é ver tudo, é ver o que os outros não vêm”, Carlos Aranha via, de sua casa, do outro lado da Lagoa, a singela homenagem, em forma de erma, que esta cidade prestou ao maior de seus poetas: Augusto dos Anjos.
O busto de Augusto adormece ao lado do que já foi a Churrascaria Bambu, emblema boêmio do passado desta cidade, onde Carlos Aranha conviveu precocemente com intelectuais como Virginius da Gama e Melo, Vanildo Brito e outros daquela geração.
O fascínio que o augusto poeta dos Anjos exerce em sua obra, de quem ele sorveu a sutileza da língua, a cadência musical e cinematográfica de seus versos se reflete no poema inicial do livro “Nós- An insight”. O Nós como fenômeno multiplicativo e diluição do Eu é a marca poética deste autor que resistiu 64 anos para exibir a sua poesia, que numa dessas noites boêmias, num quiosque da Lagoa degradada, que vive acesa em seu coração, ele disse em voz solene: “A nossa luz há de brilhar ali./ Sem sombra, assombro, /assumo o ser que somos nós./ Deus é ser de tom tamanho/ que seu silêncio é som da nossa voz./ Nós reatamos nossos górdios nós/ até rompermos o macho hímen criador./Sutilezas, pós-Augusto, sempre sóis,/costelas adâmicas arrancadas com amor.”
A geografia de seu eixo magnético, a Lagoa do Parque Solon de Lucena, fixado no cerne do poeta o fez mais forte do que os que não absorvem as emanações telúricas do ambiente em que nasceu. As coordenadas que se fixaram em seu cérebro e em todo o seu ser o prendem definitivamente ao lugar de onde partiu e para o qual sempre volta. Carlos Aranha vive intensamente esse território tão abandonado por tantas administrações municipais e sonha que a denominação de Parque seja de fato e de Direito, pelas mãos do prefeito urbanista Luciano Agra.
Carlos Aranha, como outros grandes personagens da História, mesmo sendo tímido e com refinada educação, mas quando se trata de injustiça ou traição ele é pura indignação. Isso nos faz lembrar Miguel de Unamuno quando lhe perguntaram sobre o caráter de um contemporâneo seu, ele respondeu: “Es un hombre que no sabe indignarse.”
Postado por Reginaldo Marinho em 12/2/11 as 10:18 PM
Ver bem não é ver tudo, é ver o que os outros não vêm. Esta frase poderia ser da autoria de um grande fotógrafo ou cineasta, mas ela é uma das que estão impressas na escadaria da Fundação Casa de José Américo, instituição governamental criada para preservar e difundir a obra de José Américo de Almeida. Uma das características do escritor era a de criar frases de efeito.
Nesta frase ele acentua o seu caráter pioneiro e ela define a sua atitude de ser o primeiro escritor brasileiro a analisar o êxodo rural em razão dos graves problemas nos campos sertanejos do Nordeste da primeira metade do século XX, particularmente os decorrentes da seca. Além da violência que a seca exerce sobre a população sertaneja, o escritor denuncia a rejeição e os preconceitos sofridos pelas populações migrantes desde a transição do século XIX para o século XX e que essas ações preconceituosas sobrevivem até hoje nas cidades mais ricas diante dos imigrantes de regiões mais pobres.
A temática regional agradou ao mundo intelectual, particularmente Gilberto Freyre e José Lins do Rego, entre os quais havia amizade precedente e a Bagaceira abriu espaço para outros escritores nacionais. Além de José Lins do Rego e Gilberto Freyre, outros autores como Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos aderiram a essa tendência que Gilberto Freyre pretendeu chamar de movimento regionalista como resposta ao movimento modernista que eclodira em São Paulo, em 1922.
Ao contrário de São Paulo que abrigava todos os modernistas, a realidade geográfica nordestina, longas distâncias entre as capitais, resultante da ausência de estradas que permitissem uma convivência estreita entre os participantes do movimento regionalista levando-o à falência.
Entre essas obras, A Bagaceira foi a única que associou o fenômeno das secas aos problemas decorrentes dos latifúndios da cana-de-açúcar da Zona da Mata nordestina, cuja ocorrência manifestou-se com mais intensidade na Paraíba e Pernambuco.
O pioneirismo de José Américo de Almeida no âmbito literário ensejou, após a sua morte, a criação da Fundação Casa de José Américo-FCJA, durante o governo Tarcísio Burity. A Fundação é um rico patrimônio público que pertence ao povo da Paraíba, sendo instalado no mesmo local onde o escritor residia, contribui para a melhor compreensão do ambiente emocional do autor, sendo aberta à visitação de qualquer pessoa.
O imóvel está inteiramente integrado à cidade, mas quando o escritor foi morar lá, em 1953, nada existia. Apenas a brisa do mar e a visão do Cabo Branco completavam o seu desejo de solidão, viver isolado para melhor refletir sobre os temas literários, sociais e políticos que ocupavam a sua mente.
A FCJA foi criada para apoiar os pesquisadores da obra de José Américo e do universo do autor, ampliando essas atividades a outras relacionadas e conta com duas bibliotecas, sendo uma delas a do próprio escritor, duas hemerotecas com ricas coleções de jornais paraibanos, desde o início do século XX, e diversos arquivos, pessoais e públicos de inúmeros paraibanos.
Além do arquivo de Américo de Almeida, a FCJA tem preciosos arquivos dos ex-governadores Oswaldo Trigueiro de Albuquerque Melo, Pedro Gondim, João Agripino Filho, Ernani Sátiro, Ivan Bichara, Milton Bezerra Cabral, Tarcísio de Miranda Burity, Wilson Braga, Ronaldo Cunha Lima, Cícero Lucena, Antônio Mariz, José Targino Maranhão e arquivos de outras personalidades paraibanas Paulo Nunes Batista, Aécio Villar de Aquino, Neuma Fechine Borges, Gratuliano da Costa Brito, José Targino Pereira da Costa, Abelardo Jurema, Edwaldo Pereira Ouro, Ascendino Leite, Aurélio de Albuquerque, José Rafael de Menezes, Juarez da Gama Batista, Lauro Pires Xavier e Virginius da Gama Melo. Esses acervos são preciosos para quem pesquisa sobre o mundo intelectual e político da Paraíba.
A FCJA se destaca pela realização de eventos relacionados ao universo cultural paraibano e edita em parceria com outras instituições alguns autores locais. Com tantas atividades relevantes programadas pela Fundação, a sociedade paraibana ainda não está tão motivada a visitar o museu e as exposições permanentes ou temporárias. Vale à pena conferir.
@construcell
Postado por Reginaldo Marinho em 1/29/11 as 8:10 PM
A economia do pós-guerra foi dramática para todas as nações. Os Estados Unidos tornaram-se hegemônicos e sentiram o peso da responsabilidade das atrocidades cometidas contra o Japão promovidas pelo lançamento das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki.
A penitência norte-americana resultou em subvenções econômicas de grande porte ao Japão para tentar reduzir o impacto da bestialidade provocada pelos bombardeios atômicos, sem precedentes na História e, felizmente ainda, sem repetição.
O Japão potencializou com conhecimento o aporte de recursos e produziu uma revolução na economia local. Uma onda industrial sacudiu aquele país. Os produtos respeitados pelo mercado brasileiro eram os alemães e norte-americanos. O Japão pôs em marcha um processo de espionagem industrial e passou a produzir em larga escala o que o mercado mundial desejava, com qualidade inferior e preços competitivos.
O segmento emblemático dessa era foi o das câmeras fotográficas. As máquinas alemãs dominavam o mercado mundial tanto pela eficiência mecânica, quanto pela qualidade óptica garantida pelas famosas lentes Carl Zeiss. Os japoneses invadiram o mundo com as câmeras de custo inferior e popularizaram a fotografia. A qualidade dos produtos Made in Japan rapidamente sofreram um up grade, conquistaram o mercado mundial com a agregação tecnológica aos produtos e aos processos produtivos.
Naquela época, dizia-se que em Campina Grande fabricava-se até revólver Smith & Wesson, o que conferia a Campina Grande um espaço especial no âmbito industrial. Em plena ditadura militar, o Exército Brasileiro fez uma pesquisa nacional para identificar uma cidade vocacionada para as atividades relacionadas à mecânica fina, com a finalidade de instalar uma fábrica de armamentos e Campina Grande foi a mais indicada para aquele empreendimento.
Quando os militares consultaram o governador do Estado daquela época, João Agripino, ele recusou imediatamente temendo um derrame de armas na Paraíba com graves consequências para o controle da violência no Estado. Campina Grande sempre esteve relacionada à industrialização e ao desenvolvimento tecnológico e quem melhor teve a percepção dessa vocação foi Lynaldo Cavalcanti que impulsionou a tecnologia na área acadêmica. Lynaldo investiu fortemente em pessoas qualificadas e laboratórios. Foi ele quem criou em Campina Grande o Parque Tecnológico da Paraíba, o primeiro do Brasil com incubadora de empresas.
Passaram-se cinco décadas. Depois do crescimento vertiginoso da economia japonesa, o mundo assistiu ao desenvolvimento, com base em plataformas tecnológicas, dos tigres asiáticos, dos países do sudeste asiático e, mais recentemente, a explosão da economia chinesa. Durante todo esse tempo fornecemos insumos para o fortalecimento dessas economias. Uma atitude predadora aos recursos naturais nacionais, definindo-se como uma economia extrativista.
Campina Grande volta à cena. Ao reinstalar o Conselho Municipal de Ciência e Tecnologia, vinculado à Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia, o prefeito Veneziano Vital do Rego demonstra que Campina Grande continua na vanguarda brasileira, praticando a esperança do possível num cenário que despreza o fenômeno tecnológico como poderosa ferramenta de desenvolvimento econômico. O Conselho integrado por representantes da academia, do poder público e das forças produtivas da sociedade irá balizar os modestos investimentos municipais para o setor.
Para compreender melhor a relevância desse ato vanguardista, entrei em contato com a assessoria de Comunicação do Ministério de Ciência e Tecnologia para saber quantos municípios brasileiros possuem secretarias de Ciência e Tecnologia. A assessoria do MCT não sabia informar. Uma realidade decepcionante aflorou. A assessora recomendou buscar informações no Conselho Nacional de Secretários Estaduais para Assuntos de CT&I, eles também não sabiam. De lá, fui remetido para Frente Nacional de Prefeitos onde funciona o Fórum Municipal de Secretários de Ciência e Tecnologia e a assessora, muito gentilmente, informou que não dispunha desses dados, mas afirmou que eram poucas as secretarias municipais de C&T e que essa atividade quase sempre está subordinada a outra pasta.
@construcell
Postado por Reginaldo Marinho em 1/22/11 as 7:20 PM
As cidades da região serrana do Rio de Janeiro, desde que o imperador D. Pedro II decidiu construir um palácio para hospedar nobres visitantes europeus e a sua própria família durante os cálidos verões cariocas, foram crescendo com a construção de casas de veraneio para abrigar as famílias de maior poder aquisitivo da sociedade do Rio de Janeiro.
O local já encantara o imperador D. Pedro I que adquiriu a fazenda Córrego Seco e foi ali que o sucessor no trono resolveu construir um palácio. Em 1843, decretou o arrendamento das terras do Córrego Seco ao major engenheiro Julio Frederico Koeler para fundar a “Povoação do Palácio de Petrópolis”. Com a inauguração do palácio a cidade passou a abrigar a família imperial e a corte durante os verões imperiais.
Com temperaturas bem inferiores às do Rio de Janeiro, mesmo durante o dia, a cidade abrigava as representações diplomáticas, cujos embaixadores preferiam o clima ameno da serra ao calor tropical da capital do Império. Essa tendência atravessou o século XX e se expandiu para as cidades da região serrana. Elas foram crescendo com a construção de casas de veraneio e pousadas de luxo. O glamour instalou-se na região serrana do Rio de Janeiro.
Não são as imagens do glamour que estão percorrendo o mundo inteiro, através dos veículos de comunicação, desde o fatídico dia 12 de janeiro quando um “rio flutuante” de dimensões amazônicas despejou as suas águas nas montanhas da serra fluminense. Em apenas um dia registrou-se a precipitação recorde 182, 8 mm do total de 227,2 mm previsto para o mês inteiro. É água demais.
Esse “rio flutuante” formou-se pela evaporação das águas da bacia amazônica e o seu deslocamento na direção sudeste é um fenômeno conhecido por Zona de Convergência do Atlântico Sul. O encontro dessa massa de nuvens carregadas com as montanhas da região serrana do Rio de Janeiro provocou a precipitação avassaladora.
Sem condições de absorver a quantidade excessiva de água, conseqüência da velocidade da precipitação, a drenagem não foi suficiente para assegurar a compactação necessária à estabilidade das encostas, as montanhas desabaram. A terra dissolveu-se e transformou-se em lama. A inclinação vertiginosa das paredes das montanhas, em alguns casos tangenciando 90 graus, aliada à força gravitacional gerou uma energia até então desconhecida durante os desastres naturais ocorridos no Brasil.
A avalanche de lama levou tudo que encontrou pelo caminho. Não eram apenas casas improvisadas pelas populações desassistidas, edificações sólidas foram destruídas em frações de minuto. Condomínios de luxo foram varridos do mapa. Essa tragédia alterou a geografia e o setor de cartografia do Exército já está atualizando os mapas com os novos cursos de rio.
As sete cidades da região serrana do Rio de Janeiro estão em estado de calamidade. Elas são: Bom Jardim, Sumidouro, Teresópolis, Petrópolis, Areal, São José do Vale do Rio Preto e Nova Friburgo. O total de mortos contabilizados já ultrapassa a casa dos setecentos. Quantos ainda estão soterrados sob toneladas de escombros é incalculável. Em alguns lugares a lama depositada alcança alguns metros de profundidade.
A ausência de compromisso das autoridades com a preservação da vida agrava assustadoramente um fenômeno dessa magnitude. As áreas de risco são conhecidas por todas as instituições que deveriam ser responsabilizadas por permitir a construção de casas ou pousadas nessas áreas. As autoridades desprezaram o alerta do Inemet (Instituto Nacional de Metereologia) e do Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), por isso chegamos à triste constatação de que o Estado não assume a responsabilidade pelas vidas de nossos compatriotas.
Mesmo que esse fenômeno seja resultado das mudanças climáticas que ocorrem em nosso planeta; com esse conhecimento, temos o dever de criar dispositivos capazes de reduzir os efeitos dos fenômenos naturais, baseados nas informações científicas. O agravamento dos desastres ambientais impõe às autoridades nacionais a integração imediata da Defesa Civil nos três níveis de governo para a prevenção e redução do impacto desses acidentes em qualquer cidade brasileira.
Postado por Reginaldo Marinho em 1/15/11 as 9:44 PM
O programa jornalístico de maior audiência da televisão brasileira apresentou, recentemente, uma matéria sobre os inventos da Faculdade de Engenharia Industrial - FEI, de São Bernardo do Campo. O organizador do evento afirmou que em vinte anos de feira, dos quatrocentos inventos desenvolvidos nesse período apenas um chegou ao mercado. A declaração do professor foi muito grave ao afirmar que a falta de sucesso desses produtos deve-se à falta de dinheiro para investir em novas tecnologias.
A FEI é um dos centros de desenvolvimento de produtos mais importantes do Brasil. Lembro com muita tristeza, de meu tempo de estudante de arquitetura na UnB, em 1970, quando conheci o Trem Aerodinâmico Leve de Alta Velocidade, o Talav. Naquela época não se falava em trem bala e o Talav era absolutamente inovador.
O protótipo construído tinha capacidade para transportar 30 pessoas e poderia atingir a velocidade de 200 km/h. Ele se deslocava sobre um colchão de ar, movido por propulsão aerodinâmica, através de uma via elevada, construída em concreto pré-moldado. Para nós, aquela era a imagem que víamos nos filmes de ficção e desenhos futuristas, de um futuro que nunca chegou.
Tomando como referência o Talav, podemos supor as perdas econômicas sofridas ao longo desses quarenta anos por falta de uma política de Estado que estimulasse o desenvolvimento de tecnologias nacionais. Não foi apenas na FEI que esses projetos foram abandonados por falta de financiamento. Nos quatro cantos do Brasil grandes inciativas sucumbiram impedindo que a nossa economia se libertasse do setor primário.
Os sucessivos relatórios das Nações Unidas apontam baixíssimos índices brasileiros na área tecnológica. Por outro lado cresce a produção de papers produzidos pelos pesquisadores nacionais. Esse crescimento “científico” alimenta um equívoco praticado pela Capes para justificar os recursos dispendidos e a aprovação de cursos que estão mais preocupados mais com a quantidade em prejuízo da qualidade.
O professor Ubiratan Iorio, da Uerj, denuncia no artigo Brazilian Journal of Qualquer Coisa: “É um erro crasso prestigiar mais os papers acadêmicos - que, muitas vezes, são publicados em revistas “científicas” irrelevantes -, do que pesquisas que possam resultar em inovações tecnológicas, patentes industriais e geração de riqueza material e intelectual para o Brasil. É a política do paper acadêmico pelo paper acadêmico, sem qualquer preocupação quanto à eficácia dos resultados, em que o artigo publicado não é mera consequência, mas o fim próprio da pesquisa: não é o cavalo que sacode o rabo, mas o rabo que balança o cavalo... O objetivo, adulterado, passa a ser o de publicar a qualquer custo, inclusive ao imenso custo do esbanjamento de recursos escassos, em um país pobre.”
O professor Iorio amplia sua análise: “O Brasil, estimula os docentes dos cursos de pós-graduação a serem teóricos sem compromissos práticos, desligados do mundo real. De que vale para o país um pesquisador universitário com doutorado no exterior – pago com recursos públicos -, se a sua maior preocupação é com a cobrança quanto ao número de artigos publicados?”
Diante da dificuldade de publicar em revistas científicas sérias, “a “saída” encontrada foi criar um montão de revistas nacionais, muitas delas com nomes em inglês - Brazilian Journal of Qualquer Coisa -, sem qualquer tradição e financiadas com os impostos que pagamos, em que as “contribuições para o avanço da ciência” são facilmente publicadas.” A pesquisa científica é a base do desenvolvimento tecnológico, jamais deveria ser tratada com tal leviandade.
Somente a neurolinguística poderia justificar o verso do Hino Nacional “Deitado eternamente em berço esplêndido” para essa letargia que domina o setor tecnológico brasileiro. Enquanto dormimos, os chineses trabalham e colocam novas tecnologias no mercado. Acorda Brasil!
Postado por Reginaldo Marinho em 12/25/10 as 12:24 AM
.jpg)
O verão apenas começou. Hoje é o terceiro dia da estação mais quente do ano, véspera de Natal. A simbologia do Natal é quase universal. As sociedades ocidentais e judaico-cristãs comemoram a data como símbolo de paz, reconciliação, renovação, compaixão e comunhão com Deus por meio de seu filho Jesus; mesmo que a maioria não pratique esses atos. Portanto, esse é um dia muito especial.
Hoje, a atmosfera não contribuiu com o brilho pleno do sol. A temperatura elevada provoca intensa evaporação e a formação de nuvens. O sol se esconde além das nuvens translúcidas que insiste em mostrar o seu esplendor. Conseguiu. O sol, driblando as nuvens, iluminava as flores douradas de amarelo intenso.
Esse tempo abafado, que os cariocas chamam de mormaço, torna o dia fosco, sem luminosidade. Com tanto colorido na cidade, fui percorrer os caminhos da juventude. Sendo ex-aluno do Liceu, eu observo essas flores desde adolescente. Não eram os sinos do Natal que anunciavam a chegada do fim do ano, eram as flores dos ipês que proclamavam a chegada das férias escolares.
Observo algumas delas estão infestadas por parasitas. A árvore mais vigorosa da avenida tem em seu colo uma profunda ferida escondida por um banco, em frente ao Edifício Santa Rita. Os usuários do banco aproveitam aquele buraco para depositar lixo.
Deveria ter um departamento na Prefeitura para cuidar de nossas árvores, com um profissional que, além do gosto pelo trabalho, amasse a cidade e retirasse os parasitas e cuidasse das feridas das árvores. É um privilégio para uma cidade possuir um patrimônio ambiental tão rico, bem no centro da cidade, mas as pessoas não valorizam a beleza que esses ipês ostentam a cada ano.
Eu pensava que aquelas árvores tinham atingido a "menopausa" botânica. No ano passado, os ipês da Lagoa se recusaram a exibir a beleza de suas cores. Essa recusa deve ser parte de uma linguagem das plantas que não podemos compreender. Uma mensagem silenciosa que solicita atenção. Este ano, apenas duas árvores perto do Cassino deixaram para o dia de Natal a sua exibição. Um autêntico presente de Natal para a cidade inteira. Eu nunca tinha visto esse fenômeno em toda a minha vida.
No final da tarde, em companhia do artista plástico Wilson Figueiredo, pude assistir à queda das primeiras flores que amanhã se transformarão em um fantástico tapete dourado que deverá despertar a atenção das autoridades para esse patrimônio natural que a cidade abriga e que se chama Parque Solon de Lucena.
Junto com Wilson, descobri um quiosque que serve uma iguaria inigualável que o seu inventor chama de filé de mocotó. São cubos de mocotó cozidos por tanto tempo, que os tornam tão macios e que se dissolvem na boca. A Lagoa pode se transformar em um lindo parque e fazer justiça à denominação do logradouro. Completando o percurso, encontrei Luana, uma bela morena, que comemorava o seu aniversário. Feliz Natal para todos.
Postado por Reginaldo Marinho em 12/21/10 as 3:07 PM
Mais um ano chega ao fim. É nessa época que fazemos balanços parciais de nossa existência e, contaminados pelo espírito do Natal, nos tornamos mais solidários. As reflexões são naturais no período natelino. A contabilidade dos erros e acertos permite a evolução espiritual de cada um de nós. Confesso que tenho errado menos, mesmo sem querer ser tão certinho.
É bem melhor quando conseguimos transcender esse balanço individual e compreender contabilidades de maiores dimensões. As empresas, as sociedades, as cidades, os países e até o planeta tem a sua contabilidade. A prova disso é conscientização acelerada, no planeta inteiro, dos fenômenos que causam as mudanças climáticas. As contas estão desfavoráveis ao equilíbrio do planeta.
As mudanças climáticas exigem que cada cidadão do mundo assuma a sua parcela de responsabilidade para frear a degradação ambiental.
Voltemos às reflexões paraibanas. No âmbito da política, tivemos duas gratas surpresas. Uma delas foi a brilhante atuação do senador Roberto Cavalcanti no Senado Federal. No período de dois anos, ele fez 93 pronunciamentos na tribuna do Senado. Foi o relator de 186 matérias versando sobre temas variados e apresentou 22 projetos de lei.
Esses números já seriam suficientes para colocar o senador noviço em evidência aqui e alhures. Quando o Superior Tribunal Federal, por um ato imprudente de seu ex-presidente Gilmar Mendes, desregulamentou a profissão do Jornalismo, o senador Roberto Cavalcanti foi um dos primeiros políticos paraibanos a assinar a PEC 33/2009, conhecida por PEC do diploma. Sendo o dono do poderoso Sistema Correio de Comunicação, o senador ficou do lado de seus operários da comunicação e honrou a categoria dos jornalistas.
O senador não parou de surpreender. Ele empenhou-se em enfrentar um perigoso tentáculo do sistema financeiro nacional, o dos cartões de crédito. Um instrumento lesivo à economia popular que opera às margens do sistema financeiro, sem regulamentação alguma.
A outra surpresa ficou por conta do arquiteto e urbanista Luciano Agra. Luciano foi escolhido pelo ex-prefeito Ricardo Coutinho para mexer com a fisionomia da capital paraibana. Como secretário de Planejamento do Município e, depois vice-prefeito, ele promoveu algumas ações que impregnaram o mandato municipal de conceitos urbanísticos até então desprezados por prefeitos anteriores. A eleição de Ricardo Coutinho para governador do Estado promoveu Luciano Agra ao cargo de prefeito da Capital.
Professor de Arquitetura da UFPB, Luciano decidiu executar na Prefeitura o que ensinava aos seus alunos, muitos deles já exercendo a profissão de arquiteto, e transformou a cidade em um laboratório bem sucedido de obras que fortalecem a estima do técnico, do gestor e da população.
Amparado pelo Ministério Público, Luciano mudou a paisagem de Tambaú. Retirou as barracas que impediam a visualização do mar e ficamos um pouco mais civilizados. Os seus atos são lições fundamentadas de uma boa escola de Arquitetura e Urbanismo. Cada paraibano tem na gestão de Luciano Agra um curso cotidiano, intensivo e gratuito de Urbanismo. É uma experiência singular e gratificante.
O gesto definitivo de coragem, ousadia e de cidadania do prefeito Luciano Agra foi a desapropriação do Aeroclube da Paraíba para a criação do Parque Parahyba. São quase 70 hectares de área nobre encravada num dos mais valorizados bairros de João Pessoa. Essa era uma atitude de governo que a sociedade paraibana silenciosamente aguardava e, agora, aplaude.
Temos o privilégio de protagonizar um fenômeno urbanístico que foi apenas precedido por Curitiba, na gestão do arquiteto e urbanista Jaime Lerner.
Postado por Reginaldo Marinho em 8/12/10 as 8:55 PM
Ele não era psicólogo, nem psiquiatra. Não era psicanalista ou padre, mas a convivência com ele fazia bem à alma. Marcus entendia de gente. Médico ginecologista e grande obstetra, Doutor Marcus fez brotar milhares de vidas paraibanas. Há casos de três gerações de uma mesma família que vieram ao mundo por suas mãos.
Além de dar oportunidade à vida, ele foi um eficiente e moderno gestor público. Ocupou diversos cargos públicos. Quando foi secretário de Bem Estar Social do INPS e secretário de Assistência Médica do INPS construiu o maior posto de atendimento de urgência do Estado. Ele foi o primeiro superintendente do Inamps na Paraíba, reconhecido por sua notável administração, e presidente da GEAP. Quando dirigiu a Maternidade Cândida Vargas promoveu uma revolução na instituição.
O seu ponto de energia, a sua conexão cósmica, a Ponta do Seixas, era o sombreado do coqueiral do quintal de sua casa vizinha ao mar, que frequentemente era lambido pelas ondas do oceano Atlântico. Com um espírito generoso e justo, ele gerenciava uma família de paz. Era dono de uma voz mansa com a qual cativava os amigos, um cavalheiro. Ele incorporou a fisionomia de um irmão mais velho, a de um paizão.
Dentre as nossas afinidades, o prazer de deitar em rede era uma delas. Guardarei a imagem dele deitado em sua rede, no extremo oriental, no encontro das coordenadas Latitude 7° 9'27.29"S e Longitude 34°47'38.00"O.
Não falávamos de morte, é a vida que nos interessa e ele sabia viver como poucos. Quando falava da doença que teimava em tomar-lhe as forças, referia-se à dor do tratamento, mas assumia a postura de um guerreiro sem a menor intenção de nos fazer sofrer com a intensidade da própria dor. Com uma serenidade peculiar, parecia não temer à morte.
O seu profundo conhecimento da medicina e da anatomia humana permitia que ele se relacionasse com a sinistra doença naturalmente. Uma vez, falou que desconfiava de que o câncer linfático tivesse se instalado em seu corpo pelo uso de adoçante à base de Aspartame, baseado em uma pesquisa realizada na Universidade de Bolonha.
Numa de nossas conversas, ele disse que, como presidente da Geap, passava temporadas em Brasília e se hospedava no Hotel Nacional, o mais tradicional hotel da Capital Federal.
As convicções telúricas estavam gravadas em seu DNA. Para onde se deslocasse, Marcus levava a Ponta de Seixas junto. Pediu autorização ao diretor do hotel Mauro Jucá e conseguiu instalar um conjunto de armadores de rede no apartamento que usava no Hotel Nacional. Até hoje os armadores da suíte 1011 esperam a rede do paraibano que não se separava dos hábitos vinculados à sua cultura.
O Doutor Marcus não está mais entre nós e a sua rede não mais lhe dará o aconchego. Vá brilhar em outras dimensões Marcus Aranha, que a sua luz permanecerá entre nós.
Postado por Reginaldo Marinho em 11/19/10 as 7:19 PM
Causou certo frisson, na imprensa paraibana, a divulgação dos números divulgados pelo IBGE sobre a economia brasileira no âmbito regional. Com o PIB de R$ 25.697 bilhões, a Paraíba alcançou o crescimento de 5,5% sobre o PIB anterior e voltou a superar a economia do vizinho Rio Grande do Norte. Entretanto, a Paraíba está na frente apenas de Alagoas, do Maranhão e do Piauí na renda per capita.
A análise dos números aponta um forte crescimento no setor terciário, particularmente o da construção civil e das atividades comerciais. Esses segmentos cresceram à revelia de qualquer ação governante. No caso da construção civil, a cidade de João Pessoa tem experimentado, na última década, um crescimento extraordinário graças à migração interna que mobiliza grandes massas de famílias, em sua maioria de aposentados, que buscam alternativas aos modelos estressantes que predominam nas grandes cidades.
As opções mais procuradas são as cidades de médio porte que oferecem condições urbanas e ambientais mais saudáveis do que as que são encontradas nos grandes centros urbanos, principais emissores dessa população migratória. João Pessoa ainda dispõe desses atrativos e o segmento imobiliário aproveita bem essas condiçõ es.
Esse momento é importante para que os governos nas três esferas de poder compreendam o fenômeno e definam objetivamente políticas publicas para potencializar essa riqueza natural que encanta tantos brasileiros.
O turismo praticado na Paraíba é caótico e primitivo. O nosso litoral dispõe de belíssimas praias e são maltratadas pelos que delas se beneficiam. Uma das praias mais belas da Paraíba, a de Coqueirinho no Município do Conde, exibe uma desordem absoluta. Os barracos que servem aos visitantes são construídos por pessoas despreparadas para atender a uma atividade tão nobre, que deveria estar habilitada para receber pessoas de alto poder aquisitivo, mas sujeira e o amadorismo assustam a clientela em condições de elevar o nível de consumo do turismo paraibano.
As condições sanitárias são as mesmas de países subdesenvolvidos e a qualidade dos serviços é insatisfatória. A nascente que fica ao lado dos barracos está sendo usada para a desobstrução intestinal dos visitantes. Em pouco tempo, caso não sejam adotadas políticas eficientes para corrigir esses erros, mataremos a galinha dos ovos de ouro: o potencial turístico paraibano.
Postado por Reginaldo Marinho em 2/11/10 as 3:25 PM
.jpg)
Foi muito bacana assistir à entrevista do casal jornalista Sônia Bridi e Paulo Zero no Jô Soares. As matérias que a dupla produz para a Rede Globo são sempre recheadas de conteúdo e encantamento. Elas traduzem o sentimento que cada jornalista carrega na essência, a conexão com o sonho.
A entrevista deles ao Jô Soares, na última madrugada, ampliou a minha admiração pelo trabalho do casal. Essa relação com o sonho une indivíduos pelo mundo inteiro, daí sinto-me engrandecido por confirmar que outras pessoas estão fazendo a sua parte para melhorar o mundo em que vivemos.
Além das matérias que estão fazendo sobre as mudanças climáticas, eles falaram um pouco sobre a vida na China. Sobre o inusitado que é para nós ocidentais conviver com aquele pais continental que há sessenta anos era paupérrimo e que, a partir da liderança popular Mao Tse Tung e seu ideário revolucionário, sacudiu a população em todas as direções para livrar a nação de variados tipos de dominação que submetiam o povo chinês à miséria.
A cultura oriental tem uma grande vantagem sobre a ocidental relacionada à honra. Esse costume pauta as atitudes mais nobres de cidadãos orientais. Uma expressão japonesa tornou-se muito conhecida entre nós, o harakiri. Esse gesto fatal praticado tradicionalmente pelos samurais, que consistia em uma cerimônia na qual o guerreiro que cometeu algum ato que lhe envergonhasse ou à sua família, teria que praticar o harakiri.
O guerreiro deveria banhar-se para purificar o corpo e alma, tomar uma xícara de saquê, vestir uma roupa apropriada a essa cerimônia, branca, escrever um hai-kai e cortar o seu ventre, de um lado a outro, com umalâmina afiadíssima conhecida por wakizashi, deixando as suas vísceras à mostra para expor a pureza de seu caráter.
Na China, depois do pragmatismo adotado por Mao Tse Tung, o indivíduo que trai a sociedade, particularmente por roubo ou corrupção, fica dispensado desse ritual e o Estado é que assume a responsabilidade de eliminar o cidadão que não honra a sociedade e a família. Os parentes contribuem com o custo da bala para se livrar do motivo que possa submeter a família ou a sociedade à vergonha. Esse ato, segundo o meu amigo Norton Seng que foi gerente-geral do Banco do Brasil em Pequim, é conhecido por Tan Wu Fan. Tan Wu significa corrupção e Fan é criminoso.
A Sônia Bridi disse, com muita propriedade, que esse ato é o harakiri no outro. O Estado não espera pela decisão individual para livrar a sociedade, com a cumplicidade da família, de um criminoso que prejudica a todos. O Tan Wu Fan não se equipara esteticamente ao ritual do harakiri, mas cumpre o seu papel. Parece justo.
Postado por Reginaldo Marinho em 10/10/10 as 9:51 AM

O show de Tom Zé no Ponto Cem Réis foi um espetáculo imperdível, mas apresentou um cenário impróprio para o atual período eleitoral. Girassóis estilizados em movimento giratório foram projetados em um pano pendurado no fundo do palco.
O girassol é uma linda flor, mas está sendo usado como símbolo de campanha do ex-prefeito da capital ao Governo do Estado e a sua utilização em um evento cultural pago pela Prefeitura Municipal de João Pessoa é inconcebível.
O dinheiro que a Prefeitura arrecada dos contribuintes deve pagar o show de Tom Zé ou de qualquer artista que venha enriquecer a cultura de nossa população, jamais ser utilizado como instrumento explícito ou subliminar de campanha política do ex-prefeito.
Essa prática desenvolvida por alguns políticos que consideram-se acima da lei gera uma pedagogia do absurdo e transfere para a sociedade a noção de que não vale a pena cumprir a lei. Cada cidadão entende que pode espelhar-se em seus líderes e praticar delitos. O inconsciente coletivo do povo brasileiro foi dominado pelo crime, a sociedade está desgovernada. Até o dia 31 de outubro estamos em um processo eleitoral e a lei precisa ser respeitada em nome da governabilidade.
Aos 74 anos, Tom Zé é mais jovial do que os compositores da atual geração. Ele continua vanguardista há décadas e no palco ele pulava que só uma guariba. Tom Zé transpira alegria e irreverência.
O Ponto de Cem Réis estava efervescente. Cerca de três mil jovens, surpreendentemente com média de idade inferior a vinte anos, se espremiam diante do palco para compartilhar a alegria de um artista que atravessa décadas fazendo a cabeça de tantas gerações.
Como um maestro, ele conduzia a massa e estimulava aquela juventude a cantar as suas canções cheias de significado e sabedoria. Tom Zé é um mestre da boa política ao apresentar para a juventude músicas e letras inteligentes que pautam o caminho do bem. Nesse aspecto, o gesto do notável artista ficou muito distante de seus contratantes. A noite foi uma lição para o bem e para o mal. Considero que a do bem foi bem maior.
Tom não parou a sua pedagogia positiva nas suas canções. Em duas ocasiões o profeta anunciou: “Nicolelis falou que a inteligência da população da Paraíba é superior.” Ninguém entendeu nada porque essa afirmação faz parte de uma sociedade do futuro que ainda podemos construir. Não fiquei surpreso porque Tom Zé sempre esteve no futuro e de certa forma eu me entendo com ele. O instante atrai muito, mas sem tirar os olhos do amanhã. Essa declaração do doutor Nicolelis deveria tornar-se do conhecimento de todos os paraibanos que ainda sonham com uma sociedade menos desequilibrada.
Miguel Nicollelis é um neurocientista de grande relevo científico que está fazendo um trabalho fundamental para o futuro da sociedade brasileira. Os seus experimentos estão relacionados à construção de um moderno conceito de nação onde os jovens são intensivamente expostos à ciência para despertar o conhecimento que cada um de nós incorpora.
Essa experiência, a partir de um fragmento da sociedade, poderá colocar o Brasil do futuro num ambiente científico bem diferente desse modelo que obriga as escolas e universidades à aprovação compulsória de seus alunos para preencher as estatísticas governamentais.
Nicolelis está preparando, a partir desses jovens potiguares, uma sociedade cujos líderes não conduzirão mais uma massa de ignorantes. Esperamos que os líderes paraibanos substituam essas práticas arcaicas e nos conduzam para um futuro mais saudável e digno.
Postado por Reginaldo Marinho em 9/26/10 as 10:54 AM
O meu amigo vento não veio me procurar, porque multidões ele foi arrastar. É assim que o compositor Zé Ramalho vive há décadas: arrastando multidões por onde quer que vá. Naquela noite de sua homenagem, nas areias do Cabo Branco, diante daquelas ondas, eu fui ver o meu amigo vento. Ele estava lá, forte e intenso como a rocha de Brejo do Cruz que domina a paisagem da cidade e a supera em energia magnética.
Zé Ramalho encanta fãs pelo Brasil inteiro com as mesmas canções que a Paraíba não quis reconhecer no início de sua carreira como Chão de Giz, Avohai, Vila do Sossego, Garoto de Aluguel e tantas outras que são referências da moderna música popular brasileira.
Zé acostumou-se a arrastar multidões desde que saiu da Paraíba para mostrar o seu talento, há mais de trinta anos no sul maravilha. Um reconhecimento que é negado a qualquer paraibano por causa de um fenômeno que nos atinge profundamente: somos uma sociedade colonizada. A falta de políticas que afirmem a nossa identidade e a própria capacidade de gerar produtos culturais de excelente qualidade nos faz dependentes de organizações sociais mais poderosas economicamente, localizadas no Sudeste, que terminam induzindo o que devemos consumir em matéria de cultura.
O triunfo de Zé Ramalho e o respectivo desprezo pelo seu talento, antes do sucesso externo, é um poderoso emblema de nossa mediocridade causada pela ausência de um instrumento capaz de promover a excelência da produção cultural da Paraíba.
Tomemos como exemplo a Bahia. Desde a década de sessenta, nas gestões de ACM como prefeito de Salvador e governador do Estado, respectivamente, que a Bahia estimula fortemente as atividades culturais. Além de fortalecimento da autoestima da população, o reconhecimento e a propagação dos produtos culturais baianos geram riquezas há mais de quarenta anos, cujos reflexos se estendem para o turismo e outros aspectos da economia.
Há tempo de semear e de colher. A nova Secretaria de Cultura do Estado da Paraíba certamente irá contribuir para reduzir essa incapacidade lesiva de identificar e promover os gênios paraibanos em todas as atividades que a transversalidade cultural permita.
© Todos os direitos reservados - Grupo WSCOM de Comunicação - www.wscom.com.br
Produzido por Construir Sites